Jornal do Brasil

Quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Ciência e Tecnologia

Vacinas podem suportar temperaturas africanas sem sofrer danos

Jornal do Brasil

Uma campanha de vacinação na África Ocidental mostrou que as vacinas podem ser entregues em áreas remotas sem o uso de caixas de gelo, e continuam a ser viáveis. A descoberta desafia um dogma de décadas de que as vacinas devem ser mantidas em todas as etapas da cadeia de produção, relata uma matéria da revista Nature.

Julien Potet, assessor dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), em Paris, diz que as conclusões apresentadas é "um precedente muito positivo". Ele conta sobre uma campanha do MSF no Chade em 2010 que vacinou meio milhão de pessoas contra o sarampo, e foram necessários 22.000 blocos de gelo em apenas 11 dias. "Se você eliminar a necessidade de bolas de gelo das operadoras de vacina, nos ajudará a chegar a mais crianças, e com mais facilidade", diz ele.

A revista informa que numa campanha contra a Meningite, realizada em Benin, em dezembro de 2012 por ministérios e pesquisadores da Organização Mundial de Saúde (OMS) e o PATH, um órgão sem fins lucrativos com sede em Seattle, testou a entrega de uma vacina contra a meningite meningocócica mortal 1, que foi armazenada a uma temperaturas de até 40°C durante quatro dias. Os resultados publicados hoje na Vaccine1, marcou um sucesso inequívoco, com apenas 9 dos mais de 15.000 frascos precisam ser descartados, nenhum deles por danos causados ??pelo calor.

Como os produtos biológicos, quase todas as vacinas são sensíveis a danos causados ??por aquecimento excessivo ou congelamento. As autoridades reguladoras nacionais e a OMS, licenciam exclusivamente para uso sob condições onde são armazenadas e distribuídas entre 2° C e 8° C, a chamada cadeia de frio.

Mas muitas vacinas são realmente termoestáveis fora desse intervalo, algumas mais recentes podem muitas vezes permanecer viáveis ??por dias, semanas ou até meses após a exposição a temperaturas mais altas. Isso fez com que o interesse em uma "cadeia de temperatura controlada" (CTC), permitindo que as vacinas sejam armazenadas por períodos curtos a temperaturas mais elevadas para a 'última milha' de distribuição, algo que seria especialmente útil em países em desenvolvimento, que são quentes, onde a eletricidade e refrigeração estão em falta.

Tags: áfrica, gelo, nature, quente, vacinas

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