Jornal do Brasil

Quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Ciência e Tecnologia

Após 11 fertilizações, obstetra consegue engravidar

Vânia Vendramini passou ainda por três inseminações e cinco gestações frustradas

Portal Terra

A atriz Vanessa Gerbelli tem chamado a atenção do público com sua personagem Juliana, uma mulher que teve três gestações frustradas e faz de tudo para realizar o sonho de ser mãe. Nos próximos capítulos da trama de Manoel Carlos, Em Família, ela cogita sair do país para garantir que a pequena Bia, filha de sua ex-empregada doméstica, continue sob seus cuidados. 

Assim como o drama exposto na TV, o sonho de ser mãe e a busca por isso motiva a vida de dezenas de mulheres, que têm finais mais ou menos felizes. A ginecologista Vânia Vendramini se inclui na segunda opção, já que hoje ela é mãe da pequena Bia, de três anos. Antes disso, foram sete anos de tentativas, 11 fertilizações in vitro, três inseminações artificias, cinco gestações interrompidas e passagens compradas para tentar uma barriga de aluguel na Índia. “Aquele sonho de chegar em casa com um sapatinho de crochê não existe mais, agora você chega com exames, tem tudo planejado”, contou durante um programa exclusivo sobre o tema nos estúdios do Terra, nesta quarta-feira (26).

Ser mãe não fazia parte dos planos da vida de Vânia, mas a partir do momento em que descobriu que poderia ser mais difícil do que imaginava, as diversas tentativas, as consultas médicas e, principalmente, os resultados de exames se tornaram uma rotina complicada. “Esta situação não é qualquer coisa, é uma ferida muito grande, e que infelizmente não é reconhecida. Se você fala que tem câncer, todo mundo te olha diferente, mas quando fala que não pode ter filho, as pessoas não têm muita noção disso”, comentou a psicóloga especialista em reprodução assistida do Instituto Idéia Fertil, Juliana dos Santos.

Mesmo se Vania quisesse parar um pouco de pensar em gravidez e voltar suas energias para outros planos por um tempo, sua profissão não deixaria, já que como ginecologista e obstetra lida diariamente com mulheres grávidas. No entanto, ao contrário do que muita gente pensa, a situação não se tornou uma espérice de tortuna, mas sim uma tábua de salvação. “Ser obstetra foi o que me manteve no prumo. Acompanhar uma gravidez não tem preço, é um presente que a paciente dá pra gente. A única coisa que me deixava muito chateada era receber pacientes que engravidavam pela 10ª vez e faziam o 10º aborto, isso me incomodava demais”, disse.

Barriga de aluguel

A experiência médica ajudou também na hora de tomar importantes decisões. Depois das dezenas de tentativas e com 38 anos, ela analisou o motivo pelo qual suas cinco gestações não tinham dado certo e concluiu que poderia ser um problema no útero. Solução: recorrer a uma barriga de aluguel. Como no Brasil só é permitido com parentes de até segundo grau e exige muita burocracia, estudou as possibilidades de ir aos Estados Unidos, China ou Índia, locais onde a prática é legal.

“Na índia, a mulher grávida recebe todos os cuidados, então entrei em contato com a clínica, organizei passagem, estava pronta para ir. A ideia era conhecer o local, fazer exames, a inseminação, voltar outra vez e, por fim, ir para o parto e buscar a encomenda”, lembrou.

No meio disto tudo, conheceu um médico que apresentava novas possibilidades e tentou mais uma vez até engravidar da filha Luiza. Mas, nem tudo foram flores após a notícia da gravidez estar indo bem: foram graves sangramentos, cirurgia de urgência no colo do útero, repouso forçado e diabetes. “Foi uma gravidez super tensa. Até encontrar com a Luiza, não tinha certeza que daria certo”, disse.

Tags: CIÊNCIA, gravidez, SAÚDE, técnicas, tentativas

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