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Quinta-feira, 19 de Abril de 2018 Fundado em 1891

Ciência e Tecnologia

Divulgados os números da Aids no Brasil

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Agência JB

RIO - O número de infectados pela Aids no Brasil permanece estável, mas com redução de 51,5%, entre 1996 e 2005, na transmissão de mães para filhos durante a gestação, parto ou amamentação. Mas os dados apresentados ontem pelo ministro da Saúde, Agenor Álvares, em Brasília, mostram que aumentaram os casos entre mulheres e pessoas com mais de 50 anos.

Pela primeira vez a divulgação dos dados da doença no país é feita no mesmo dia que as informações globais do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids).

O Boletim Epidemiológico 2006 é baseado no registro dos serviços de saúde pública e privada do Brasil. De acordo com o documento, em 1996 foram registrados 1.091 casos de transmissão de mãe para filhos. No ano passado foram 530, e no primeiro semestre deste ano 109 casos.

No entanto, o número de cidadãos com Aids no país permanece estável desde 2000 cerca de 600 mil pessoas vivem com a doença no país.

De 1980 até o primeiro semestre deste ano, 433.067 pessoas foram infectadas pelo vírus. No ano passado, houve a menor taxa de incidência desde 2002 18 casos foram registrados em cada grupo de 100 mil pessoas. No primeiro semestre do ano, foram notificados 13.214 casos.

Há um aumento da epidemia em cidadãos com 50 ou mais anos. Entre 1996 e 2005, a incidência entre homens de 50 a 59 anos passou de 18,2 para 29,8 a cada 100 mil pessoas. Entre mulheres cresceu de 6,0 para 17,3. Em homens acima de 60 anos, o índice passou de 5,9 para 8,8. Nas mulheres, de 1,7 para 4,6.

Hoje, a Aids atinge mais mulheres do que homens no Brasil. O relatório mostra uma queda na taxa de incidência na população masculina de 22,5 a cada 100 mil em 1996 para 21,9, em 2005. Nos jovens de 20 a 24 a queda foi ainda maior: de 19,2 para 13,3.

Já nas mulheres com mais de 30 anos, a situação se agravou em todas as faixas etárias. A taxa de incidência saltou de 9,3 para 14,2 nos últimos 10 anos.

A Aids mata menos no país. Em 1996, 9,6 a cada 100 mil pessoas morreram com a doença. O número caiu para seis em 2005. O Sul registrou a maior taxa de mortalidade em 2005: nove pessoas a cada 100 mil faleceram, enquanto o Sudeste teve uma queda acentuada no número desde 1996 de 16,3 para 7,6.

Nos homens, observa-se diminuição nos casos entre homossexuais e aumento entre os bissexuais e heterossexuais. Nas mulheres, a epidemia ainda é causada pela transmissão heterossexual, responsável por 94,5% dos casos registrados no ano passado.

Entre os usuários de drogas injetáveis, o número de casos de Aids mantém a queda constante. Passou de 4.852 casos notificados, em 1996, para 1.418 casos no ano passado.

Entre os casos registrados com a variável raça/cor, houve uma queda entre os indivíduos que se declararam brancos e um aumento entre os que disseram ser pretos e pardos no período analisado. Em 2000 40,2% dos casos ocorreram com pessoas que se consideram pretas e pardas. No ano passado foram 45,6%.



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