Jornal do Brasil

Segunda-feira, 21 de Maio de 2012

Ciência e Tecnologia

Distúrbio masculino pode ser campeão de causa de divórcios

Andropausa provoca perda de energia, queda na libido e disfunção erétil

Jornal do BrasilLuisa Bustamante

Entre muitas outras, a queda na libido pode ser uma das maiores razões para o fim dos relacionamentos amorosos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maioria dos casais se divorcia quando o homem está por volta dos 43 anos. Um dos fatores que pode ter grande influência nesta estatística é a andropausa, um problema antigo, mas que ganhou novo nome: distúrbio androgênico do envelhecimento masculino (DAEN).

Para Sylvia Faria Marzano, urologista e terapeuta sexual do Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática, essa fase começa a partir dos 40, e é caracterizada pela perda gradativa do hormônio masculino, o que provoca, entre outras coisas, justamente a queda na libido.

“Depois dessa idade, o homem perde 2% da testosterona anualmente”, explica. “A ausência desse hormônio vai fazer com que ele tenha dificuldades para dormir, irritabilidade e depressão, e o resultado é que ele aos poucos perde a ereção e o desejo sexual”.

 Segundo a terapeuta, é importante entender que a diminuição gradativa da testosterona é  uma mudança fisiológica. Para ela, os homens que vivem em busca da virilidade perdida têm mais dificuldades para se adaptar, e podem prejudicar o relacionamento a dois.

 “Ele vai ficar revoltado, vai reclamar que tem dificuldade de ereção”, diagnostica. “Esse homem vai precisar entender que não tem mais o vigor de antes. Agora, para ele conseguir uma ereção, ele tem que trabalhar sua sexualidade e o envolvimento com a companheira”.

Segundo o endocrinologista Maurício Bungerd Forneiro, autor do livro Vida e prazer após os 50, o tratamento é feito com a reposição hormonal, mas é importante o paciente avaliar as mudanças que pode fazer na própria rotina.

“Se você reparar, os sintomas da andropausa também existem em outras circunstâncias; por exemplo, na síndrome de depressão e no estresse”, explica. “Então adotar uma alimentação rica, prática de atividades físicas e se prevenir de doenças como hipertensão arterial, diabetes e obesidade aliviam os sintomas”

O advogado Murilo Carneiro, 60, conta que não conseguiu identificar os primeiros sinais da andropausa. Com uma mulher 20 anos mais nova, ele sentiu a necessidade de procurar um médico para entender a falta de desejo e energia.

“No início eu tive receio de procurar ajuda, mas depois que o meu terapeuta me aconselhou, resolvi cuidar da minha saúde”, conta. “Nunca contei para a minha mulher a falta de desejo que sentia, mas, depois do tratamento, voltei a caminhar, jogar tênis e a nossa relação sexual também voltou ao normal.”

Marzano explica que a demora para procurar um médico ainda é muito comum e, por isso, quando o paciente busca ajuda, já convive com o problema há anos.

“Ele atrasa a procura porque fica achando que o problema não é com ele”, explica a urologista. “Isso acontece porque ninguém ensina isso para o homem, ele acha que a virilidade vai acompanhá-lo até o fim da vida. Já a mulher sabe que eventualmente vai parar de ovular, ela está mais preparada para viver essa fase.”

E como se comportam as mulheres quando passam por mudanças parecidas? Para o professor do departamento de ginecologia e obstetrícia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Renato Ferrari, a menopausa não pode ser vista como a única causa da queda da libido feminina.

"Tanto o hormônio feminino (estrogênio) quanto o masculino que a mulher também produz são importantes para a libido." explica Ferrari. "Na menopausa, a queda do estrogênio pode causar alguns problemas como depressão, ressecamento vaginal, mas não pode ser considerada como um fator isolado na queda da libido. A mulher não se sente mais tão atraente como era quando mais jovem. Soma-se a isso as preocupações do dia a dia, filhos, contas para pagar".

A funcionária pública Deise Vasconcelos, 52, conta que as mudanças decorrentes da menopausa já influenciaram muito no seu comportamento com o marido.

"Logo no início eu me sentia para baixo, deprimida", lembra. "Comecei a sentir uma irritabilidade repentina, principalmente quando eu tinha os calores. Isso era o estopim para que brigássemos sempre". 

Ferrari acrescenta que em determinados casos, uma alternativa é o uso de medicações à base de androgênios.

“Eles têm bom resultado, mas é muito importante a pessoa usar com parcimônia, seguindo orientações médicas, para não prejudicar a saúde da mulher”, adverte. 

Tags: andropausa, casamento, tratamento

Comentários

5 comentários
  • jose dantas, belo horizonte
    jose dantas, belo horizonte

    Andropausa aos 43 anos eh brincadeira. O homem, por natureza eh um predador e, o que acontece com ele quando esta com uma mulher ha muitos anos,com fidelidade eh uma baixa de excitacao, falta de motivacao. Acho que promiscuidade nao faz bem a ninguem mas, uma escapada eventual, para um homem ou uma mulher ajuda muito para manter a excitacao sexual em alta.

  • ANTONIO, RIO
    ANTONIO, RIO

    SIM

  • Pastor Joaquim, Niteroi  R. J.
    Pastor Joaquim, Niteroi R. J.

    Concordo com o IBGE e com a médica urologista Dra. Sylvia Faria Marzano. Tenho ouvido queixas de desinteresse amoroso por parte das ovelhas da minha Igreja referindo-se a seus maridos que nâo cumprem com as suas obrigaçôes familiares. Todavia eles têm engrossado as fileiras das oraçôes evangélicas. Amém !

  • Peraih, R. J.
    Peraih, R. J.

    ...quando nao ha amor, verdadeiro, profundo, qualquer disturbio pode ser motivo pra terminar e entrar em outra e outra e outra procura vazia. Imediatismo, materialismo, e tome de excesso de erotizacao atraves da midia, e tudo mais...

  • Carlos, Volta Redonda
    Carlos, Volta Redonda

    Só esqueceram, que o maior problema, não é a idade.
    É o desamôr,o desinteresse da mulher, o descuido. Võce as vêzes ouve: Comeu a carne, agora tem de roêr os ossos.
    O desleixo, o disinteresse é patente. Tenho 75 anos, e já vivi situações, que me dão lastro, p/ colocar em dúvida esta estatistica.

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