Jornal do Brasil

Domingo, 21 de Setembro de 2014

Ciência e Tecnologia

Bonecos de Olinda desfilam em Copacabana contra a hepatite C

Agência Brasil

Vestidos com as camisas das seleções que participarão da Copa do Mundo, os Bonecos de Olinda, invadiram, na manhã de hoje (8), a Praia de Copacabana, na orla da zona sul do Rio de Janeiro. Eles quiseram chamar a atenção da população para os riscos da hepatite C, doença que atinge cerca de 3 milhões de brasileiros – muitos dos quais nem mesmo sabem da contaminação.

A campanha “O futebol contra a hepatite” está sendo lançada neste domingo pela Associação Brasileira dos Portadores de Hepatite (ABPH) e pelo Fundo Mundial para a Hepatite, com sede em Nova York. O objetivo é tornar o tema uma das causas oficiais de uma das próximas Copas do Mundo.

“Nosso propósito é ajudar, por meio do futebol, que é a linguagem universal de nossos tempos, a dar a visibilidade de que a doença precisa. Pois, apesar de ser tão abrangente e uma calamidade no mundo [500 milhões de pessoas têm hepatites B e C] ela é silenciosa e silenciada, obscurecida”, alerta Humberto Silva, presidente da ABPH e do Fundo Mundial para a Hepatite.

O desfile começou por volta das 10h, no Forte de Copacabana, e terminou no hotel Copacabana Palace. Um quiosque com enfermeiros foi disponibilizado para oferecer exames gratuitos para detectar a doença: um furo no dedo e, em apenas três minutos, estava pronto o resultado. Os especialistas orientavam aqueles com diagnóstico positivo.

De acordo com a Lei 11.255, de 2005, todo brasileiro tem direito a tratamento da doença, incluindo os remédios, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Apenas 5% dos brasileiros têm conhecimento de ter hepatite, que, por ser uma doença silenciosa, quando se descobre, já é tarde demais. Por isso, a urgência da conscientização e do tratamento rápido”, avaliou Humberto Silva.

Há seis tipos de hepatite diagnosticadas, mas a maior incidência a doença é a do tipo C, com cerca de 3,2 milhões de brasileiros infectados. No mundo, as estimativas indicam a existência de mais de 500 milhões de pessoas infectadas, das quais apenas 5% têm conhecimento do fato. A hepatite C pode ser passada por meio de transfusão de sangue, compartilhamento de seringas ou de objetos que entrem em contato direto com o sangue, como os encontrados em manicures e dentistas, por exemplo.

A doença é mundo comum no mundo do futebol e já vitimou diversos ídolos do esporte. O caso mais recente foi o do jogador Marinho Chagas, que morreu no último dia 1º. O jogador foi ídolo do Botafogo nos anos 70, e morreu em consequência de uma hemorragia decorrente de uma hepatite. O caso mais marcante, no entanto, segundo a ABPH, ocorreu nos anos 70, envolvendo o time do time Sport Club Gaúcho, quando oito dos 11 dos jogadores faleceram em consequência da hepatite. Na época, era comum o uso do energético Glucoenergan, que era injetado diretamente na veia do atleta. “Com a troca da agulha, mas o uso da mesma seringa, a contaminação foi inevitável”, informa a associação.

Tags: brasil, copa do mundo, copacabana, doença, hepatite c, SUS

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