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120 obras de Oswaldo Goeldi: exposição marca os 50 anos de sua morte

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Bernardo Costa, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Enfocando personagens soturnos, solitários e excluídos, Oswaldo Goeldi (1895-1961) construiu uma obra significativa e instigante, que reflete sua própria existência. Ele mesmo foi uma figura sofrida e afastada do convívio familiar, fato que direcionou seu olhar para os bêbados, pescadores, marginais e prostitutas, que se tornaram protagonistas em trabalhos basicamente compostos por tons negros.

Com o intuito de sondar o homem por trás da arte, a mostra Goeldi O encantador das sombras entra em cartaz no Centro Cultural Correios amanhã tornando público um material iconográfico e documental inédito sobre o artista, além de expor cerca de 120 obras pertencentes a acervos particulares e de instituições, num esforço de catalogação que vem sendo empreendido pela sobrinha neta Lani Goeldi há oito anos.

Nesta exposição, queremos escancarar a vida dele, que tinha um temperamento muito fechado explica Lani Goeldi. Se você for conversar com amigos dele, vai ouvir muito sobre a obra de Goeldi, mas pouco sobre o homem.

Uma réplica do ateliê de Goeldi, situado na Rua Dom Pedrito, no Leblon , que hoje leva seu nome, também faz parte da exposição. Foi lá, no quarto dos fundos da residência do artista plástico José Reis Jr. e da poetisa Beatriz Reynal, que Goeldi produziu a maior parte de sua obra, após se afastar da família.

Ele era grande amigo de um vice-cônsul da Suíça que acabou se casando com a irmã dele e passou a morar na casa da família, em Teresópolis detalha Lani. Essa pessoa colocou todos contra Goeldi dizendo que ele não trabalhava e que era boêmio. Como ele havia se tornado o homem da casa, Goeldi preferiu afastar-se. Para se ter uma ideia, quando a mãe morreu, em 1953, ele não foi ao enterro para não topar com o cunhado.

Lani conta que esse afastamento o deixou muito magoado, fazendo com que se sentisse sozinho e solitário, algo que refletia em sua obra. Considerando-se um ilustrador, atividade de onde tirava o seu sustento, Goeldi se notabilizou pelas gravuras que produziu depois de entrar em contato com esse tipo de manifestação artística na Suíça, ainda adolescente, a partir do contato com o gravador austríaco Alfred Kubin. Às vésperas da data que marca 50 anos de morte do artista, a exposição constitui uma oportunidade única de se aproximar do universo ao mesmo tempo triste e poético de Goeldi.