Jornal do Brasil

Sábado, 22 de Julho de 2017

Ciência e Tecnologia

Amazonas, um rio que não para de crescer. Ele está aumentando

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Luiz Urjais , Jornal do Brasil

MANAUS - Você sabia que ao longo de milhões de anos a foz do Rio Amazonas vem despejando uma enorme quantidade de sedimentos, e cavando um bolsão de cerca de 20 quilômetros de espessura, no leste do Amapá, afundando a crosta terrestre? Ou que ele é responsável pelo o aumento do território brasileiro, constituindo, ao longo dos anos, arquipélagos, no litoral do Amapá?

Pois é. Cientistas de todo o mundo vem promovendo expedições à foz do rio mais caudaloso do planeta, compilando materiais e destrinchando mistérios da dinâmica colossal e planetária de um dos mais belos patrimônios do Brasil e da humanidade.

Mar adentro

De acordo com a jornalista Paula Saldanha, que vem documentando o Amazonas por mais de 30 anos, junto com seu companheiro, o biólogo Roberto Werneck, e outros cientistas brasileiros, o rio despeja, no Atlântico, cerca de seis trilhões de metros cúbicos de água por ano, além de depositar lama, areia e matéria orgânica, lançados até 300 quilômetros mar adentro.

A formação no passado da Ilha de Marajó e de novas ilhas no arquipélago de Bailique, no leste do Amapá, comprova a dimensão do fenômeno de sedimentação e de criação de biodiversidade diz Paula.

Uma das pioneiras, e um dos maiores expoentes, de documentários sobre meio ambiente no Brasil, Paula Saldanha explica que muitos trabalhos vêm sendo realizados captando os sedimentos jogados pelo rio no Atlântico, constatando que, por ano, há o crescimento de um quilômetro de ilhas, na região.

Por cima da Ilha de Marajó formam-se bancos de lama, mangues, que dão origem a uma enorme biodiversidade. Os trabalhos realizados por cientistas, inclusive da Nasa, mostram estimativas de que, em 30 anos, já será possível a formação de uma floresta por ali. Além do mais, a região Norte do rio não só é rica em sedimentos, como também em nutrientes e pesca afirma Saldanha que, no dia 27 de abril, promoverá em seu programa Expedições, da TV Brasil, o especial Foz do Amazonas, composto por registros coletados por ela e Roberto Werneck, ao longo de quatro anos de expedições.

Plataforma continental

Segundo o geólogo marinho e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Alberto Figueiredo, a influência do Rio Amazonas sobre o mar acontece na plataforma continental, ou seja, a cerca de 100 quilômetros de sua boca. Em função do grande volume de sedimentos dentro de seu estuário, estes processos acabam ocorrendo não só no rio, mas também fora dele dando a impressão de que o nível do mar aumentou.

Uma camada de 20 quilômetros de espessura de sedimentos, carregados pelo Rio e depositados no Leque Submarino do Amazonas resulta em um processo que, a partir de 200 quilômetros de profundidade, dá a impressão que houve a elevação do nível do mar. Na verdade, é o peso do sedimento na parte submarina. Fato que provoca o afundamento da crosta terrestre e também do continente, na região costeira do Amapá. Nós vemos esta grande erosão como se fosse a subida do nível do mar, e não é isso conclui.

Atualmente, o Brasil está negociando o aumento das milhas do Rio Amazonas que já obteve crescimento notório, de acordo com estudiosos por entender que este curso fluvial é fundamental para a economia pesqueira da região, e para a manutenção de toda sua biodiversidade. A tendência é que o rio, ao longo dos anos, aumente ainda mais o território nacional.

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