Jornal do Brasil

Segunda-feira, 28 de Julho de 2014

Ciência e Tecnologia

Coração artificial portátil e coração de atleta são temas de debate, no Rio

Agência Brasil

O coração artificial portátil, carregado em uma pequena bolsa ou pochete, é uma tecnologia nova que está chegando ao Brasil. Mas, embora salve vidas, a inovação tem um preço ainda muito caro para os padrões nacionais de renda, porque oscila entre R$ 200 mil e R$ 300 mil. O aparelho é indicado tanto para pessoas que aguardam o transplante de coração, como para as que têm doenças cardíacas avançadas e não podem fazer o transplante.

Denominado Suporte Avançado de Assistência ao Ventrículo Esquerdo (Lvad, na sigla em inglês), o equipamento é usado em doentes com insuficiência cardíaca avançada, que não responderam à medicação  plena, continuam tendo muitas internações, dependem de remédios venosos e são candidatos ao transplante cardíaco. A informação foi passada hoje (8) à Agência Brasil pelo presidente do 31º Congresso de Cardiologia, Denílson Albuquerque. O encontro começa nesta quarta-feira (9) e vai até sábado (12), promovido pela Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj).

“Se o doente tem condição de receber um coração transplantado, ele é colocado antes em um sistema de assistência ventricular assistida, que é essa máquina conectada ao ventrículo esquerdo. É feito um procedimento cirúrgico em que é implantado o sistema, que vai bombear o sangue do coração ineficiente diretamente para os vasos, através de um tubo. Esse é o paciente que vai fazer uma ponte para o transplante. Ele usa esse equipamento enquanto aguarda o transplante”, informou o especialista.

Se o paciente não tem condições de fazer o transplante porque apresenta outro problema associado, como problema nos rins ou no pulmão, ele também recebe esse equipamento de assistência ventricular, implantado por meio de cirurgia e conectado a uma bateria. “Esse paciente fica com aquele circuito no corpo o resto da vida, porque ele não pode receber um transplante. A esse sistema dá-se o nome de coração artificial móvel”, explicou Albuquerque.

O equipamento dá um reforço à musculatura do coração, para que ele mantenha o paciente em bom estado. Mas, ao contrário do paciente que está se preparando para um transplante e que permanece internado, o paciente assistido pode sair à rua com o aparelho, desenvolver suas atividades e conviver socialmente.

O sistema não é muito difundido ainda no Brasil, devido ao seu custo elevado. “É muito dispendioso”. Denílson Albuquerque ressaltou que há alguns inconvenientes. A bateria, por exemplo, dura seis horas, e precisa ser recarregada. “Existem ainda limitações”, disse o especialista, e acrescentou que “já é alguma coisa. Já salvou algumas vidas nos Estados Unidos, e aqui também, devido a esse equipamento. É uma perspectiva muito interessante, mas ainda demanda tempo para ser implementado à larga mano (com mais frequência) aqui no Brasil”.

Americanos e europeus estão na linha de frente desse sistema, disse. A inovação é um dos temas que serão debatidos no 31º Congresso de Cardiologia, juntamente com o chamado coração de atleta, que é uma adaptação do coração ao esforço repetido. A questão ganha realce no momento, devido à proximidade da Copa do Mundo de Futebol, que ocorrerá no Brasil, no período de 12 de junho a 13 de julho.

Falando hoje (8) à Agência Brasil, a diretora científica da Socerj, Andrea London, explicou que da mesma forma que se treina um músculo e ele hipertrofia, isso pode ocorrer em relação ao coração, quando ele é muito exigido. “Mas é uma alteração, a princípio, de caráter benigno, porque quando a gente para o treinamento, isso regride. Seria uma adaptação do coração ao treinamento regular”.

O que ocorre, disse a médica, é que essas modificações, que são decorrentes do treinamento crônico, que são adaptações anatômicas e fisiológicas, podem imitar uma série de doenças. Por isso, destacou a necessidade de o cardiologista fazer uma avaliação clínica precisa do atleta com hipertrofia ou adaptações, de modo a descartar o que não seja realmente uma doença e que constitua apenas uma modificação do treinamento. “Como isso imita várias doenças, a gente precisa descartar algumas circunstâncias que coloquem a pessoa em risco, para que ela possa prosseguir seu treinamento com segurança”.

Segundo Andrea London, os médicos devem estar atentos a sintomas, como cansaço e fadiga, narrados pelos atletas. De acordo com a Socerj, o excesso de treinamento pode provocar disfunções cardíacas, como arritmias, dilatação e hipertrofia cardíaca em pacientes predisponentes.

Andrea disse que dependendo da avaliação prévia que os atletas fazem, é possível identificar boa parte das doenças que permitem liberar, ou não, o atleta para uma atividade competitiva. O histórico do paciente, somado a um exame clínico e ao eletrocardiograma, já consegue descartar o atleta do risco de morte súbita quando ele está fazendo o seu esporte. Dependendo do que o médico suspeita, será preciso fazer um ecocardiograma ou, em determinadas circunstâncias, um teste de esforço. “Vai depender do que a gente suspeita”, frisou.

O cardiologista da seleção brasileira de futebol, Serafim Borges, que já acompanhou três Copas do Mundo, participará de mesa redonda sobre o coração de atleta, durante o Congresso de Cardiologia.

 

Tags: avanço, cardiologia, RJ, Sistema, suporte

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