Jornal do Brasil

Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017

Ciência e Tecnologia

Campanha na Central do Brasil traz esclarecimentos sobre endometriose

Jornal do Brasil

Será realizada dia 25 de novembro, na área externa em frente à Estação Central do Brasil, em parceria com a SuperVia, uma das ações da Campanha de Esclarecimentos sobre a Endometriose 2013, uma doença silenciosa que vem causando devastação no organismo feminino e está virando caso de saúde pública no Brasil, com acentuado crescimento, principalmente entre as mulheres mais jovens. Como ainda é pouco diagnosticada precocemente, a endometriose destrói vários órgãos das pacientes, até ser descoberta. 

Segundo o ginecologista Claudio Crispi, presidente da Sociedade Brasileira de Videocirurgia e Coordenador da Campanha, pelo grau de destruição da doença, os países mais avançados da Europa e os Estados Unidos já mantém campanhas permanentes de esclarecimento e reciclagem para médicos, para possibilitar um diagnóstico precoce e deter o avanço da doença. No Brasil, por falta de informação e conhecimento, a doença tem sido detectada cerca de 10 anos depois de seu aparecimento, o que pode mutilar a mulher. Uma das principais conseqüências da endometriose é a infertilidade. Cerca de 50% dos casos de infertilidade nas mulheres do mundo inteiro são causados pela doença, que atinge 15% da população feminina entre 15 e 45 anos. Os principais sintomas da endometriose são cólica menstrual intensa, sangramentos na urina ou nas fezes e dor forte durante o ato sexual. 

Para informar a população sobre o perigo da endometriose e a necessidade do diagnóstico precoce, explica o Dr. Crispi, o Instituto Movendo, entidade sem fins lucrativos de pesquisa e divulgação da doença, realiza a Campanha de Esclarecimentos sobre a Endiometriose 2013, que será realizada até 15 de dezembro, englobando divulgação na mídia por especialistas, bus doors, evento dia 25 de novembro, na área externa da Estação Central do Brasil, das 9:00h às 15:00h, com distribuição de folders e equipes de saúde orientando a população e o Congresso Endometriose in Rio, no dia 7 de dezembro, no Hotel Everest Rio, em Ipanema, dirigido aos profissionais de saúde. Os eventos são uma parceria do Instituto Movendo com a Supervia e a FAETEC.

ENDOMETRIOSE 

O Dr. Claudio Crispi explica também que a endometriose é uma doença conhecida há muitos anos, mas a grande dificuldade sempre foi obter o seu diagnóstico correto. O uso de métodos diagnósticos como a ultra-sonografia, ressonância nuclear magnética e exames de sangue, não conseguem definir com certeza a presença desta doença. 

No entanto, com a maior aplicação das cirurgias vídeo-laparoscópicas, foi possível olhar a cavidade abdominal através de pequenos orifícios, com pequeno trauma para a paciente, o que motivou algumas mulheres com dor de longa data, a submeter-se a estes procedimentos. Observou-se então, que uma grande porcentagem de pacientes que sofrem de dor pélvica (em baixo ventre) que se intensificam progressivamente, como cólicas menstruais intensas, dor em cólica fora do período menstrual, dor profunda na relação sexual e esterilidade, são portadoras da endometriose. Para exemplificar, nas pacientes com queixas de dor pélvica, alguns estudos científicos já observam a presença da doença em 60 a 70% dos casos. 

Mas o que vem a ser esta doença? 

O endométrio é um tecido que reveste internamente o útero e quando estimulado pelos hormônios femininos, cresce mensalmente, preparando o útero para uma gravidez. Quando esta não ocorre é eliminado como menstruação. Por alguns motivos, como o refluxo da menstruação pelas trompas, diferenciação de tecidos embrionários adormecidos e propagação pela corrente sanguínea, este endométrio pode se localizar em outros órgãos como as trompas, ovário, peritônio (membrana que reveste o abdome internamente), bexiga, intestinos, no fundo da vagina, etc. Estes locais, são também estimulados pelos hormônios femininos, sofrendo pequenos sangramentos e causando intensa reação inflamatória local, o que explica a dor de grande intensidade experimentada por essas mulheres. Quando não diagnosticada, a doença progride, intensificando a reação inflamatória e a dor. E pode invadir a bexiga causando sintomas urinários como, cistites e sangue na urina, podendo ainda invadir o intestino e o reto, causando sintomas intestinais no período menstrual. Toda essa reação inflamatória acarreta também, deformação dos órgãos do aparelho reprodutor, diminuindo a capacidade da mulher engravidar. 

A vídeo-laparoscopia trouxe não só a possibilidade de diagnosticar com exatidão a endometriose, como também possibilita parte do seu tratamento com a retirada destes tecidos, permitindo posteriormente um tratamento medicamentoso. A necessidade de um diagnóstico precoce é essencial não só para o sucesso do alívio da dor, como para preservar a capacidade reprodutiva da mulher.

Tags: SAÚDE, campanha, menstruação, mulher, útero

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