Jornal do Brasil

Quarta-feira, 16 de Agosto de 2017

Ciência e Tecnologia

Museu Nacional guarda tesouros escondidos

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Cristiane Pepe, Jornal do Brasil

RIO - O Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, tem tesouros que ainda não foram expostos ao público. Uma figura de cerâmica em forma de mulher, encontrada em Santarém, no Pará, é uma destas riquezas. Há também relíquias do Egito antigo como a múmia batizada de A Belade Tebas. O museu, que foi moradia da família real brasileira durante o Império, tem recantos escondidos, como o Jardim das Princesas, onde as filhas de dom Pedro II brincavam.

A figura feminina de cerâmica encontrada no Pará levou seis meses para ser restaurada.

Ela ainda não foi exposta porque estamos fazendo uma reestruturação do acervo, para expor os objetos explica a arqueóloga ngela Rabello.

Dentre os demais tesouros da arqueologia, ainda ocultos para o público, há uma coleção de machados de pedra polida usados por índios brasileiros.

Na área de egiptologia A Bela de Tebas chama a atenção. Ele é uma cabeça de múmia comprada por dom Pedro II, que gostava de colecionar objetos do Egito Antigo. Ela veio de Marselha, França, e está sendo preparada para ser colocada na vitrine. Em 2004, foi feita uma tomografia computadorizada na múmia, que deu origem a uma réplica em resina, que também será exposta.

A peça ainda precisa de cuidados, como uma tela especial de náilon para protegê-la da ação do tempo. O museu tem ainda outras quatro cabeças mumificadas, além de alguns pés e dedos. O arqueólogo Antônio Brancaglion explica o porquê de haver estes fragmentos de múmias.

Os ladrões queriam as peças e joias com as quais os egípcios antigos eram mumificados. Além disso, era muito comum eles separarem os pedaços das múmias para vender. A maior coleção da América Latina e uma das mais importantes do mundo é a nossa revela o cientista.

Há também um crânio humano, deformado artificialmente, que revela antigos rituais. Povos antigos que viviam nos Andes colocavam tábuas e faixas de tecido na testa e na nuca dos bebês recém-nascidos.

Os povos eram reconhecidos pelo formato de suas cabeças diz o arqueólogo Andersen Líryo.

Outra relíquia importante é uma garrafa contendo cerca de oito litros de petróleo da primeira extração feita no Brasil, na Bahia, em 1931.

Há ainda o Jardim das Princesas, que fica numa parte que não é aberta ao público. Nele, as filhas de dom Pedro II brincavam. Um dos bancos deste jardim foi decorado com louças trazidas de Portugal, misturadas a conchas de praia naquela época, as águas da Baía de Guanabara chegavam bem perto do palácio.

O jardim abriga ainda uma árvore de pau-brasil plantada por ninguém menos que Albert Einstein. Afinal, ali no Museu Nacional, história e ciência fazem um casamento perfeito.

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