Jornal do Brasil

Sexta-feira, 20 de Abril de 2018 Fundado em 1891

Ciência e Tecnologia

Programa une comunidade e escola para educar meninas

Educate Girls já matriculou 58 mil garotas em distritos com alta desigualdade de gênero na Índia

Jornal do Brasil Carolina Lenoir

“Se você educa uma mulher, educa uma nação”. O provérbio, bastante conhecido mas sem um consenso sobre a autoria, resume o impacto do empoderamento educacional feminino não apenas nas trajetórias individuais, mas também no rumo a ser seguido pelas gerações futuras. Com o objetivo de influenciar toda a sociedade da Índia, a Foundation to Educate Girls Globally investe em acesso à educação de qualidade em distritos com índices críticos de desigualdade de gênero. O país tem mais de 3,7 milhões de meninas fora da escola e cerca de 200 milhões de analfabetas.

Um modelo inovador de reforma escolar que garante a participação ativa de governo, escola, comunidade e alunas foi adotado em 5 mil instituições públicas de Pali, Jalore e Sirohi, onde ocorreu uma reorganização da estrutura existente e foram reaproveitados os investimentos que o governo destina à educação. Como resultado, a Educate Girls tem conseguido aumentar o número de meninas matriculadas, retê-las durante todo o ano letivo e melhorar os resultados de aprendizagem, especialmente em línguas e matemática. Em seis anos, mais de 58 mil garotas de 6 a 14 anos já foram matriculadas nesses locais.

Programa une escola e comunidade para educar meninas

A iniciativa – que foi anunciada como uma das 15 finalistas do WISE Awards 2014, prêmio que destaca ideias inovadoras em educação em todo o mundo – tem alcançado esses resultados por meio de estratégias que incluem um currículo diferenciado. A Educate Girls entende que, para manter as meninas na escola, é preciso que os métodos de ensino e aprendizagem sejam centrados nas crianças. Por isso, a organização capacita os professores com técnicas criativas, que melhoram o desempenho escolar.

“O Creative Learning and Teaching (CLT) é uma metodologia baseada em atividades que tornam o aprendizado mais divertido para as crianças, mantendo a santidade do ensino. Nós treinamos professores e voluntários, chamados Team Balika, para aplicar o módulo, com duração de 20 a 24 semanas, que inclui um kit exclusivo com atividades e jogos”, explica a fundadora e CEO do Educate Girls, Safeena Husain, em entrevista ao Porvir. Testes antes e depois da sua implantação são feitos nas escolas para avaliar a melhoria dos níveis de aprendizagem das crianças. Em um ano, os resultados de aprendizagem em inglês, hindi e matemática melhoram, em média, 30%.

Outra ação importante é a formação de jovens líderes, que atuam nas escolas e em seus vilarejos como referências. Chamado de Bal Sabhas, um conselho formado por 13 meninas é eleito democraticamente e tem como responsabilidade o estímulo à participação escolar. Como uma atividade extracurricular, as integrantes contam com currículo voltado para o desenvolvimento de habilidades como comunicação eficaz, liderança, pensamento crítico e resolução de problemas. “Trata-se de um conjunto de 10 competências que são trabalhadas por meio de cinco jogos interativos, que também lapidam a tomada de decisões, pensamento criativo, autoconhecimento, empatia, quociente emocional e gerenciamento de estresse. Ainda que essas atividades sejam trabalhadas apenas no Bal Sabhas, nós garantimos que as líderes sejam multiplicadoras entre suas colegas”, afirma a CEO.

Programa une escola e comunidade para educar meninas

Por fim, para a mobilização da comunidade, todas as escolas atendidas pelo Educate Girls contam com um Comitê de Gestão Escolar (CGE). Os integrantes também são eleitos e capacitados para estabelecer os chamados Planos de Melhoria Escolar (PME). De acordo com Safeena, o comitê é formado por 15 membros, divididos entre 11 responsáveis pelas alunas (preferencialmente 7 mulheres e 4 homens), um diretor da escola, uma professora, uma aluna e um representante do governo. “Eles trabalham a fim de melhorar a infraestrutura da escola, como na instalação de banheiros separados e bebedouros com água potável, e oferecer atividades extracurriculares. Apesar de não terem nenhum envolvimento com a elaboração do currículo escolar, eles podem demandar mais ou melhores professores, por exemplo, por meio do PME.”

O impacto cumulativo das ações da Educate Girls impressiona. Cerca de 568 mil crianças, meninos inclusive, se beneficiam das melhorias implementadas nas escolas, seja em relação à capacitação dos professores ou à infraestrutura. Ao mesmo tempo, a Educate Girls é capaz de realizar o trabalho com um gasto médio por estudante de apenas US$ 2,60 durante os dois anos em que realiza a intervenção. Depois desse período, é esperado que a instituição de ensino possa continuar o trabalho. A Educate Girls pretende expandir o número de escolas atendidas de 5 mil para 18 mil até 2016.

Porvir


Tags: desigualdade, educação feminina, empoderamento, foundation to educate girls globally, gênero

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