Computador em forma de boneco japonês tem 3,3 m e custou R$ 42 mil
Quem caminha pela arena da Campus Party Brasil neste ano não tem nenhuma dificuldade de encontrar a área de casemods - gabinetes modificados - no Anhembi Parque. Isso porque um boneco de 3,3 metros de altura está parado bem na ponta da primeira bancada. Criação de Alexandre Ferreira, o Gundam é mais do que um boneco: tem hardware poderoso rodando por dentro.
Normalmente, para juntar as 38 peças do casemod, o campuseiro demora duas horas. Mas como ele não conseguia parar para só fazer isso, o trabalho levou quase dois dias na edição deste ano da maior festa geek do planeta. E para planejar e criar o computador foi preciso ainda mais tempo: doze meses.
Com placa GeForce GTX 680, dois processadores e uma placa mãe maior do que a normal, geralmente usada em servidores, o Gundam, além de mod, também é um robô: mexe a cabeça para os lados, para cima e para baixo. "Aqui na Campus não deu para ligar a parte da robótica porque preciso da escada e não consegui fazer isso no primeiro dia", explica Alexandre. A fonte que alimenta o robô é diferente da que alimenta o PC.

A armadura do robô-mod é feita com plástico líquido e paper hero, também chamado pepakura. "Eu desenho todas as partes, imprimo em papel, recorto, colo, e aí endureço com plástico líquido", detalha Alexandre. Para o Gundam foram mais de 1100 folhas de A4.
E quanto custa um computador assim? Em uma conta aproximada, ele calcula R$ 42 mil. Com patrocínio de uma fabricante de peças e de uma loja local, ele conseguiu montar o robô em um ano, mas o Homem de Ferro - o mod que foi o 1° lugar na Campus Party do ano passado - ele levou quase dois anos para ser feito, "até conseguir comprar as peças e montar". Hoje, o Homem de Ferro é o computador de uso diário de Alexandre.
"O Gundam é para exibir, porque ele tem um grande impacto visual", conta. Atualmente, o artista trabalha oito horas em uma empresa de informática e mais oito em casa fazendo mods. "As pessoas vêm aqui, ficam conhecendo meu trabalho e contratam", diz. A rotina é puxada, mas a família apoia porque tanto esforço tem um objetivo: Alexandre quer poder um dia trabalhar só criando casemods.
"Minha mãe (Iolanda Ferreira) me ajuda a fazer, quero um dia fazer só isso, com a ajuda dela e do meu filho", revela o campuseiro. O filho é o pequeno Rafael Nassari, de 5 anos, que já está inclusive aprendendo um pouco de robótica. "Estou ensinando o básico, de um jeito divertido, e ele já está pegando o gosto", comenta o pai, orgulhoso.
Aliás, é à infância que o Gundam de 3,3 metros remete. Alexandre começou no modding em 2002, e uma das inspirações foi um Gundam de 1,7 metro de altura feito no Japão - onde o personagem de desenhos infantis é muito famoso. "Passava no Brasil na Manchete, na década de 1970, então é uma homenagem dupla, a essa fase da minha infância, que foi tão divertida, e ao mod que um dia foi minha referência", finaliza.

