Jornal do Brasil

Domingo, 26 de Outubro de 2014

Ciência e Tecnologia

Vacinas e os caminhos para evitar novos surtos de doenças

Jornal do Brasil

A Organização Mundial da Saúde, no mês passado, certificou a Índia e o sudeste da Ásia como livres da poliomielite, um feito extraordinário, uma vez que a vacina contra a poliomielite foi declarada segura e eficaz há apenas 59 anos. É o que relata uma matéria da revista Science desta semana. As vacinas são uma das mais seguras e mais rentáveis intervenções médicas da história. Por imunizar bebês, crianças e adolescentes, as vacinas protegem toda a comunidade. No entanto está acontecendo uma onda de surtos das doenças que poderia ser evitadas com vacinas nos Estados Unidos. Que pesquisa é necessária para inverter esta tendência?

A revista diz que o ponto central do problema é demonstrar aos pais, que hoje estão céticos, que as vacinas salvam vidas. Os EUA tem mantido taxas de absorção impressionantes para as vacinas, em geral. Durante os anos de 2012 e 2013 doenças como sarampo, caxumba, rubéola, difteria, tétano, coqueluche, e varicela, tiveram 92% cobertura. Porém nos últimos 5 anos houve surto de todas essas doenças no EUA, e isso demonstrou que existem comunidades com baixa cobertura vacinal, não mantendo a imunidade dos habitantes locais. Segundo a revista, diversos fatores contribuem para a baixa cobertura, como vacina para sarampo sendo usadas no tratamento de autismo, advertências de colegas mal informados, intimidação de grupos antivacinas e etc.

Esta realidade frustrante ilustra que os fatos nem sempre falam por si. Se olharem para a Europa, verão como existem dezenas de casos de doenças evitáveis por vacina, que explodem como epidemia em todo um país. Na França em 2007 houve 40 casos de sarampo; em 2011, houve 15.000 casos, com seis mortes. Em 2011, os EUA experimentaram o maior número de casos de sarampo individuais, 222 casos, e 17 surtos, desde 1996 isso não acontecia. A fonte de quase todos os surtos foi alguém que não foi vacinado, muitas vezes residente nos EUA que viajou para o exterior ou alguém de estado vacinal desconhecido. 2013 viu o maior surto de sarampo entre mulheres solteiras, 58 pacientes, nos Estados Unidos em quase 20 anos.

A matéria relata ainda que em um relatório recente, foi concluído que a comunicação atual da saúde pública sobre as vacinas, pode aumentar ou reduzir equívocos nas vacinações, e que tentativas de aumentar as preocupações sobre doenças transmissíveis ou corrigir afirmações falsas sobre vacinas, podem ser contraproducentes.

Estratégia para combater mensagens antivacinas não pode ser desenvolvida por adivinhações educadas. Abordagens baseadas em evidências que facilitam a vacinação são necessárias se quiserem evitar doenças que podem ser facilmente evitadas e cumprir o potencial de pesquisa da vacina moderna.

Tags: doenças, revista, science, vacinas, vírus

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