Jornal do Brasil

Terça-feira, 14 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

Cardeal Orani Tempesta

Servir com alegria

Celebramos dentro do mês vocacional, no dia 15 de agosto a memória de São Tarcísio. Sabemos do exemplo de vida e seu martírio. Devido ao tipo de ocorrência na vida deste santo, também comemoramos o dia do coroinha. Neste final de semana a nossa arquidiocese tem um grande encontro com todos eles. Alguns se especializaram como cerimoniários como tivemos ocasião de acolher e enviar para essa missão. Porém são inúmeros os acólitos ou ministrantes. São muitas formas que existem para que o jovem e adolescente participe da comunidade. Uma delas é justamente o Serviço do altar.

Agradeço a Deus o trabalho silencioso e voluntário de tantos jovens que se dedicam a auxiliar o presidente da celebração Eucarística a atualizar os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Cristo.

Os coroinhas devem se observar para que exerçam sua função com sobriedade, piedade, discrição, zelo e amor. Devem participar de forma ativa das celebrações, vivendo-a, e apenas a partir desta experiência e testemunho poderão servir como se deve.

Os acólitos, ainda que não instituídos, são todos aqueles que servem ao celebrante e os diáconos na missa; são os acólitos que exercem as funções de turiferário, naviculário, cruciferário, ceroferários, baculífero, mitrífero, librífero, etc. Alguns desempenham também a função de cerimoniários para a qual foram preparados e enviados.

Na Eucaristia Jesus se coloca junto dos seus discípulos (como em Emaús) para esquentar os seus corações e supõe que nós devemos nos abrir para enxergar e viver a Eucaristia que celebramos e comungamos. O Senhor quer nos falar: nós sabemos que o Senhor quer nos falar, que arde a sua voz em nosso coração. Por isso o coroinha deveria ser o primeiro ouvinte da Palavra e o mais atento participante da fração do Pão, mistério de nossa fé.

Na celebração da Santa Missa é o Senhor Ressuscitado que nos fala, que nos admoesta, que aquece nossos corações e nos motiva a não desanimarmos diante das dificuldades, das incompreensões, porque o Senhor está presente em nossa vida, em nossa história, na partilha que anima a nossa missão.

Por isso elevamos a Deus o agradecimento sincero pelo trabalho voluntário e zeloso de nossos coroinhas nesta importante missão do altar. Em primeiro lugar, lembrar da dignidade do ministério que estão assumindo, participando vivamente da Eucaristia, sendo sacrário na sua vida pessoal e dando testemunho do Ressuscitado, o que supõe que sejam os primeiros a viverem a Eucaristia, e auxiliando em sua celebração, como primeiros colaboradores do presidente, e pelo seu decoro e exemplo animar nossas comunidades na pureza de alma, de comportamento, de dignidade e de sobriedade da celebração.

O Cristo é sempre o centro da Eucaristia. Vamos participar melhor da celebração da Santa Missa. Por isso os coroinhas devem ser testemunhas de Cristo, vivenciando com Ele e como Ele nos ensinou a viver o Evangelho. A beleza e a austeridade da liturgia sagrada nos transformam em evangelizadores. A missão é bem celebrar para que o povo participe melhor e mais piedosamente.

Louvo a Deus ao ver nossos adolescentes e jovens próximos do altar e servindo com alegria. A ação litúrgica necessita de vários colaboradores para que Deus seja dignificado pela celebração litúrgica. Que os coroinhas tenham amor pela Sagrada Liturgia e que a santidade seja sempre a meta a ser atingida por aqueles que estão perto do Senhor na celebração a serviço da comunidade. Que estejam a serviço de Cristo e da Igreja. E assim caminhem na correspondência da graça de Deus na busca da santidade.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ.



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