Jornal do Brasil

Quarta-feira, 23 de Julho de 2014

Ciência e Tecnologia

Academia Nacional de Medicina empossa primeira mulher na área clínica

Mônica se diz feliz com a escolha e fala sobre a burocracia que entrava a medicina

Jornal do Brasil

A endocrinologista Mônica Roberto Gadelha, coordenadora do serviço de neuroendocrinologia do Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer (IEC), foi empossada nesta terça-feira como membro da Academia Nacional de Medicina (ANM). Em uma eleição disputada, Mônica foi eleita como Membro Titular da cadeira 6, Seção de Medicina, cujo patrono é Manoel de Valadão Pimentel e o último ocupante foi Luiz Cesar Póvoa. Mônica é a primeira médica a ocupar a seção de medicina clínica.

Para entrar na Academia é feita uma campanha bastante difícil. Primeiro, um dos ocupantes precisa deixar a cadeira vaga: por morte ou abrindo mão da sua vaga. Depois, é preciso apresentar um trabalho inédito e ainda ser eleito por mais de 50% do colegiado, o que pode não acontecer, se não for possível reunir grande parte dos membros para votação. Além disso, o maior desafio: visitar os 107 membros. "Toda a campanha é muito difícil, e temos que visitar, de preferência pessoalmente, todos os acadêmicos. Eu levei essa parte muito a sério e visitei todos que pude, inclusive vários que moram fora do Rio. Eles precisam ficar sabendo da sua carreira e conhecer também a sua pessoa", comenta Mônica, que na campanha para a cadeira seis, ganhou de um homem, sendo a primeira mulher a ocupar a seção clínica.

A instituição divide os acadêmicos em três seções: cirurgia, medicina geral (clínica médica) e ciências aplicadas à medicina. Nos 185 anos da Academia, são, no total, 686 médicos e somente seis desses são mulheres. Mônica se muito feliz de ter sido eleita, concorrendo contra um homem e que "já estava na hora de uma mulher ser aceita, depois de 185 anos". 

O presidente da ANC, Pietro Novellino, comentou a entrada da professora: "Ela é uma grande renovação para  a Academia. Além de ser médica é uma grande professora de endocrinologia, o que significa que ela está fazendo discípulos lá fora", elogiou Novellino.

Os problemas da saúde e da medicina brasileira

Mônica e Novellino comentaram suas principais preocupações sobre a medicina brasileira. Para Mônica, que trabalha no Instituto do Cérebro,  além de ser professora adjunta do Departamento de Clínica Médica da UFRJ, a burocracia continua sendo uma das maiores dificuldades nas pesquisas científicas. 

"No meu discurso mesmo eu falo, por exemplo, da pesquisa translacional, aquela que sai diretamente da bancada do laboratório para aplicação prática no paciente. O Brasil tem grandes entraves burocráticos e regulatórios, tanto para importar materiais quanto para aprovar projetos. Isso precisa ser repensado", comenta Mônica.

Para Novellino, a saúde pública sofre de um problema de financiamento. O Brasil é um dos países com menor porcentagem do PIB voltado para saúde, mas para ele, o maior problema ainda são outros problemas sociais que influenciam na saúde dos brasileiros. "Ainda temos que enfrentar grandes problemas como desnutrição, tuberculose e Aids, além de outras doenças, como obesidade, que se ligam diretamente com os hábitos das pessoas. Mas elas estão todas relacionadas diretamente com a educação e com medidas básicas, como boa alimentação e saneamento, que estão ligadas a esses problemas", comenta o acadêmico.

Tags: academia de medicina, anc, endocrinologista, monica gadelha, Rio

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