História do Rock in Rio invade a Marquês de Sapucaí com a Mocidade
Ídolos de todas as tribos, do jazz ao punk, farão o casamento de guitarras e bateria
Penúltima escola a se apresentar no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial, a Mocidade Independente de Padre Miguel traz a história do Rock in Rio para a Marquês de Sapucaí. Ídolos de todas as tribos, do jazz ao punk, farão o casamento de guitarras e bateria. É o rock caindo no samba.
Estão representados Elvis Presley, Cazuza, Raul Seixas, Jimmy Hendrix, John Lennon, Dona Summer, Michael Jackson, Renato Russo, entre outros. Todos serão apresentados por Serguei, o roqueiro brasileiro de 80 anos, que vem na comissão de frente da escola.
Para contar a história do festival na avenida, a Mocidade virá com 3.600 componentes, em 36 alas, divididos por sete setores, com sete alegorias. O desfile começa com a junção de todos os ritmos: jazz, reggae, heavy metal, punk rock, blues, pop. Logo em seguida entre em cena o primeiro festival, que teve como característica o lamaçal que se formou na Cidade do Rock. Um carro decorado com calças jeans vai destacar esse período.
O terceiro setor vai lembrar o segundo festival realizado no estádio do Maracanã. Os quatro principais times do Rio serão destacados na Marquês de Sapucaí. Uma bola de futebol feita com CDs vai compor a alegoria.
O quarto setor destaca o lema do festival: “por um mundo melhor”. É a necessidade de se buscar a sustentabilidade do planeta e investir na reciclagem e na proteção do meio ambiente.
O quinto setor trata do Rock in Rio em Lisboa e mostra referências portuguesas em fantasias e alegorias.
O sexto setor, do Rock in Rio em Madri, com touros, ciganos e referências mais abrangentes também sobre a Europa.
O último setor é quando o festival sente saudades do Rio e volta agregando novos ritmos como hip hop, funk, axé, música eletrônica e BRock, entre outros. E termina no sonho de montar a Cidade do Rock na Praça da Apoteose.

FICHA TÉCNICA:
Enredo: "Eu Vou de Mocidade com Samba e Rock In Rio - Por um mundo melhor"
Comissão de Carnaval: Paulo Vianna, Alexandre Louzada, Ricardo Simpatia, Carlos Santana, Evandro Mendes, Ailton Neves e Pedro Veloso
Carnavalesco: Alexandre Louz
Diretores de Harmonia: Gerson e Jansen
Intérprete: Luizinho Andanças
Mestres de Bateria: Bereco e Dudu
Rainha de Bateria: Camila Silva
Mestre-Sala: Feliciano Júnior
Porta-Bandeira: Squel
Comissão de Frente: Jaime Arôxa

HISTÓRIA
Mocidade do Independente. A escola deu seus primeiros passos correndo atrás de uma bola nas partidas do Independente Futebol Clube, time de futebol de várzea que deu origem à Mocidade.
A equipe foi fundada por Ivo Teixeira, o popular Ivo Lavadeira, no ano de 1952, por uma simples razão: o homem queria jogar, mas nunca era aceito nos times por não ser exatamente um craque com a bola nos pés... Comprou a bola e as camisas, verdes e brancas, combinação cromática que mais lhe agradava. Um time de familiares e conhecidos foi escalado e... Pronto! Estava plantada, assim, em um campo de futebol, a semente independente.
As animadas rodas de samba que os boleiros armavam depois das peladas faziam enorme sucesso com a moçada de Padre Miguel. A batucada do pessoal do “Arroz com Couve” – como o Independente era carinhosamente conhecido, graças às cores de seu uniforme – só fez crescer, em tamanho e prestígio, e não tardou para que a brincadeira ganhasse contornos mais sérios. Foi criado então um bloco carnavalesco, a Mocidade do Independente, que passou a desfilar no carnaval do bairro.
Ali, longe do badalado centro da cidade e das referências seminais do samba carioca, nascia uma estrela que, mal podiam imaginar seus criadores, iria brilhar para muito além daquela terra espremida entre os maciços do Gericinó e da Pedra Branca.
Os primeiros ensaios aconteceram no quintal de Maria da Glória Pereira, a Dona Maria do Siri, nas redondezas do conjunto de apartamentos do IAPI, hoje conjunto habitacional Dom Jaime Câmara. Tia Chica, a mãe de santo do bairro, tinha um terreiro na Rua Jacques Ourique, onde abençoou, com seus famosos passes, os primeiros passos da estrela.
Alguns dos primeiros membros da Mocidade do Independente já flertavam com a ideia de transformar o bem sucedido bloco em uma escola de samba, mas foi só no carnaval de 1955 que tudo pareceu se aprumar para que a empreitada fosse levada adiante. No carnaval daquele ano, os dois grupos que buscavam consolidar-se no carnaval de Padre Miguel desfilaram na Rua D para definir qual era o melhor bloco do bairro. Competiram a Mocidade do Independente e a Unidos da Rua D, também conhecida como Boi Vermelho (hoje, Unidos de Padre Miguel). Contam que o responsável pela escolha da campeã, o então deputado Waldemar Vianna, assistiu às apresentações dos grupos de cima de um coreto, e de lá mesmo anunciou o resultado: para a felicidade geral do bairro, a Unidos seria o melhor bloco, e a Mocidade, a melhor escola daquele carnaval.
Alguns meses mais tarde, sacramentando a decisão deputado, seria fundada a E.S. Mocidade do Independente, em 10 de novembro de 1955. Na ata da primeira reunião constam os seguintes nomes: Sylvio Trindade (Vivinho, tio de Ivo Lavadeira), presidente, Renato F. da Silva, vice-presidente, Djalma R. Pereira, secretário geral, e Oympio Bonifácio (Bronquinha), como tesoureiro. Como parte da Comissão de Carnaval, os senhores Osmar G. da Silva, Itamar de Oliveira, Oswaldo D. de Castro, Sebastião M. dos Santos e Osmar Dutra. Na Comissão de Enredo, Beto Couto, Astrogildo R. dos Santos e José P. da Silva Domingos tomaram parte. Há ainda menção a Joaquim Alves, como um dos responsáveis por apresentar candidatas para o concurso de rainha de carnaval do ano seguinte.
