Jornal do Brasil

Quarta-feira, 23 de Julho de 2014

Ciência e Tecnologia

Médicos alertam para perigos de plástica nos dedos dos pés

Cirurgia é tendência crescente entre mulheres, impulsionada pela popularidade de saltos

Portal Terra

A nova mania é apostar na cirurgia plástica chamada de Cinderela, que inclui encurtar ou alongar os dedos, raspar o excesso de osso para remover caroços e inchaços, e lipoaspiração. Mas médicos alertam que esse tipo de procedimento invasivo pode trazer prejuízos, como dor permanente e movimento articular restrito. Os dados são do jornal Daily Mail.

A inglesa Paulina Charlikowska, de 30 anos, sempre teve vergonha dos pés e os escondia dos amigos. “Mesmo quando criança, pensava que não pareciam normais. Não ajuda que meus pés são grandes, o que significava que sapatos parecem desajeitados e os meus segundos e terceiros dedos dos pés eram mais longos do que os meus dedões. Costumava espremer meus pés em sapatos dois tamanhos menores e meus dedos ficavam sempre doloridos e cobertos de calos. Sabia que o que estava fazendo com meus pés parecia ainda pior, mas não podia suportar usar sapatos grandes feios.”

Paulina decidiu apostar na cirurgia que promete alterar a forma e o tamanho dos pés depois de assistir a um documentário na televisão. “A partir desse momento, me tornei obcecada em encontrar uma maneira de ter a operação. Meu marido Jacob achava que estava louca. Ele não acredita em cirurgia a menos que seja necessária, mas quando comecei a guardar £ 4500 (cerca de R$ 17 mil) que precisava, ele percebeu que não poderia me parar.”

Em outubro do ano passado, Paulina teve seus segundos e terceiros dedos encurtado em 1 cm em uma operação com anestesia local. “Levou uma hora e, embora não sentisse nada, podia ouvir os meus ossos sendo serrados, era horrível. Não houve dor depois, mas eu fiquei com os fios dos pontos em meus dedos do pé durante cinco semanas e um dedo tornou-se infectado, então tive de tomar antibióticos. Depois que os fios foram removidos, usei muletas por algumas semanas antes que pudesse andar normalmente de novo, embora não pudesse me exercitar por seis meses.” Agora, apresenta apenas pequenas cicatrizes imperceptíveis e os pés estão menores.  

Jason Hargrave, do Cosmetic Foot Surgery Centre, disse que a cirurgia plástica do pé é uma tendência crescente, impulsionada pela popularidade de saltos. “São vistos como mais glamourosos, acessórios desejáveis, e não ser capaz de usá-los pode ser deprimente. Em muitos casos, elas vão a extremos para escondê-los, até mesmo de seus próprios maridos”, explicou.

A inglesa Sonja Ferguson, de 41 anos, apostou em cirurgia para remover joanetes, que se tornaram piores por ter de ficar constantemente em pé de salto por conta da profissão de comissária de bordo. Em janeiro deste ano, teve o pé direito operado e, em março, o esquerdo. Ambos os procedimentos foram realizados sob anestesia geral e envolveram cortar o lado do pé, endireitar o dedo e raspar o excesso de osso. “Três ou quatro dias depois de cada operação, a dor diminuiu e, depois de três semanas de muletas, era capaz de me locomover normalmente.” Voltou a trabalhar em maio, embora o movimento dos dedos ainda não esteja totalmente como antes.  

Apesar da felicidade de algumas mulheres com os resultados, muitos médicos estão preocupados. Cirurgiões ortopédicos têm alertado que muitas cirurgias nos pés são altamente invasivas, pois envolvem abrir dedos, serrar os ossos em dois e juntá-los novamente, de modo que o potencial de complicações graves, incluindo dor permanente e movimento articular restrito, é alto.

“Os cirurgiões registrados no British Orthopaedic Foot e Ankle Society, órgãos reguladores, só realizam uma cirurgia no pé para aliviar a dor ou corrigir uma deformidade, como joanetes graves ou dedos em formato de garras. Nós não endossamos esse tipo de cirurgia por razões puramente estéticas, por causa dos riscos que ela carrega, incluindo inchaço, rigidez e a possibilidade de não curar corretamente. Nos casos mais extremos, há ainda um pequeno risco de coágulos de sangue potencialmente fatais”, disse a cirurgiã Andrea Sott, do St Anthony’s Hospital.

A inglesa Danielle Sandler, de 37 anos, descobriu as armadilhas da cirurgia após apostar nela há dois anos para corrigir os dedos em martelo (quando o dedo do pé apresenta a articulação no meio dobrada). “Meu marido Nick é osteopata e estava contra minha ideia de operar, incentivando-me a tentar endireitar os dedos por meio de fisioterapia e osteopatia, mas não quis ouvi-lo.”

Danielle fez uma cirurgia com anestesia geral, em que ganchos foram inseridos em seus dedos do pé para endireitá-los, e também aproveitou para remover joanetes. “Após a operação, estava com dor excruciante, e logo ficou claro que algo tinha dado errado, porque meus pés estavam apontando para cima em um ângulo estranho. Os dedos não tocavam o chão quando me levantei.”

Semanas depois, teve que passar por uma segunda operação para tentar corrigir a inclinação para cima dos dedos, mas o resultado não foi positivo. “Depois de seis semanas, eles tiraram os ganchos dos meus dedos do pé sem anestesia, o que era tão doloroso que quase desmaiei. Tive que ficar seis meses fora do meu trabalho porque não conseguia andar e meus pés estavam maciçamente inchados.”

Danielle disse que o fato de os dedos não dobrarem mais faz com que o pé fique “sempre duro”, o que afeta seus tornozelos e joelhos. Fora isso, não consegue mais usar saltos. “As pessoas devem pensar muito bem antes de fazer uma cirurgia no pé por razões estéticas. Não vale a pena o risco apenas por uma questão de vaidade, os meus pés estão mais doloridos do que eram antes.”

Tags: cirurgia, dedo do pé, medicina, mudanças, salto alto

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