Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

Carnaval 2013

União de Jacarepaguá faz desfile simples, mas longe dos erros de concorrentes

Agremiação fez desfile com apenas um décimo do orçamento de escolas do grupo especial

Jornal do BrasilMaria Luisa de Melo

Quem foi que disse que o orçamento limitado é motivo para não fazer um carnaval digno de muito orgulho? Depois de uma primeira noite de desfile com inúmeras falhas de algumas escolas de samba do grupo de Acesso, como a falta de fantasia de baianas, passistas, ritmistas e até o tenebroso estouro de tempo, o que se viu na abertura da segunda noite de desfile do Grupo de Acesso foi uma lição de que, com organização, evita-se a vergonha.

Com apenas três carros alegóricos, a União de Jacarepaguá se propôs a contar a história da cidade de Vassouras, no interior do Rio. Com o enredo "Dos Barões do Café à Cidade Universitária, Vassouras, ouro verde do Brasil", a Verde e Branca da Zona Oeste carioca contrastou os luxos  da elite cafeeira com a simplicidade dos negros que faziam a colheita. Destaque para a Velha Guarda, cujas vestimentas mesclaram o verde escuro com pequenos tons de dourado. 

Os três carros alegóricos, apesar da altura, foram feito de forma muito simples. Um deles, todo decorado com chapéus de palha, chamado "O Enriquecimento dos Barões com Suor Negro", atestava a simplicidade. Mas deixava claro também que o material usado não precisa ser caro para o carro causar impacto e arrancar suspiros das arquibancadas e frisas. Não havia nenhum isopor ou madeira descobertos. POnto para os artistas da escola. Outro destaque vai para a evolução impecável da agremiação.

O samba fácil de cantar contribuiu e muito para a harmonia da escola. Difícil foi achar quem não soubesse os versos "Do alto da Serra à Jacarepaguá; O cheiro da terra se espalha no ar; LInda "união", não vou resistir; Canto Vassouras na Sapucaí!"

A comissão de frente apresentou uma espécie de culto ao orixá Oxum. Na apresentação, os negros saíram das senzalas e, num cortejo religioso, agredeciam ao Orixá Oxum por deixar a terra fértil para a produção do ouro verde, o café. Um tripé, que acompanhava a comissão, escondia Oxum, o personagem principal. Ao surgir no meio da coreografia, o Orixá era exaltado pelos outros. 

Casal de mestre sala e porta-bandeira da escola, Rogério Junior e Natália Monteiro usaram fantasia da cor da bandeira da escola - verde vibrante - e homenagearam o jornalista Joaquim Nabuco e a senhora Eufrásia Teixeira Leite, herdeira de família rica e poderosa graças ao cultivo do café pelos escravos. Apaixonados desde a infância, jamais conseguiram ficar juntos.

O que chama atenção, assim como o capricho da escola nas alegorias, foio orçamento: segundo o presidente da agremiação, Reinaldo Bandeira, apenas R$ 1,4 milhão foram investidos. O valor é pouco mais de 10% do que costuma ser empregado nos pomposos desfiles das 12 escolas do grupo especial. Agremiações como a Beija-Flor de Nilópolis e a Vila Isabel, por exemplo, costumam ultrapassar a cifra dos R$ 10 milhões investidos em cada desfile na Marquês de Sapucaí.

Tags: agremiação, alegria, escola, folia, mestre sala, porta bandeira, simplicidade, união de jacarepaguá

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