Portela canta a história dos 400 anos de Madureira e os 90 de sua fundação
Escola de Madureira é a última a se apresentar na Avenida no primeiro dia do Grupo Especial
Última escola a desfilar neste primeiro dia do Grupo Especial, a Portela vai contar a história dos 400 anos de Madureira, dos 90 anos de sua própria fundação e dos 70 anos de Paulinho da Viola. Os quatro mil componentes estão divididos em 35 alas. A escola tem sete alegorias e quatro tripés.
O desfile começa com Paulinho da Viola tentando entender o que é o amor que ele sente pela Portela e em seguida mergulha fundo na história de Madureira.
O segundo setor do desfile conta a formação histórica do bairro, com suas fazendas e canaviais. Logo depois, entra o setor da formação religiosa, que mistura festas católicas e do candomblé e traz elementos característicos como o jongo.
O quarto setor vai retratar o desenvolvimento econômico e comercial do bairro. Mostra a chegada do trem a Madureira e dos imigrantes árabes e judeus, dos italianos e da única fábrica de massas e biscoitos da região. É também o setor onde o Mercadão de Madureira será destacado.
O lado cultural de Madureira, com gafieiras, os bailes charm embaixo do Viaduto Negrão de Lima, o movimento da black music e os campeonatos esportivos, como o basquete de rua, realizados no local, vão estar no quinto setor do desfile.
Já o carnaval de rua, com os famosos blocos de piranhas da região, estará no sexto setor.
Também haverá uma homenagem ao Império Serrano, outra escola do bairro. Dela participam o compositor Arlindo Cruz, Dona Ivone Lara, Jorginho do Império e Tia Maria, do jongo da Serrinha.
O encerramento do desfile mostra quando Madureira vira inspiração para várias músicas. Ou seja, termina com Paulinho da Viola chegando à Sapucaí inspirado por Madureira, junto com a Velha Guarda da Portela.

FICHA TÉCNICA;
Enredo: "Madureira...o meu coração se deixou levar"
Coordenadores da Carnaval: Alex Fab e Júnior Escafura
Carnavalesco: Paulo Menezes
Diretor de Harmonia: Marcelo Jacob
Intérprete: Gilsinho
Mestre de Bateria: Nilo Sérgio
Rainha de Bateria: Patrícia Nery
Mestre-Sala: Robson
Porta-Bandeira: Ana Paula
Comissão de Frente: Márcio Moura

HISTÓRIA:
A história da Portela remete aos idos de 1921, quando Esther Maria Rodrigues (1896-1964) e seu marido, Euzébio Rosas, então porta-bandeira e mestre-sala do cordão Estrela Solitária, de Madureira, mudaram-se daquele bairro para Oswaldo Cruz, onde fundaram o bloco “Quem Fala de Nós Come Mosca”.Uma dissidência desse bloco, comandada por Galdino Marcelino dos Santos, Paulo Benjamim de Oliveira (conhecido como Paulo da Portela), Antônio Rufino e Antônio da Silva Caetano, deu origem em 1922 a outro bloco, o “Baianinhas de Osvaldo Cruz”, que logo no ano seguinte adotou um estatuto e montou uma diretoria, fato que faz com que a data de fundação da Portela seja muitas vezes remetida erroneamente a 1923. O bloco, no entanto, não durou muito tempo.
Em abril de 1923 Rufino, Caetano e Paulo, reunidos numa casa onde funcionava o Bar do Nozinho, na Estrada do Portela 412, decidiram criar um outro bloco. E foi assim que, em 11 de abril de 1926, nascia o “Conjunto Carnavalesco Osvaldo Cruz”. Fundado sob os conceitos de Paulo Benjamin de Oliveira, que era evitar os confrontos nas ruas. Dias após a fundação do bloco, Paulo cuidou do batismo. D Martinha, baiana ligada ao candomblé, foi declarada a madrinha.
Em 1930 a Escola desceu com o nome de “Quem Nos Faz é o Capricho”, dado por Heitor dos Prazeres, que logo mudou o nome para ” Conjunto de Oswaldo Cruz”. Após o carnaval, Manuel Bam Bam e Antônio Rufino, os principais adversários de Heitor dos Prazeres, retornaram à direção da escola e mudaram seu nome para “Vai como pode”.
No dia 1º de maio de 1934, ao receber os dirigentes da ''Vai como pode'', o delegado Dulcidio Gonçalves fez uma proposta inesperada: a mudança do nome da escola. Alegou que o atual nome era chulo para uma escola de samba de grande porte. Paulo da Portela tentou argumentar, mas o delegado sustentou e ideia de mudança e sugeriu um novo nome “Grêmio Recreativo Escola da Samba Portela". Diante das circunstâncias, a proposta foi aceita.
A antiga ''Vai como pode'', hoje Portela, entrou para a história como vencedora do primeiro desfile do Rio de Janeiro, em 1935. Na primeira etapa da história da Portela, Paulo Benjamin de Oliveira foi quem conduziu os destinos da escola, auxiliado por seus companheiros de samba, sendo os mais chegados Antônio Caetano e Antônio Rufino. Ainda em torno de sua liderança outros bambas se faziam presentes, como Manuel Gonçalves dos Santos (Manuel Bam Bam), Ernani Alvarenga, Alcides Dias Lopes (Alcides, malandro histórico), Nélson Amorim, João da Gente, Chico Santana, Alberto Lonato, Cláudio Bernardes e Osvaldo dos Santos (Alvaiade).
A segunda etapa da história da Portela foi conduzida por Natalino José do Nascimento, Natal. Foi nos fundos da casa de seu pai, Napoleão, na esquina da Rua Joaquim Teixeira com a estrada do Portela, que aconteceu a fundação da escola. Em 1972, Natal começou a construir a atual sede da Portela.
