Distúrbio masculino pode ser campeão de causa de divórcios
Andropausa provoca perda de energia, queda na libido e disfunção erétil
Entre muitas outras, a queda na libido pode ser uma das maiores razões para o fim dos relacionamentos amorosos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maioria dos casais se divorcia quando o homem está por volta dos 43 anos. Um dos fatores que pode ter grande influência nesta estatística é a andropausa, um problema antigo, mas que ganhou novo nome: distúrbio androgênico do envelhecimento masculino (DAEN).
Para Sylvia Faria Marzano, urologista e terapeuta sexual do Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática, essa fase começa a partir dos 40, e é caracterizada pela perda gradativa do hormônio masculino, o que provoca, entre outras coisas, justamente a queda na libido.
“Depois dessa idade, o homem perde 2% da testosterona anualmente”, explica. “A ausência desse hormônio vai fazer com que ele tenha dificuldades para dormir, irritabilidade e depressão, e o resultado é que ele aos poucos perde a ereção e o desejo sexual”.
Segundo a terapeuta, é importante entender que a diminuição gradativa da testosterona é uma mudança fisiológica. Para ela, os homens que vivem em busca da virilidade perdida têm mais dificuldades para se adaptar, e podem prejudicar o relacionamento a dois.
“Ele vai ficar revoltado, vai reclamar que tem dificuldade de ereção”, diagnostica. “Esse homem vai precisar entender que não tem mais o vigor de antes. Agora, para ele conseguir uma ereção, ele tem que trabalhar sua sexualidade e o envolvimento com a companheira”.
Segundo o endocrinologista Maurício Bungerd Forneiro, autor do livro Vida e prazer após os 50, o tratamento é feito com a reposição hormonal, mas é importante o paciente avaliar as mudanças que pode fazer na própria rotina.
“Se você reparar, os sintomas da andropausa também existem em outras circunstâncias; por exemplo, na síndrome de depressão e no estresse”, explica. “Então adotar uma alimentação rica, prática de atividades físicas e se prevenir de doenças como hipertensão arterial, diabetes e obesidade aliviam os sintomas”
O advogado Murilo Carneiro, 60, conta que não conseguiu identificar os primeiros sinais da andropausa. Com uma mulher 20 anos mais nova, ele sentiu a necessidade de procurar um médico para entender a falta de desejo e energia.
“No início eu tive receio de procurar ajuda, mas depois que o meu terapeuta me aconselhou, resolvi cuidar da minha saúde”, conta. “Nunca contei para a minha mulher a falta de desejo que sentia, mas, depois do tratamento, voltei a caminhar, jogar tênis e a nossa relação sexual também voltou ao normal.”
Marzano explica que a demora para procurar um médico ainda é muito comum e, por isso, quando o paciente busca ajuda, já convive com o problema há anos.
“Ele atrasa a procura porque fica achando que o problema não é com ele”, explica a urologista. “Isso acontece porque ninguém ensina isso para o homem, ele acha que a virilidade vai acompanhá-lo até o fim da vida. Já a mulher sabe que eventualmente vai parar de ovular, ela está mais preparada para viver essa fase.”
E como se comportam as mulheres quando passam por mudanças parecidas? Para o professor do departamento de ginecologia e obstetrícia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Renato Ferrari, a menopausa não pode ser vista como a única causa da queda da libido feminina.
"Tanto o hormônio feminino (estrogênio) quanto o masculino que a mulher também produz são importantes para a libido." explica Ferrari. "Na menopausa, a queda do estrogênio pode causar alguns problemas como depressão, ressecamento vaginal, mas não pode ser considerada como um fator isolado na queda da libido. A mulher não se sente mais tão atraente como era quando mais jovem. Soma-se a isso as preocupações do dia a dia, filhos, contas para pagar".
A funcionária pública Deise Vasconcelos, 52, conta que as mudanças decorrentes da menopausa já influenciaram muito no seu comportamento com o marido.
"Logo no início eu me sentia para baixo, deprimida", lembra. "Comecei a sentir uma irritabilidade repentina, principalmente quando eu tinha os calores. Isso era o estopim para que brigássemos sempre".
Ferrari acrescenta que em determinados casos, uma alternativa é o uso de medicações à base de androgênios.
“Eles têm bom resultado, mas é muito importante a pessoa usar com parcimônia, seguindo orientações médicas, para não prejudicar a saúde da mulher”, adverte.
