Jornal do Brasil

Domingo, 23 de Novembro de 2014

Ciência e Tecnologia

Ongs querem que alimentos pouco saudáveis sejam regulados como cigarro

Medidas buscam lutar contra epidemia mundial de obesidade

Agência ANSA

 A Consumer International e a Federação Mundial de Obesidade lançam amanhã (21) uma convocatória mundial contra os alimentos pouco saudáveis e reivindicam medidas de regulamentação destes produtos como já é feito com o cigarro.   

As duas Organizações Não Governamentais (ONGs) sugerem que o modelo da campanha adotado seja o mesmo usado contra o tabagismo aprovado em 2003, com fotos chocantes que mostram os danos à saúde, impostos mais altos para alimentos não saudáveis, fim das propagandas voltadas para crianças e mais informação.    

O objetivo é conscientizar as pessoas sobre o perigo do consumo de alimentos pouco nutritivos e contrastar a epidemia de obesidade que atualmente é mais perigosa que o tabagismo.O objetivo das duas ONGs é conseguir uma série de medidas mais rígidas contra a indústria alimentícia.    

Entre as medidas sugeridas estão a remoção das gorduras artificiais dos alimentos e bebidas no prazo de cinco anos, a proibição de propagandas de alimentos pouco saudáveis, e a adoção de um método de taxação que iniba o uso de alimentos prejudiciais.    

Neste contexto a adoção de etiquetas com mensagens que alertam sobre o perigo para a saúde ou até com imagens chocantes dos efeitos da obesidade poderiam ser eficazes, explica Luke Upchurch da Consumer International, a associação que organiza campanhas internacionais em defesa dos consumidores.    "São necessárias medidas mais restritivas que estas, mas se algum governo decidir que também este tipo de etiquetas podem ser úteis nós aceitaremos a escolha", disse ele.    

As ONGs alertam que há dez anos a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou a "Estratégia Global em Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde", o primeiro documento na qual se reconhecia o perigo potencial para a saúde representado pela alimentação não correta.    

Apesar do reconhecimento, o número de mortes causadas pela obesidade continuou a aumentar, passando de 2,5 milhões em 2005 para 3,8 em 2010, e as pessoas que estão acima do peso ou obesas já passam de meio bilhão no mundo, 10% dos homens e 14% das mulheres, e maioria está nos países em desenvolvimento. Para contestar com eficácia a obesidade no mundo, explica o documento elaborado peãs associações, é necessária uma convenção conjunta, e não uma série de regras regulamentadas pela vontade de cada país.   

 "Estamos na mesma situação dos anos 1960, quando a indústria do tabaco afirmava que não existia nada de errado nos cigarros e no prazo de 30-40 anos morreram milhões de pessoas. Se não se agir agora corremos o risco de sofrer a mesma intransigência por parte das industrias alimentícias", afirmou Upchurch.

Tags: alimentos, consumer international, epidemia, federação mundial de obesidade, Medidas, obesidade

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