Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Maio de 2013

Carnaval 2013

Beija-Flor apresenta outro 'amigo fiel' do homem na Avenida

Escola aposta no enredo sobre cavalos e destaca o Mangalarga Marchador na busca do título 

Jornal do BrasilCarolina Mazzi e Pedro Rocha*

Contar a história da raça de cavalos brasileira mais famosa do mundo, o Mangalarga Marchador, e a relação milenar entre o homem e o animal são os objetivos da Beija Flor de Nilópolis quando entrar na Marquês de Sapucaí na madrugada de segunda-feira (11), último dia de desfiles do Carnaval. O enredo Amigo Fiel, do cavalo do amanhecer ao Mangalarga Marchador é aposta da azul e branco para vencer o campeonato deste ano.

O inusitado tema pegou a todos de surpresa, contou o carnavalesco Vitor Santos ao Jornal do Brasil. "A gente também se surpreendeu com a escolha. Mas conforme fomos pesquisando, vimos que tinha muita coisa para falar, a participação do cavalo na vida e no desenvolvimento do homem é imensa, ele é realmente um amigo fiel durante o nosso desenvolvimento", comentou.

O enredo foi trabalhado pela comissão de Carnaval da escola, da qual fazem parte o próprio Vitor, Laíla, Fran-Sérgio, Ubiratan Silva, André Cezari e a pesquisadora Bianca Behrends. A história desta relação de amizade será contada em oito setores, que começam apresentando o cavalo desde o período da pré-história, passando pela era do gelo e as primeiras relações entre o animal e a o homem neandertal. "Depois vamos mostrar a importância fundamental que ele teve para o aprimoramento na agricultura, na conquista de grandes partes do planeta por Alexandre, o Grande, através do seu exército montado", conta o carnavalesco.

Um dos aspectos que devem diferenciar a escola na avenida são as fortes relações entre a cultura cigana e o cavalo. "O povo cigano reúne na sua cultura aspectos que têm uma conotação mistica muito forte e isto vai exemplificar também a ideia do cavalo associado aos deuses, pégasos, que vamos destacar na avenida", afirma Santos.

O Mangalarga Marchador faz sua estreia no carnaval em alegorias que vão contar a sua história e peculiaridades até o sucessivo reconhecimento e respeito internacional que obteve nos últimos anos. "Vamos falar da Condelaria Real Portuguesa, que criava cavalos chamados "Alter Real". Ao chegar no Brasil, esta raça foi cruzada com as éguas daqui, dando origem ao Mangalarga, que é um cavalo diferenciado, pois ele não trota, ele marcha, é diferente, peculiar, e começou a despertar a atenção das pessoas", releva Vitor. 

O último carro da Beija Flor deve impressionar: serão reproduções em tamanho real de cavalos atuais, vencedores com seus respectivos donos montados nas esculturas. "Vamos tentar abordar tudo que envolve este animal, não deixaremos de falar da Belle Époque carioca e de Troia, onde a participação do cavalo foi essencial", relembra Santos.

Números, vitórias, pressão e reivindicação para um Carnaval melhor

43 alas, oito alegorias e cerca de 3.800 integrantes representarão a agremiação na Avenida. E à frente da bateria, que não tem nome, diferentemente das outras escolas, estão Neguinho da Beija-Flor e os mestres Plínio e Rodney, e a Rainha de bateria Rayssa Oliveira. O 1º casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Claudinho e Selmynha Sorriso, farão evoluções com trotes de cavalo, entrando no clima do enredo. Estas são as estratégias da escola para o Carnaval de 2013. 

Com 64 anos, a Beija-Flor foi fundada em pleno Natal, 25 de dezembro de 1948. Desde então, ganhou 12 campeonatos e foi vice em mais 11. Apenas por 16 desfiles ao longo de sua trajetória ela não estava entre as seis melhores colocadas. A última vez que foi campeã na Sapucaí foi em 2011, e no ano passado, chegou ao 4º lugar. Toda esse panorama cria ansiedade diante do que a Bejia-Flor trará para o desfile.

“Tem muita pressão em cima da gente, mas não assusta, pois estamos acostumados com isso. Na Beija-Flor tudo tem de ser muito, não pode ter erro, todo mundo cai em cima. Nossa história criou uma cobrança do público, desde a época de Joãozinho Trinta. Essa pressão é muito boa pro profissional, que a cada ano tem de ser melhor. Isso o obriga a se reciclar”, explica Vitor.

Ele foi só elogios em relação à grandiosidade e ao espetáculo carnavalesco do Rio de Janeiro. Mas Vitor também não poupou críticas à infra-estrutura da cidade, que não tem se adaptado à evolução da festa.

"Eu acho que a estrutura não condiz com a grandeza do espetáculo. Parece com um sol nuclear, com coisas preciosas, grandiosas, mas tudo dentro de uma garrafa. Precisamos de mais estrutura, qualidade e atenção das autoridades. O acesso antes de entrar no sambódromo, em que precisamos fazer a curva, é muito complicado, tem viaduto, rio, tudo atrapalha", reclamou.

*Do Projeto de Estágio do Jornal do Brasil

Tags: beija-flor, Carnaval, cidade, município, Rio

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