Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Dezembro de 2014

Rio

Casos de ebola no Rio são desmentidos pela Secretaria de Estado de Saúde

Dois possíveis casos estavam sendo divulgados em redes sociais; Ministério da Saúde também negou

Jornal do BrasilRafael Gonzaga*

Dois possíveis casos de ebola no Rio de Janeiro estavam sendo divulgados por usuários de redes sociais. De acordo com os boatos, os casos teriam sido identificados nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) dos bairros de Botafogo e Marechal Hermes, respectivamente Zona Sul e Zona Norte do Rio. Contudo, a Subsecretaria de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro divulgou um informe negando a existência de casos da doença no Brasil. De acordo com a nota, não há nenhum caso confirmado e nem mesmo suspeitos no estado – ou no Brasil.

UPA de Marechal Hermes: boato diria que um dos caso teria sido identificado nessa unidade
UPA de Marechal Hermes: boato diria que um dos caso teria sido identificado nessa unidade

A nota reafirma que a possibilidade de disseminação do vírus para além do continente africano continua sendo considerada baixa. A Subsecretaria de Vigilância em Saúde diz que em caso de suspeita de pessoas contaminadas, os pacientes serão encaminhados pela unidade de emergência em que forem atendidos direto para uma unidade de saúde de referência, onde serão isolados e receberão os tratamentos iniciais da doença. Apesar da pequena possibilidade de transmissão, a Subsecretaria recomenda que todo caso suspeito seja notificado imediatamente às autoridades de saúde das Secretarias municipais, Estaduais e à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

A assessoria do Ministério da Saúde também negou a informação. Segundo o Ministério, caso fossem identificados casos suspeitos, eles seriam encaminhados para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas – e não para UPAs. A assessoria do ministério lembrou ainda que a Organização Mundial da Saúde não recomenda que sejam tomadas medidas que restrinjam o comércio ou o fluxo de pessoas dos países afetados com o restante do mundo.

A Subsecretaria de Vigilância em Saúde afirma estar trabalhando de acordo com as diretrizes definidas pelo Ministério da Saúde para manter as unidades de saúde em alerta para uma possível identificação de sintomas relacionados ao vírus ebola. De acordo com a nota, um plano de contingência já estaria elaborado em parceria com as secretarias municipais de saúde, com o Corpo de Bombeiros e com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Quem também está se preparando para possíveis necessidade de enfrentar a doença é a própria Fiocruz. A fundação estaria está capacitando cerca de 50 profissionais - desde faxineiros até médicos da instituição - para que possam atender e tratar pacientes infectados que entrarem no Brasil.

O treinamento está sob responsabilidade do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), que faz parte da Fiocruz. O instituto foi indicado como referência para receber casos suspeitos de ebola e duas salas do INI já estariam preparadas para receber pacientes com suspeita de contaminação que precisassem ficar em situação de isolamento.

O ebola no mundo

Os casos de ebola vêm fazendo cada vez mais vítimas no continente africano. Com os casos concentrados em Serra Leoa, Libéria e Guiné, desde o início do ano de 2014 já morreram e 1.145 pessoas em decorrência da doença – de 2.127 casos identificados, indicando uma letalidade extremamente alta de 68%. Esse tem sido o maior surto já registrado da doença.

Outros dez casos foram identificados na Nigéria, todos relacionados a pessoas que fizeram contato com o primeiro paciente no país, que havia passado pela Libéria. Todos os casos identificados no país foram isolados e a Organização Mundial da Saúde já considera que não há circulação do vírus na Nigéria.

*Do programa de estágio JB

Tags: ebola, fiocruz, guiné, ini, libéria, NIGÉRIA, serra leoa

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