Jornal do Brasil

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

Ciência e Tecnologia

ONGs que apresentam soluções para problemas sociais recebem prêmios do Google

Agência Brasil

A companhia Google Brasil premiou hoje (8) dez Organizações Não Governamentais (ONGs) que apresentaram projetos que usam a tecnologia para solucionar problemas na sociedade. Os premiados foram finalistas do concurso Desafio de Impacto Social, lançado em fevereiro, que contou com um total de 751 inscritos. Ao todo, os prêmios somaram R$ 7 milhões.

Quatro projetos foram vencedores do concurso. Um deles foi escolhido por meio de voto popular e três por um corpo de jurados. Cada um desses recebeu R$ 1 milhão. Pouco antes de anunciar os ganhadores, a diretoria do Google decidiu ampliar o valor da premiação, contemplando também outros seis finalistas com a oferta de R$ 500 mil para cada.

Pelo voto popular foi eleito o Instituto da Mulher Negra Gedelés, que atua em parceria a ONG Themies, do Rio Grande do Sul, no combate à violência contra as mulheres que estão sob proteção judicial.

Outro vencedor foi o Instituto Zero a Seis, formado por um grupo multidisciplinar que conta com médicos, advogados, psicólogos e comunicadores. A entidade inscreveu o projeto SMS Bebê, que auxilia mães ou responsáveis por crianças com idade até seis anos de idade, transmitindo mensagens por smartphones com informações sobre cuidados essenciais que devem ser oferecidos às crianças.

Representando a ONG, o médico do Hospital das Clínicas de São Paulo, João Figueiró, justificou que todos os anos nascem cerca de três milhões de bebês no país sujeitos a doenças, desnutrição e acidentes domésticos, entre outras situações que poderiam ser evitadas. Exemplificando os problemas, ele afirmou que o traumatismo cranioencefálico é a causa mais frequente de morte das crianças com menos de três anos. “Uma simples sacudida [na criança] pode levar a um rompimento dos neurônios”, complementou.

Emocionado após ter seu projeto incluído entre os três escolhidos pelo júri, o biólogo Guilherme Dutra, diretor do Programa Marinho da ONG Conservação Internacional, contou que há dois anos vinha tentando buscar uma maneira de ajudar as 60 mil famílias de pescadores no país a aperfeiçoar a pesca e melhorar a renda. Com o concurso, foi criado um portal da transparência que objetiva certificar a qualidade do produto que chega à mesa do consumidor, agregando valor ao empreendimento.

“O processo é simples: a de criar um portal de transparência do pescado com informações que vão junto com o peixe indicando a sua origem e o conjunto de metas para melhorias da pescaria”, relatou o biólogo. 

Também entre as premiadas, a Rede Meu Rio propõe o efeito multiplicador das ações desenvolvidas no Rio de janeiro, levando para 20 cidades brasileiras as estratégias de luta popular para conquistas de bens coletivos. Um dos exemplos citados pela representante da ONG, Alessandra Ouro Fino, foi a criação da primeira delegacia especializada em solucionar casos de desaparecidos.

As demais entidades premiadas foram: Instituto Igarapé, com o aplicativo de pesquisa digital para smartphones Índice Segurança da Criança (CSI), criado para mostrar a percepção de crianças e jovens sobre segurança, em áreas afetadas pela violência; Instituto Mamirauá, que propôs usar a energia solar para produzir gelo para a conservação de alimentos nas regiões ribeirinhas amazonenses; Associação O Eco, com o projeto de sensores para medir a qualidade da água distribuída em quatro cidades da Amazônia; a Open Knowledge Foudation, que quer criar uma ferramenta para monitorar os gastos públicos dos governos federal e de São Paulo; Juntos com Você, que sugeriu a criação de uma plataforma de doações para projetos sociais no Brasil; e o Instituto Socioambiental, com uma tecnologia para dar maior sustentabilidade aos produtos florestais na Amazônia.

O corpo do júri foi formado pela diretora do Google.org Jacqueline Fuller, o apresentador Luciano Huck, a presidente do Instituto Ayrton Senna, Viviane Senna, o empresário Josué Gomes e o músico e ativista MV Bill.

“O Google já promoveu essa iniciativa na Índia e na Inglaterra e a intenção nesta etapa foi a de buscar um projeto que pudesse capturar essa capacidade de articulação em uma atividade usando a tecnologia para resolver problemas na sociedade”, esclareceu o diretor-geral da empresa no país, Fábio Coelho.

Ele levantou a possibilidade de que novas edições possam ocorrer. “A ideia é aprender com esses projetos e voltar para o mercado com experiência melhorada e ampliada”, informou o diretor.

Tags: CIÊNCIA, empresas, premiação, Redes, tecnologia

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