Jornal do Brasil

Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Ciência e Tecnologia

U.E adia decisão sobre Suíça seassociar a programas científicos

Jornal do Brasil

Cientistas suíços podem ser os primeiros a sentir os efeitos de um referendo em que os suíços concordaram em limitar a entrada de imigrantes em seu país. Como consequência indireta da votação, realizada em 9 de fevereiro, a União Europeia adiou as negociações para incluir a Suíça como um país associado ao programa Horizonte 2020, o programa de investigação e inovação do bloco, e para o programa de ensino superior Erasmus +, que ambos serão executados a partir de 2014 até 2020, relata uma matéria da revista Science desta semana.

A Suíça tem sofrido investigação da União Europeia desde 2004, o que significa que os pesquisadores suíços são elegíveis para financiamento, assim como cientistas de um Estado membro. Ambos os lados se que o acordo em breve iria ser renovado e se aplica retrospectivamente desde o início do Horizonte 2020 em 1 º de janeiro.

Mas o referendo de imigração ficou no caminho de forma indireta. A União Europeia espera a Suíça para incluir a Croácia, que entrou no sindicato no ano passado, no seu acordo sobre a livre circulação de pessoas. Mas após a votação, Suíça e Croácia informaram que não seriam capazes de assinar o acordo na sua forma atual.

A matéria diz que a Comissão Europeia tinha avisado que o não cumprimento do acordo croata colocaria em risco os acordos de associações da Suíça para o Horizonte 2020 e Erasmus +. "A rodada de negociações seria na quarta-feira (12 de fevereiro), mas foi adiada", disse um funcionário da Comissão diz ScienceInsider em um e-mail, acrescentando que a comissão está à espera de mais "clareza" da Suíça, e que o tempo esta acabando. "A janela de oportunidade para se chegar a um acordo com as associações é pequena e o fechamento rápido (estamos falando de dias, não semanas)", diz o oficial. "Mesmo que tenhamos um acordo amanhã ainda precisaríamos saltar através de uma série de aros processuais antes que pudesse entrar provisoriamente em vigor."

Embora o status da Suíça permaneça incerto, a Secretaria de Estado suíço para a Educação, Pesquisa e Inovação, pediu aos cientistas para "continuam a responder e participar ativamente de concursos abertos para o Horizonte 2020." Em nota publicada hoje, a secretaria diz que está “trabalhando com a UE sobre uma solução “que poderia permitir aos cientistas suíços a participar no programa de qualquer maneira, até Setembro de 2014, quando os primeiros contratos Horizonte 2020 estão a ser assinado”“.

Sob um cenário de um país terceiro, as instituições suíças não seriam capazes de sediar os beneficiados do prestigiado European Research Council (ERC). Dominique Arlettaz, vice-presidente da Conferência das Universidades suíças', disse que esta seria uma grande perda para a ciência do país. “Seria como se nossos esquiadores dissessem: 'Você esquia muito bem, mas você não será capaz de ir para os Jogos Olímpicos de Inverno, para competir contra os esquiadores de todo o mundo", Drisse Arlettaz.

A matéria relata ainda que os atrasos não afetam os cientistas que recebem dinheiro do antecessor do Horizonte 2020, o Sétimo Programa-Quadro (FP7): Esses projetos serão financiados até que termine. O Projeto Um cérebro humano, projeto gigante de 10 anos em que os cientistas suíços desempenharam um importante papel, também será financiado até a primavera de 2016 do orçamento do FP7, disse a secretaria.

Para se tornar associado com o FP7, a Suíça pagou cerca de € 1600.000.000 para a UE, de acordo com a comissão. Na última contagem, em novembro de 2013, os pesquisadores suíços participaram de cerca de 3000 projetos no âmbito do 7, recebendo € 1,8 bilhão da União Europeia. Estes valores incluem cerca de € 500.000.000 indo para mais de 300 bolseiros do ERC.

Tags: Europa, projetos, revista, science, SUÍÇA

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