Jornal do Brasil

Terça-feira, 22 de Julho de 2014

Ciência e Tecnologia

Genoma da mosca oferece pistas sobre a doença do sono 

Jornal do Brasil

Uma matéria da revista Nature desta semana, relata que agentes públicos de saúde estão mais pertos de erradicar uma doença debilitante e potencialmente fatal conhecida como a doença do sono, após encontrarem o portador da doença, a mosca tsé-tsé. A sequencia de 366 milhões de base da Glossina morsitans oferece pistas sobre a dieta do inseto, visão e estratégias reprodutivas, dizem os pesquisadores.

"Isso realmente acelera nossa capacidade de fazer pesquisa básica sobre esta mosca", diz o autor Geoffrey Attardo da Escola Yale de Saúde Pública, em New Haven, Connecticut.

A matéria explica que as Moscas tsé-tsé transportam protozoários parasitas que causam a doença do sono, também conhecida como tripanossomíase, em seres humanos, é uma doença semelhante na pecuária, na África subsaariana. As medidas de controle, tais como armadilhas para matar as moscas têm ajudado a reduzir o número de casos, mas não há vacinação, e um número estimado de 70 milhões de pessoas continua em risco de infecção. A decodificação do genoma vai ajudar os pesquisadores a aprimorar as características específicas da mosca e potencialmente vão levar a formas novas ou mais eficazes para controlar a população de moscas, diz Attardo.

A G. morsitans tornou-se a espécie de escolha para pesquisadores que estudam a doença do sono, em parte devido a sua preferência por animais faz com que seja mais seguro para estudar no laboratório. Por isso muito já se sabe sobre a sua biologia e comportamental.

O genoma ajudou a expandir esse entendimento, elucidando, por exemplo, o comportamento alimentar. Ao contrário de parentes, como mosquitos e flebotomíneos, que também se alimentam de néctar de plantas, as moscas tsé-tsé se alimentam exclusivamente de sangue. Os autores, todos membros da Iniciativa Internacional do Genoma Glossina, agora descobriram que a mosca tsé-tsé tem genes adicionais associados com a quebra e tolerância de sangue, e menos ligado ao metabolismo de carboidratos, uma assinatura genômica de moscas que se alimentam de açúcar.

Outro aspecto conhecido da biologia da mosca tsé-tsé é a afinidade do inseto para as cores azul e preto, um traço usado no projeto de redes para capturar e matar as moscas. Mas o mecanismo biológico para essa preferência tem sido pouco claro. A decodificação do genoma fornece algumas pistas, que revelou a presença de genes que estão associados com a capacidade dos olhos para absorver determinados comprimentos de onda da luz, incluindo um azul.

"Uma forma eficaz de controlar a doença no campo é controlar a população de moscas", diz  Serap Aksoy, também da Yale School of Public Health. Uma maneira de fazer isso é interferir na capacidade do inseto se reproduzir. A mosca tsé-tsé feminina é incomum entre as moscas que não põem ovos, mas nutre uma única larva em seu útero usando uma substância. Alguma das proteínas envolvidas na lactação já tinha sido identificada, mas os autores encontraram uma família de proteínas desconhecidas que estão envolvidos e eles suspeitam que totalizem a gordura e as partes líquidas do leite. Compreender como esses genes funcionam pode ajudar os cientistas a bloquear a produção de leite, assim, as larvas que crescem serão abortadas.

Tags: cientistas, insetos, POPULAÇÃO, revista, science

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