Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

Carnaval 2013

Riquezas do Pará entram na Avenida no enredo da Imperatriz

Jornal do Brasil

Na homenagem ao estado do Pará, a Imperatriz Leopoldinense vai levar para a Avenida as riquezas na cultura, na culinária, sem deixar de lado a política. São mais de 3.000 componentes, divididos em 32 alas.

O muiraquitã, o amuleto de sorte que muitos paraenses gostam de guardar em casa, estará presente em uma das fantasias da escola. 

O desfile foi dividido em seis setores. O primeiro vai mostrar como as tribos indígenas ajudaram a construir a história do estado. Logo depois, a escola começa a trazer a união dos nativos com algum elemento da natureza. 

A terceira parte do desfile mostra todo o legado que o ciclo do ouro e da borracha deixou para o Pará. Já no quarto setor, a Imperatriz vai falar sobre a questão do artesanato, de tudo que é extraído do solo e transformado em arte.

Os ritmos e as danças do Pará serão o foco do quinto setor. A escola vai relembrar outros grandes artistas paraenses que fizeram história através de sua música, como Gabi Amarantos, Fafá de Belém, Beto Barbosa e Dira Paes.

A escola encerra o desfile com uma romaria de fé: um mar de fiéis vai invadir o sambódromo e isso finaliza com a última alegoria, que é uma homenagem ao Círio de Nazaré. Sem trazer a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, a escola vai utilizar um artifício para suprir a ausência.

FICHA TÉCNICA:

A escola de Ramos mostra na Avenida um enredo sobre o Pará
A escola de Ramos mostra na Avenida um enredo sobre o Pará

Enredo: "Pará - O Muiraquitã do Brasil"

Diretor de Carnaval: Wagner Tavares de Araújo

Carnavalescos: Cahê Rodrigues, Mário e Kaká Monteiro

Diretor de Harmonia: Guilherme Nóbrega

Intérprete: Dominguinhos do Estácio

Mestre de Bateria: Noca

Rainha de Bateria: Cris Viana

Mestre-Sala: Phelipe Lemos

Porta-Bandeira: Rafaela Teodoro

Comissão de Frente: Alex Neoral

A atriz global Cris Viana é a Rainha de Bateria da Imperatriz Leopoldinense
A atriz global Cris Viana é a Rainha de Bateria da Imperatriz Leopoldinense

HISTÓRIA: 

A ideia de se fundar uma escola de samba na Zona da Leopoldina se deu pelo fato de que era preciso ter na região uma entidade carnavalesca à altura do Recreio de Ramos e cujos frequentadores eram integrantes da mais alta estirpe musical da cidade: Armando Marçal, Pixinguinha, Villa-Lobos, Heitor dos Prazeres, Bidê (Alcebíades Barcelos), Mano Décio da Viola e outros mais.

O articulador de tal empreendimento foi Amaury Jório, que reuniu no dia 6 de março de 1959, na sua própria casa na Rua Euclides Faria 22, em Ramos, um número de sambistas para criar a escola de samba. Cada um ali reunido opinou para a criação dos símbolos que marcariam e identificariam essa nova entidade carnavalesca. Jório deu a sugestão de que a área de atuação da recém fundada escola, a Leopoldina, fizesse parte do nome.

Manoel Vieira deu nome de Imperatriz Leopoldinense e as cores verde e branco foram sugeridas por Venâncio da Conceição. O esboço do maior símbolo da agremiação, seu pavilhão, foi ideia de Agenor Gomes Pereira e a madrinha do seu batismo, prática comum entre as escolas de samba, foi o Império Serrano.

Escola fundada, agora a meta era a preparação do carnaval; o caminho foi a adoção ao longo de sua trajetória de enredos que tivessem uma temática histórico-cultural. Vale lembrar inclusive que a Imperatriz Leopoldinense foi a primeira escola de samba a possuir um Departamento Cultural – fundado por Hiram Araújo em 1967 – com o propósito de auxiliar na confecção dos enredos e realizar atividades educativas com os integrantes. Seus ensaios eram realizados inicialmente na Rua Paranhos 227, casa de Pedro Alcântara Diniz, depois passaram para o número 315 onde funcionava o Clube Paranhos.

O primeiro carnaval, em 1960, teve como enredo Homenagem à Academia de Letras que alcançou um honroso sexto lugar. O primeiro título, no carnaval de 1961, com o enredo Riquezas e maravilhas do Brasil serviu para que novas mudanças acontecessem na trajetória da agremiação; um grande número de componentes oriundos dos blocos e agremiações carnavalescas da região começava a integrar os quadros da escola, era o sonho de Jório ganhando proporções! A existência de uma sede oficial, situada na Rua Professor Lacê 235, foi a consolidação deste sonho; foi na gestão de Antônio Carbonelli que se realizou tal feito.

Um acontecimento que marcou muito a vida da escola e serviu para projetar seu nome aconteceu em 1972. Dias Gomes procurava uma escola de samba para servir de cenária para a novela "Bandeira 2" da TV Globo. Após muitas indas e vindas, a escolha recaiu sobre a Imperatriz, uma então modesta escola da Zona da Leopoldina. A história tratava do amor de dois jovens, filhos de famílias inimigas. Uma livre adaptação da imortal história de Shakespeare "Romeu e Julieta" ambientada no universo suburbano carioca. O principal personagem acabou sendo encarnado por Paulo Gracindo, que até então havia interpretado quase sempre personagens ricos e sofisticados. Seu desempenho como bicheiro Turcão teve imensa aceitação popular e significou sua consagração na televisão.

Na história, Zé Catimba, compositor da Imperatriz, foi representado por Grande Otelo. O samba-enredo "Martim Cererê" acabou entrando para a trilha sonora da novela – um fato pioneiro – e ajudou a tornar a Imperatriz conhecida em todo o Brasil. Um fato sobre "Bandeira 2" que merece ser destacado é que anos depois, Dias Gomes adaptou a história para o teatro, nascendo assim o musical "O Rei de Ramos", que estreou na reinauguração do Teatro João Caetano, em 1979, com músicas de Chico Buarque e Francis Hime.

Tags: desfile, escola, imperatriz, samba, segunda

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.