Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Ciência e Tecnologia

Médicos alertam sobre fatores de risco da doença cardiovascular na mulher

Agência Brasil

A Sociedade de Cardiologia do Estado Rio de Janeiro (Socerj) promove amanhã (11), em parceria com o Instituto Nacional de Cardiologia (INC), uma campanha de prevenção da saúde cardiovascular da mulher. O evento ocorrerá no Largo do Machado, na zona sul da cidade, a partir das  8 h, e se integra à programação do  Dia Internacional da Mulher, comemorado no último sábado (8).

Segundo a cardiologista Ana Patricia Nunes de Oliveira, do Departamento  de Cardiologia da Mulher da Socerj, o objetivo do evento é esclarecer a população sobre os fatores de risco da doença cardiovascular. Ana Patricia disse que, além  das causas genéticas, que não podem ser  modificadas, existem fatores de risco em que, se houver uma intervenção, pode-se reduzir a incidência de casos de doença cardiovascular. Entre eles, citou a hipertensão,  diabetes, sobrepeso, obesidade e hábitos como tabagismo e  alcoolismo.

“Se a gente consegue controlar esses fatores  em pessoas que são de risco, a gente consegue ter um controle mais efetivo. Isso a gente observa nos países mais desenvolvidos”, disse a médica. Ela acrescentou que a doença cardiovascular responde por até 30% da mortalidade nesses países, com a mesma proporção  em mulheres em decorrência  das mudanças de hábitos de vida e  da inserção cada vez maior no ambiente de trabalho.

Ana reiterou que onde ocorre um controle mais rigoroso dos fatores de risco, os novos casos da doença são amenizados. Segundo ela, no Brasil, a assistência primária à saúde é muito precária. Por isso, alertou que não se deve apenas tomar o remédio contra a hipertensão. “Precisa tomar  o remédio de hipertensão e ter a pressão bem controlada, nos níveis  ditos normais de 12 por 8. É preciso ter o controle adequado da glicemia, dos níveis de colesterol;  orientação nutricional, orientação da perda e manutenção da perda de peso. São fatores muito básicos, de atenção primária à saúde, mas que precisam ficar  muito bem esclarecidos, porque é a manutenção dos valores no longo prazo que vão começar a ter  impacto na redução das doenças cardiovasculares”.

Além  de mais barata e eficaz, a  prevenção é ainda mais importante  entre as mulheres, nas quais a incidência dessas doenças é mais precoce, advertiu a cardiologista, “devido à epidemia de obesidade, por uso de métodos contraceptivos, por toda essa atmosfera propícia em que a mulher está se envolvendo”.

Números da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que os problemas cardíacos  respondem por  8,5 bilhões das mortes entre mulheres de todo o mundo. Um estudo da  Universidade Federal de Santa Catarina de 2011, citado pela Socerj, indicou que  as doenças cardiovasculares representam 36,9% das mortes em mulheres, contra  28,8% em homens. Outra pesquisa  recente da American Heart Association mostra que 60% das mulheres desconhecem as doenças cardiovasculares.

Ana Patricia explicou que  as doenças cardiovasculares causam mais mortes nas mulheres do que nos homens por uma questão anatômica. “As coronárias nas mulheres são mais finas. Elas são mais propensas a sofrerem  alterações. Ou seja, você  vai ter uma menor proteção no leito coronariano da mulher”. Ela esclareceu que, até os 50 anos, a mulher tem uma proteção natural do estrógeno. Quando as mulheres entram  no período de menopausa, começam a aparecer casos de doença cardiovascular. A médica observou, porém, que, mesmo em mulheres mais jovens, isso pode ocorrer. “É o ambiente hormonal que protege a mulher e ela deixa de ter essa proteção fisiológica”.

Fatores típicos da vida moderna, como estresse, sobrepeso, fumo e ansiedade contribuem para o aumento de casos de doença cardiovascular nas mulheres. O acúmulo de tarefas pelas pessoas do sexo feminino, dentro e fora de casa, faz com que as mulheres tenham uma resistência orgânica menor que os homens, embora elas tenham uma resistência física e psíquica maior. "Mas do ponto de vista anatômico, elas terminam sendo mais vulneráveis”. Há, ainda, a influência da gestação que pode resultar em doenças hipertensivas que aumentam a probabilidade de a mulher vir a se tornar hipertensa no futuro, “que está muito relacionada com o sobrepeso”, disse Ana Patricia.

A Socerj estima que 250 mulheres participarão  da campanha amanhã (11), que oferecerá exames gratuitos durante toda a manhã, no Largo do Machado. Serão medidos peso, altura e circunferência abdominal das mulheres que comparecerem ao local, que terão verificadas também a pressão arterial, antes de serem submetidas à dosagem rápida de colesterol, triglicerídeos e glicose. Em seguida, elas  passarão por orientação de  médicos da Socerj e do INC. Além disso,  o evento terá uma estrutura da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Rio de Janeiro  (OAB-RJ) que oferecerá informação sobre os direitos  jurídicos da mulher.

Tags: cardiologia, estado, prevenção, Rio, Sociedade

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