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Ciência e Tecnologia

Banda criada por alunos e professores da USP toca sem regras

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Fábio Reynol *, Jornal do Brasil

SÃO PAULO - Não há partituras. Os músicos começam a tocar interagindo uns com os outros, o que cria um evento musical novo a cada apresentação. A performance e a música gerada serão únicas e não poderão ser repetidas. Assim atua a Orquestra Errante, formada por alunos e professores da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

O grupo, que funciona como um laboratório de improvisação musical, nasceu ano passado como fruto do trabalho intitulado Investigação sobre o ambiente da livre improvisação musical: fundamentos para uma máquina de performance.

Nosso objetivo é estabelecer um ambiente criativo em que todos tenham voz disse Rogério Luiz Moraes Costa, professor do Departamento de Música e coordenador do trabalho.

Para que a performance não gere uma sonoridade caótica, os músicos seguem pressupostos preestabelecidos.

É fundamental uma escuta intensa de si, do outro e do conjunto a fim de que a 'fala' de todos seja respeitada disse Costa.

Segundo ele, no grupo não existe hierarquia, pois todos os instrumentistas devem se respeitar para não encobrir ou atravessar a produção do vizinho, em uma participação que chama de democrática.

Isso não quer dizer que não haja impasses. A improvisação, segundo salienta Costa, pressupõe imprevisibilidade e, por isso, são comuns performances em que os instrumentistas começam a seguir linhas discrepantes que dialogam para formar uma produção conjunta.

As diferenças de estilo entre os artistas são valorizadas dentro da orquestra.

Diferentemente da improvisação idiomática, na qual a música se dá dentro de um idioma como o jazz, o choro ou o blues, por exemplo, a improvisação livre não possui esse compromisso e as contribuições se misturam, cada uma baseada na história de um artista explicou.

Assim, fragmentos de choro podem ser identificados ao lado de reminiscências de jazz e de arranjos que lembram o frevo, isso tudo dentro de uma mesma performance. Isso ocorre porque cada músico traz suas influências e sua história de vida.

Esse ecletismo de idiomas musicais é uma das características da orquestra da ECA-USP, que foi propositadamente constituída por músicos das mais variadas formações.

Escultura sonora

O som é a nossa matéria-prima, com ele criamos uma grande escultura sonora disse Costa.

Programas de computador também foram aplicados para expandir as possibilidades de criação ao se constituir novas fontes sonoras ou acrescentar recursos aos instrumentos musicais tradicionais.

É relativamente novo no Brasil o estudo sistemático sobre a improvisação e suas conexões com a composição, os processos criativos e cognitivos, a educação musical e a tecnologia disse Costa, destacando o pioneirismo da linha de pesquisa e da nova disciplina.

* Agência Fapesp