Jornal do Brasil

Domingo, 20 de Abril de 2014

Ciência e Tecnologia

Clima da terra pode aquecer mais do que o esperado

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O clima da Terra pode aquecer mais do que o esperado por conta da duplicação do dióxido de carbono atmosférico. Um novo estudo com uma ampla gama de modelos climáticos indica essa possibilidade. Os cientistas dizem que as simulações que mostram apenas uma quantidade moderada de aquecimento não retratam com precisão a quantidade de formação de nuvens na baixa atmosfera, resfriando assim o clima mais do que os dados do mundo real sugerem que venham a ocorrer. Se for verdade, o aquecimento do planeta cairá em direção à parte alta da gama oferecida em cada avaliação do clima de especialista nas últimas 3 décadas, afirma uma matéria da revista Science desta semana.

O dióxido de carbono é o chamado gás de efeito estufa: o mesmo existe na atmosfera, quanto mais calor ele fica preso lá, aumentando assim a temperatura média global. Os cientistas têm debatido por muito tempo como o clima da Terra é sensível a este gás, e procuram vestígios do aquecimento no planeta.

A matéria diz também que as pesquisas atuais e uma série de observações sugerem que a Terra vai aquecer em algum lugar entre 1,5 ° e 4,5°C, quando os níveis de dióxido de carbono são duas vezes a concentração pré-industrial de cerca de 280 partes por milhão e no sistema climático, diz Steven Sherwood, um cientista atmosférico da Universidade de New South Wales, em Sydney, na Austrália. Em uma tentativa de reduzir o intervalo de sensibilidade climática, Sherwood e seus colegas analisaram os resultados de 43 modelos climáticos diferentes. Especificamente, eles analisaram como as simulações representadas misturando os mais baixos, a poucos quilômetros da atmosfera, onde se forma muitas nuvens, como o clima fica mais quente. Em seguida, eles compararam os resultados do modelo com os dados recolhidos a nível mundial.

A equipe descobriu que no conjunto dos modelos climáticos globais com baixa sensibilidade climática, 15 daqueles em que a temperatura média global aumentou menos de 3°C para cada duplicação da produção em CO2 demasiadas nuvens de baixa altitude. "Estes modelos (de baixa sensibilidade) estão fazendo tudo errado", diz Sherwood. No todo, ele e seus colegas dizem que, o aumento da convecção na porção mais baixa da atmosfera tende a secar o ar lá, fazendo com que a formação de nuvens seja menos provável. Isso por sua vez sugere que os modelos de baixa sensibilidade não devem ser confiáveis, e que a terra provavelmente vai aquecer mais do que 3°C para cada duplicação do CO2, relatam os pesquisadores na edição de hoje da Nature.

Os resultados coletados pela equipe sugerem que cerca da metade da variação na sensibilidade climática é explicada por diferenças na forma como os modelos retratam a mistura na baixa atmosfera, os cientistas Hideo Shiogama e Tomoo Ogura, do Instituto Nacional de Estudos Ambientais em Tsukuba, Japão, comentaram na mesma edição da revista Nature. O restante da variação ainda não pode ser explicado, segundo eles, mas fatores importantes podem incluir a forma como os modelos simulam mudanças gerais nas quantidades de gelo do mar ou de alto nível nas nuvens.

Como a análise da equipe dos modelos climáticos incide sobre os processos incorporados a essas simulações, "é muito credível", diz Gavin Schmidt, climatologista do Instituto Goddard da NASA para Estudos Espaciais, em Nova York, que também não estava envolvido no novo trabalho. No entanto, ele observa que estudos anteriores indicaram que a sensibilidade climática abaixo de 3°C não pode ser descartada. Portanto, a nova análise simplesmente traz baixos valores de sensibilidade climática e são menos prováveis, mas não completamente fora de questão.

"Este novo estudo é apenas uma informação, mas eu acredito que empurra a sensibilidade climática provavelmente mais perto de onde ele sempre foi, até cerca de 3°C", acrescenta Schmidt. "É sempre difícil prever o futuro, estamos sempre limitados por aquilo que não sabemos.", finaliza a matéria da revista Science.

Tags: AMBIENTE, clima, estudo, Terra, Trabalho

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