Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Setembro de 2014

Ciência e Tecnologia

Espanha perde 1.200 bolsas de estudo do Brasil para o trabalho administrativo

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Um comunicado da Embaixada do Brasil em Madrid, Espanha, alertou para um possível colapso no programa Ciências sem Fronteiras (CSF) no país. Implantado em 2012 com cerca de 1.678 estudantes na Espanha, o programa aprovou esse ano apenas 404 candidatos. O motivo da baixa seria um teste aplicado pelo Instituto Cervantes aos estudantes em uma data fixa, não levando em conta que muitos deles não conseguiriam viajar fazer as provas.  

El País destaca essa semana a polêmica acerca de um teste do programa Ciências Sem Fronteiras
El País destaca essa semana a polêmica acerca de um teste do programa Ciências Sem Fronteiras

"Houve um pequeno cataclismo que no próximo ano irá corrigir. Alguém deve ter pensado que o Brasil era do tamanho de uma comunidade autônoma espanhola e não a Europa", disse ao jornal espanhol El País o reitor de Santiago de Compostela, Juan Casares Long, que preside a comissão de mobilidade da Conferência de Reitores (CRUE). Em outro texto da entrevista ao jornal, Long acrescenta que - "Não foi levado em conta que os alunos nem sempre têm disponibilidade para viajar, o padrão de vida é diferente".

Segundo a reportagem do El País, o Brasil é o país com o maior número de escritórios da Cervantes no mundo, no total oito, sendo a primeira inaugurada em São Paulo, no ano de 98. Destaca que no primeiro ano não houve o exame, ao contrário da França, Alemanha e Estados unidos, mas a experiência foi um "fiasco", porque o Português e o Espanhol não são tão semelhantes quanto aparenta. 

O jornal informa que os beneficiados pelo programa são estudantes de graduação, que ficam alguns meses no país, e para tese de doutorado, em três anos, além de médicos para estadias de até dois anos ou tecnólogos, durante três meses. Contrapartida, jovens talentos e professores visitantes da Espanha podem ser acomodados no Brasil por alguns meses. Alguns alunos brasileiros demonstraram dificuldades de adaptação, em função do baixo nível de proficiência em espanhol, de acordo com os dados da Embaixada do Brasil. Esse foi o maior motivo para a aplicação do teste. Para Long, o Cervantes tem que ajustar o seu esquema, porque as habilidades podem ser demonstrado de outras formas pelos candidatos. 

O reitor disse ao jornal espanhol que existem 800 estudantes e pesquisadores brasileiros finalistas para o curso 2014-2015 que reconhece "um pequeno desastre. Em um esforço para conquistar os brasileiros, em meados de março, o ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, José Manuel García-Margallo, ofereceu seu homólogo, Luiz Alberto Figueiredo. "O declínio este ano é um revés para a estratégia de internacionalização do sistema universitário espanhol, mas também econômico. De acordo com cálculos por país, esses brasileiros têm arranjado pelo menos 10 milhões de euros para gastar na Espanha", considera o texto do El País.

O financiamento das bolsas de estudo é público e privado. "O desafio é criar condições para aumentar ainda mais o investimento privado em investigação, inovação e desenvolvimento", disse há um ano Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), durante um encontro organizado pelo El Pais.

Em quatro anos, o Brasil concedeu 101 mil bolsas, o que representa que a concorrência com outros países para atrair os estudiosos tem sido crescente. Os países que recebem estudantes, dos 28 com os quais o Brasil possui um acordo são os Estados Unidos, França, Canadá e Portugal, que suspendeu o programa no ano passado.

Tags: cervantes, ciências, Espanha, estudantes, fronteiras, programa

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