Jornal do Brasil

Domingo, 30 de Abril de 2017

Ciência e Tecnologia

Educação à distância é tendência para quem busca qualificação profissional

Reconhecimento do MEC deve ser levado em conta ao escolher instituição

Jornal do BrasilGabriella Azevedo*

Cursos online à distância têm sido, cada vez mais, uma alternativa para aqueles que buscam qualificação, mas contam com limitações de tempo ou deslocamento. De acordo com dados do Ministério da Educação (MEC), entre 2002 e 2011, o número de matrículas em cursos de graduação na modalidade EaD teve o extraordinário aumento de 2300%. Mas, a dúvida sobre a qualidade desse ensino continua pairando sobre empresas e estudantes. 

Atualmente, a escolha por cursos presenciais segue sendo preferência e maioria indiscutível para a formação de profissionais graduados no país. Mas, nos últimos anos, o aumento de alunos nos cursos à distância foi superior ao de alunos em aulas presenciais. Entre os anos de 2009 e 2010, o crescimento de alunos à distância foi de 10,9%, enquanto nas aulas presenciais o aumento foi equivalente a 6,45%, de acordo com números do MEC. 

Apesar da nova tendência, as grandes corporações ainda se mostram irredutíveis na contratação de estudantes com formação EaD. De acordo com Débora, do Instituto Capacitare, empresa voltada para recrutamento de profissionais, esse tipo de curso ainda tem pouca aceitação. “Aqui no Capacitare nós trabalhamos com empresas de grande porte, e isso ainda não é muito bem aceito. Nem 1% das vagas é liberado para profissionais EaD.” 

Por conta disso, os alunos de educação a distancia também não se sentem atraídos a buscar esse tipo de empresa. “Como as nossas vagas são sempre direcionadas para essas companhias, esses alunos acabam não buscando a gente, pois não é o foco”, conclui Débora. 

A recrutadora também ressalta a importância de escolher um curso que já tenha passado pelo processo de reconhecimento do MEC. Sem essa validação, a qualidade do curso se torna questionável, e a ausência de diploma torna as contratações ainda mais difíceis. 

De acordo com o MEC, o crescimento desses cursos e de alunos matriculados foi vertiginoso. Em 2000, o número de inscritos em cursos à distância era de pouco mais de cinco mil. 11 anos depois, o número saltou para mais 990 mil matrículas. Os cursos, que somavam apenas 178 em 2000, pularam para uma marca superior a mil, em 2011. 

O mesmo pode ser dito dos cursos livres online, isto é, que não precisam da certificação do MEC para funcionar e não cedem diploma, como os cursos de idiomas e de preparação. Entre 2009 e 2011, 2,5 milhões de estudantes buscaram por essa categoria de estudo, seja por hobbie ou por aprimoramento profissionalmente. Hoje, os cursos livres já retêm a maioria das matrículas dos alunos EaD. 

Para Zach Ashton, gerente do curso Cerego English, que chegou há cinco meses no Brasil e já conta com mais de 70 mil usuários, o mais importante é garantir que o conhecimento chegue àqueles que não têm os recursos necessários para estudar da maneira tradicional. “Os estudantes hoje têm uma rotina muito agitada e os cursos online dão a eles a chance de estudar da forma que quiserem. O preço também motiva os alunos, pois os cursos presenciais tendem a ser muito caros”, pondera. O curso oferece exercícios através de áudios e imagens.

Sobre a ausência de certificados, o gerente também afirma que ter um diploma não é sinônimo de aprendizado. “Nós não queremos que o certificado seja a motivação para fazer o curso. Muita gente quer um diploma para mostrar que completou alguma coisa. Tem muita história de alunos que têm certificado de cursos de inglês tradicionais, mas que não conseguem falar ou ler em inglês”, argumenta.  

*Do programa de estágio do Jornal do Brasil

Tags: brasil, cursos, educação, internet, mec

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