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Domingo, 22 de Abril de 2018 Fundado em 1891

Ciência e Tecnologia

Fundo Malala inicia seus trabalhos no Paquistão

Organização firmou acordo com Unesco para melhorar acesso de educação para meninas

Jornal do Brasil Vinícius Boppré

Parece mesmo que, depois de tantas reviravoltas, a luta da garota paquistanesa Malala Yousafzai está só no começo. Depois da criação do Fundo Malala – organização que luta pela educação e inclusão das mulheres –, em dezembro de 2012, chegou a hora de colcoar a mão na massa. A diretora geral da Unesco e o ministro da educação do Paquistão assinaram um acordo para ampliar o acesso e melhorar a qualidade de aprendizagem para as meninas de áreas remotas do país.

O acordo, de US$7 milhões, foi anunciado no começo do mês e deve se concentrar no apoio de projetos para educação formal e informal, desde a formação dos professores até a sensibilização das comunidades para apoiar a educação das meninas. “A educação das meninas é uma das forças mais poderosas para a dignidade humana. É uma questão de diretos humanos e uma estratégia inovadora para o desenvolvimento humano e da paz. Não há melhor investimento a longo prazo do que promover a inclusão social e o crescimento econômico”, disse o diretora geral Irina Bokova.

Criado em 2012, Fundo Malala firmou acordo de US$ 7 milhões com a Unesco para melhorar o acesso de educação para meninas

Segundo a Unesco, a decisão marca o lançamento de uma fase operacional como parte da parceria firmada em dezembro 2012, quando a organização e o governo do país anunciaram a criação do Fundo Malala. “O Paquistão tem 3,8 milhões de meninas fora da escola, enquanto aquelas que estudam são mais propensas a abandonar do que os rapazes. Hoje, a disparidade de gênero entre meninos e meninas no acesso à educação primária é de 10%. Com o programa do Fundo temos a intenção de reduzir a distância para 5% em 3 anos”, afirmou o ministro Balighur Rehman.

Durante o Fórum Nacional sobre o Direito à Educação das Meninas – evento em que o compromisso foi anunciado –, Rehman também destacou as medidas tomadas pelo governo para acelerar o progresso do programa. Entre elas estão a adoção de educação gratuita e obrigatória todas as crianças de 5 a 16 anos, o aumento com os gastos de educação de 2% para 4% do PIB, além do desenvolvimento de um plano nacional de ação para definir iniciativas específicas.

“A educação no mundo de hoje não é uma escolha, mas um direito fundamental de toda criança. O governo é responsável moralmente, eticamente e constitucionalmente para proporcionar educação para todas as crianças, independentemente de credo ou sexo”, completou o ministro.

Durante o fórum, que também contou com a participação da ONU, grupos da sociedade civil, especialistas e doadores, a ênfase foi dada para a mudança de atitudes, formação de professores e segurança nas escolas, principalmente nas áreas rurais. “O compromisso das famílias e líderes locais , incluindo líderes religiosos , é essencial para convencer a todos de que a educação é o melhor investimento para o futuro”, disse Bokova.

Porvir


Tags: Unesco, educação, inclusão de mulheres, malala yousafzai, meninas, paquistanesas

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