Jornal do Brasil

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

Ciência e Tecnologia

'Fumar é causa de complicações ainda pouco divulgadas', alerta oncologista

No dia em que Lei Ambiente Livre de Tabaco entra em vigor, oncologista alerta riscos pouco abordados

Jornal do BrasilRafael Gonzaga

Entra em vigor efetivamente nesta segunda-feira (02) a Lei Ambiente Livre de Tabaco, sancionada pela presidente Dilma Rousseff no último sábado, dia Mundial livre de tabaco instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU). A medida tenta reduzir o número de vítimas diretas e indiretas do cigarro. Milhares de pessoas morrem todos os anos por doenças relacionadas ao cigarro, e algumas dessas doenças não são tão divulgadas quanto, por exemplo, o câncer de pulmão.

Apesar de a Lei representar um avanço das políticas contra o consumo de cigarros, ela não é uma medida inédita. Existe atualmente um pacote de resoluções previstas pela Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), um tratado mundial de saúde pública da Organização Mundial da Saúde (OMS), da qual o Brasil é um dos países signatários.

De acordo com a última pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), promovida pelo Ministério da Saúde, houve uma queda de 28% no número de fumantes acima de 18 anos nos últimos oito anos. O Vigitel 2013 registrou que 11,3% da população brasileira fumava, enquanto que o dados de 2006 apontavam para um total de 15,7%.

De acordo com o Inca, a queda do índice é resultado de políticas de controle do tabagismo, como os aumentos progressivos de impostos, a proibição de fumar em locais fechados e a proibição da publicidade de produtos tabagistas nos meios de comunicação.

O Inca informa ainda que a política de aumentos progressivos de impostos acima da inflação estaria se mostrando bem-sucedida, mas que as outras duas medidas, apesar de aprovadas e sancionadas pela presidente Dilma há dois anos e meio, ainda necessitam ser regulamentadas.

Contudo, o tabagismo ainda é causa direta e indireta de inúmeras doenças.

Doenças pouco divulgadas

O oncologista José Carlos do Valle, ex-presidente as Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, conta que existe uma grande divulgação da relação entre o fumo e doenças cardiovasculares, câncer de boca, faringe e pulmão. Porém, o cigarro é o vilão na luta contra outras doenças perigosas.

Uma dessas doenças é a tromboangiíte obliterante, também conhecida como doença de Buerger, como explica o oncologista José Carlos. “É uma doença que se manifesta nos vasos arteriais periféricos, principalmente nas pernas, podendo levar a gangrena. Infelizmente, esse tipo de complicação não é muito falado”, conta.

Os sintomas da doença de Buerger são sensação de dor e fraqueza nos braços e pernas, surgimentos de úlceras nas extremidades do corpo, alteração de cor nas extremidades dos dedos, inchaço e vermelhidão nos locais onde  as veias foram acometidas pela doença.

Segundo o oncologista, o diagnóstico é bem simples. “É uma doença crônica, o sujeito demora a procurar o médico e quando procura já está em quadros como o da gangrena e pouco se pode fazer para reverter. O negócio é não fumar”, alerta.

Fumantes passivos.

José Carlos alerta também que o perigo vai além da opção de fumar ou não. “No Instituto Nacional do Câncer, temos muitos casos de mulheres que chegavam com quadros de câncer de pulmão apesar de nunca terem fumado. O fumo passivo é uma realidade”, conta.

Para o oncologista, a medida está chegando ao Brasil com certo atraso já. Grandes cidades como Londres e Nova York já possuem em vigor leis que restringem o consumo o fumo. Nova York, por exemplo, aumentou a idade para compra de cigarros de 18 para 21 anos e outras medidas antitabagistas livraram a cidade da fumaça do cigarro em locais fechados e ambientes públicos.

Para José Carlos do Valle, o cigarro é o maior malefício da atualidade. “O fumante não só causa o mal a ele mesmo, como aos filhos e quem mais conviva com eles. O impacto é muito maior que álcool, maconha, cocaína e o uso não é considerado contravenção. Medidas restritivas ao fumo são um bem para a humanidade”.

Tags: CÂNCER, cigarro, Dilma Rousseff, fumo, lei ambiente livre de tabaco, tabagismo

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