Unidos de Vila Isabel exalta a simplicidade da vida no campo
Última escola a se apresentar na Marquês de Sapucaí, a Unidos de Vila Isabel vai mostrar os hábitos simples do interior e do campo, como a moda de viola, as festas no arraiá e as procissões. Também será retratada a vida do homem comum, do campo, que trabalha duro durante o dia, mas tem sempre uma comidinha gostosa o esperando em casa, assim como um bom papo com os amigos.
O desfile foi dividido em sete setores e começa com a apresentação da terra habitada pelo agricultor, do despertar quando o homem vai para a lida no campo. Ele vem representado na frente da escola, apresentando e protegendo sua plantação, representados pelo primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira.
O segundo setor contra as agruras no campo. É neste trecho que serão representadas as inundações e as secas que atrapalham a colheita e dificultam o trabalho do agricultor. O terceiro setor é dedicado às pragas que causam enormes problemas para o homem do campo.
A vida segue seu ciclo e depois das pragas, vem o momento em que o campo começa a florescer e produzir. E a vida se renova no quarto e quinto setores, com flores, frutas, legumes e produtos que vão surgindo daí. É também o momento de destacar os imigrantes portugueses, italianos, ucranianos, japoneses e alemães, que trouxeram inúmeras culturas para o Brasil.
O sexto setor é a volta para casa, na fazenda, depois de um dia duro de trabalho. É o momento de comemorar, com festas a boa colheita, de agradecer as graças e pedir bênçãos nas procissões, para o próximo plantio.
E tudo termina na festa do agricultor: um grande arraiá em pleno Sambódromo.

FICHA TÉCNICA:
Enredo: "A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo - "Água no feijão que chegou mais um"
Carnavalesco: Rosa Magalhães
Diretor de Harmonia: Décio Bastos
Intérprete: Tinga
Mestres de Bateria: Paulinho e Wallan
Rainha de Bateria: Sabrina Sato
Mestre-Sala: Julinho
Porta-Bandeira: Rute
Comissão de Frente: Marcelo Misailidis

HISTÓRIA:
Segundo Hiram Araújo, no livro "Carnaval - Seis mil anos de história", a escola foi fundada a 4 de abril de 1946. A ideia de formar a escola partiu de Antônio Fernandes da Silveira, seu China, um líder da comunidade do bairro de Vila Isabel. Os componentes vieram de blocos da região, como o Acadêmicos da Vila, o Dona Maria Tataia, e o do morro dos Macacos. A Unidos de Vila Isabel repetiu as cores da Escola de Samba Azul e Branco, da qual seu China fizera parte. Os primeiros ensaios ocorreram em sua casa, no Caminho Central.
Também foi ele o primeiro presidente da escola, tendo Antônio Rodrigues, mais conhecido como Tuninho Carpinteiro, Joaquim José Rodrigues (vulgo Quinzinho), Paulo Gomes de Aquino (Paulo Brasão), Ari Barbosa, Servan Heitor de Carvalho, Cesso da Silva, entre outros, como diretores e fundadores.
A Ala dos Compositores era formada principalmente por Paulo Brasão, Tião Graúna, Severo Gomes de Aquino (mais conhecido como Birica e irmão de Paulo Brasão), Djalma Fernandes da Silveira, Zezé Fonfon, Rodolfo de Souza e Rosário. Mais tarde, viriam Ciro Baiano, Paulinho da Vila, Mariano Luz, Zé Branco, Aílton Rocha, Aluizio Machado, Arroz, Hilton Infinito (Guadalupe), David da Vila, Luiz Carlos da Vila, Irani (Olho Verde) e Martinho da Vila, dentre todos o mais famoso e que viria a ser o mentor principal da escola pelas décadas seguintes.
O primeiro desfile ocorreu em 1947, terminando em terceiro lugar com o samba "Escravo da rainha". Tião Arroz e Raquel Amaral formaram o primeiro par de mestre-sala e porta-bandeira.
Em 1956, com o enredo "Três épocas", foi vice-campeã, subindo para o primeiro grupo. A escola foi campeã pela primeira vez em 1960, no Grupo 3, com o samba "Poeta dos escravos", de Geraldo Babão.No ano de 1967 foi a primeira escola a usar tons de cores diferentes no desfile.
