Jornal do Brasil

Quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

Cardeal Orani Tempesta

Vinte e quatro horas para o Senhor!

Dom Orani João Tempesta

O papa Francisco aprovou e elogiou a iniciativa do presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, dom Rino Fisichella, de ter uma atividade mundial nos dias que antecedem o Domingo da Alegria, Quarto Domingo da Quaresma.  Então, convocou todas as dioceses do mundo para, das 17 horas do dia 28 de março, até às 17 horas do sábado (hoje), o evento chamado 24 Horas para o Senhor. Com isso se pretende criar uma tradição feliz, que anualmente será repetida às vésperas do IV Domingo da Quaresma.

Após presidir uma celebração penitencial de abertura, o papa Francisco confessará alguns fiéis na Basílica de São Pedro, no dia 28 de março (ontem). O dia dedicado ao sacramento da reconciliação contará, também, com a presença de padres confessores em três igrejas do centro histórico de Roma. Ali estarão ainda os jovens que serão enviados para evangelizar outros jovens.

Assegura o arcebispo Rino Fisichella: "A partir das 17 horas da próxima sexta-feira 28 de março, durante vinte e quatro horas, solicita-se que pelo menos uma igreja em cada diocese possa permanecer aberta para permitir a quantos o desejarem celebrar o sacramento da penitência, de preferência num contexto de adoração eucarística. A iniciativa deverá ser pastoralmente preparada.

Aqui, em nossa arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, o evento 24 Horas para o Senhor será realizado no Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora de Fátima, situado à Avenida Alfredo Baltazar da Silveira, 900, Recreio, RJ. Ali estarão os padres de nossa arquidiocese para o atendimento dos penitentes.

A nossa tradição de “mutirões de confissões” durante a Quaresma e o Advento de certa forma já contempla essa iniciativa, porém, ela nos motiva a trabalharmos ainda mais para que seja disponibilizada, não só nestes tempos abençoados, a celebração do sacramento da penitência, mas também em todos os dias do ano, em todas as igrejas.

O sacramento da penitência deve ser revalorizado e redescoberto em nossas comunidades. Além dos mutirões de confissões, que em nossa arquidiocese são feitos por foranias neste tempo da Quaresma, somos chamados a um profundo exame de consciência acerca de nossa vida cristã.

Convido os fiéis para que se dirijam, como peregrinos, ao Santuário de Fátima, no Recreio, para uma boa confissão e para a adoração ao Santíssimo Sacramento. Será um momento de profunda renovação espiritual e de uma adequada preparação para a Páscoa. Aproveitaremos para celebrar o momento final do “doe de coração” nesse mesmo local, até domingo, dia 30, às 12 horas.

Sabemos que é mandamento da Igreja confessar-se pelo menos uma vez por ano pela Páscoa da Ressurreição. Somos chamados a “fazer Páscoa!”. No Santuário de Fátima todos os vicariatos participarão. Teremos um revezamento de confessores durante as 24 horas. Ali existem oito confessionários preparados com carinho pelo nosso caríssimo reitor cônego José Gomes, com sacerdotes durante essas vinte e quatro horas, ininterruptamente, esperando o povo de Deus para um encontro de renovação espiritual, bem dentro da própria liturgia quaresmal, de penitência, conversão e mudança de vida que estamos vivendo.

Num mundo do efêmero, da busca do prazer desenfreado, é hora de viver as realidades eternas. Acerca da importância da confissão, desacreditando uma mentalidade tendenciosa de que as pessoas preferem se confessar diretamente com Deus, o papa Francisco nos ensina, com simplicidade e clareza, na audiência geral em que eu participei antes do meu cardinalato: “Alguém poderá dizer: ‘Eu me confesso diretamente a Deus’. Sim, tu podes dizer a Deus: ‘Perdoa-me’, e dizer a ele teus pecados. Mas nossos pecados são também contra os nossos irmãos, contra a Igreja, e por isso é necessário pedir o perdão à Igreja e aos irmãos, na pessoa do sacerdote. ‘Mas, padre, tenho vergonha! ’. Também a vergonha é boa, é ‘saudável’ ter um pouco de vergonha” (Audiência do papa na Praça de São Pedro, 19/02/2014).

Continua o papa Francisco: "Para desafogar-se, é bom falar com o irmão e dizer ao sacerdote estas coisas que pesam tanto no meu coração: sente-se que se desafoga diante de Deus, com a Igreja e com o irmão. Por isso, não tenham medo da confissão. A gente, quando está na fila para se confessar, sente todas estas coisas — também a vergonha —, mas depois, quando termina a confissão, sai livre, grande, belo, perdoado, branco, feliz. E isto é o bonito da confissão”.

Façamos um sério exame de consciência prévio seguido do propósito de conversão e mudança de vida, ou seja, de não voltar a pecar e da satisfação da pena, que é a penitência.

Façamos uma confissão completa e bem feita, sem pressa, com muito critério espiritual. Por isso, espero que este dia completo para o Senhor seja o tempo favorável para uma autêntica conversão para vivermos o que unicamente nos basta: a santidade e preservar a graça de estado.

* Dom Orani João, cardeal Tempesta, cisterciense, é arcebispo do Rio de Janeiro.

Tags: alegria, confissão, conversão, efêmero, papa, quaresma

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