“Me beija que eu sou cineasta” concentra milhares de pessoas na Gávea
Mariana Ximenes é a musa do bloco, em 2013
Cerca de quatro mil pessoas participaram do tradicional bloco da Zona Sul, Me beija que eu sou cineasta, na Praça Santos Dumont, na Gávea. Fundado em 2006, o bloco acontece na quarta-feira de cinzas e arrasta uma multidão do mundo das artes para foliar com eles. Famílias e crianças também são vistas na festança, pelo fato da comemoração ser de tom pacífico e seguro no local.
A musa 2013 do bloco foi a atriz Mariana Ximenes, que permaneceu, junto a sua família e amigos até o final da folia. “Eu amo Carnaval de rua. Participo desde pequena. Adoro, porque tenho a oportunidade de trazer a minha família. Minha mãe está aqui e minha afilhada também. E venho ao Me beija que sou cineasta desde 2006, quando começou. Participo ainda do Cacique de Ramos e de outros blocos. É prazeroso estar aqui, porque estou com a turma do cinema, que é a minha galera também”, disse a musa.
Manual, pulseiras e caminhão pipa
O diferencial do bloco foi a distribuição do manual do beijo, que trazia dicas de como beijar para os foliões. Além disso, na mesma barraca o bloco vendia a camisa deste ano e pulseiras que por cores sinalizavam a escolha do gênero do folião: azul para quem beija só homens; vermelho para quem beija só mulheres; verde: beijam homens e mulheres; e a pulseira preta, segundo uma das fundadoras do bloco, que é montadora e roteirista, Natara Ney, “beija quem respira”.
O movimento #RioEuAmo doou ainda um caminhão pipa para refrescar quem comemorava o Carnaval na Gávea. Com o calor forte da manhã desta quarta-feira, quando não se esbaldavam com a água do caminhão pipa, as crianças tomavam banho no chafariz da praça próxima à localização do bloco. Além disso, quem participou do evento também aproveitou para entrar numa baita fila onde uma grande marca de chinelos distribuía pares do produto para os foliões.
Cineastas, atores e classe artística prestigiam o bloco
A figurinista Carolina Pinheiro, do Ceará, o diretor de arte, Maycol Silveira, de Minas Gerais, e o produtor de elenco Leandro Fonseca, de Salvador, se conheceram na Academia Internacional de Cinema (AIC) e, além de dividir trabalhos, decidiram cair juntos na folia do bloco. “Basicamente, a gente vem para o bloco porque tem a tradição de ser frequentado por cineastas, como nós”, disseram.
A atriz Joana Collier disse estar surpreendida com a proporção que o bloco ganhou: “Eu vim no início, quando a banda tocava no chão e o bloco era mais fechado. E fazia quatro anos que eu não vinha. Me assustei um pouco com o tamanho do bloco. Está diferente, mas eu gosto assim também”, afirmou.
Tranquilidade e segurança são notadas
O vocalista da banda que se apresenta no Me beija que eu sou cineasta, Mário Chagas, disse que a evolução da banda e do bloco é grande. “Há mais segurança para quem está curtindo e para nós, que fazemos o bloco. A procura pela banda para se apresentar em festas ou eventos ao longo do ano também é muito grande. A aceitação do nosso trabalho está cada vez maior e importa muito para nós”, declarou.
A paulista Melissa Lima disse que faz questão de ficar no Rio até a quarta-feira de cinzas, em todos os anos, para participar do "melhor" bloco. “Porque é o mais tranquilo e organizado do Rio”, justificou.
Cerca de 30 mulheres com fantasias e placas do “Bloco das Trepadeiras” participaram de diversos blocos carnavalescos. Talita de Paula conta que cada foliã vem com um nome de uma planta trepadeira diferente, como Maria Sem Vergonha, Dama da Noite e Olho de boneca, que estavam presentes no Me beija que sou cineasta. “A gente aproveita os blocos para 'trepar' nos muros, monumentos, nas árvores etc.”, brincou Talita.
