Jornal do Brasil

Domingo, 23 de Novembro de 2014

Ciência e Tecnologia

Endometriose: uma doença silenciosa

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Mulheres com sintomas como cólicas menstruais intensas, menstruação irregular, inchaço e dor abdominal devem ficar atentas. Com diagnóstico difícil, a endometriose afeta mais de seis milhões de mulheres no Brasil. Especialista alerta que a demora no tratamento da doença pode levar à infertilidade.

A endometriose é uma doença incapacitante relacionada à dor pélvica crônica e causa dificuldade para engravidar. Segundo a Sociedade Brasileira de Endometriose, mais seis milhões de mulheres na faixa de 20 a 40 anos são afetadas pela endometriose apenas no Brasil. Os sintomas da doença são cólicas menstruais intensas, menstruação irregular, dor profunda e desconfortável na relação sexual, inchaço e dor abdominal. Quando a doença não é diagnosticada e tratada precocemente, pode levar a infertilidade. 

“Em alguns casos a paciente não manifesta nenhuma dor, apresentando apenas dificuldades para engravidar. E são exatamente esses os casos preocupantes. Como não aparecem sintomas, a mulher não se preocupa em realizar exames”, explica o médico João Sabino Cunha Filho, especialista em reprodução humana.

“Uma mulher sadia de 30 anos tem 25% de chance de engravidar por mês. Já uma mulher com endometriose terá apenas 2 a 4% de possibilidade de gestação no mesmo período”, explica Sabino. A doença ocorre quando partes do endométrio - tecido que reveste internamente a cavidade uterina e é parcialmente eliminado pela menstruação - fixam-se em órgãos como ovários, ligamentos pélvicos, intestino, bexiga, apêndice e, em casos extremos, o pulmão. As causas, segundo o especialista, são variadas. “Possíveis fatores de risco são: começar a menstruar muito cedo, nunca ter tido filhos, ciclos menstruais frequentes, menstruações que duram sete dias ou mais e a hereditariedade, pois a mulher cuja mãe ou irmã tem endometriose apresenta seis vezes mais probabilidade de desenvolver a doença do que as mulheres em geral”, alerta Sabino.

Sabino, que é professor Faculdade de Medicina da UFRGS, realizou uma pesquisa inédita sobre a doença, que abre perspectivas no tratamento de mulheres com endometriose. O estudo identificou uma mutação do gene do Hormônio Luteinizante (LH), relacionado à endometriose e fundamental para a ovulação e manutenção da gravidez. Mulheres com anormalidade na liberação do LH poderão ter dificuldade para ovular ou até mesmo para manter a gestação. Sabino destaca que a pesquisa é pioneira em ligar essa importante doença com anormalidades genéticas que podem relacionar a infertilidade a alguma alteração hormonal.

Sabino ressalta que o diagnóstico precoce ainda é a melhor maneira de evitar a infertilidade. Pois, será possível realizar um acompanhamento e um tratamento. “Os dados observados são suficientes para que se perceba a dimensão e importância do diagnóstico da doença. A clínica de inseminação Insemine realiza o diagnóstico por laparoscopia, um exame ambulatorial com uso de anestesia geral que não exige internação hospitalar. Através de uma pequena incisão – cerca de 1 cm, no umbigo, e com ajuda de câmeras, visualizamos o interior da cavidade abdominal e pélvica”, completa.

 

 

Tags: CIÊNCIA, medicina, mulheres, SAÚDE, tratamento

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