Uma porta-bandeira antenada com a modernidade
JB Online
RIO - Estreante como porta-bandeira da Portela no Carnaval deste ano, Lucia Nobre destacou, durante visita à redação do Jornal do Brasil a importância do enredo da escola, que fala sobre a inclusão digital em comunidades carentes.
- Muita gente que não tem nem noção de certos termos tecnológicos e agora já tomou conhecimento de sua existência - disse a irmã de Dudu Nobre.
Lucia contou ainda um pouco de sua trajetória como porta-bandeira.
- Completo, este ano, meu 17º desfile. Para mim é uma ocasião muito especial - afirma.
Para Lucia, que também dá aulas de porta-bandeira na Portela, um dos grandes atrativos da escola é o seu compromisso com a formação da criança e do jovem, uma vez que promove diversos cursos com foco na inclusão social.
- Faço parte do projeto 'A gente que é arte'. Além de formar novos portelenses, a iniciativa possibilita a formação de jovens carentes em cursos de percussão, pintura, entre outros - explica.
Falando sobre sua influência sambista, a porta-bandeira explicou que quando pequena acompanhava as atrações do restaurante de sua mãe em Vila Isabel, chamado Fundo de Quintal. E o fato de nomes como Dona Ivone Lara, Zeca Pagodinho e o grupo de samba Fundo de Quintal serem atrações constantes na casa, possibilitou um contato direto com este universo.
- Cresci escutando samba. Quando nossos pais iam para o samba da Unidos de Vila Isabel, eu e meu irmão subíamos no terraço de nossa casa para escutar as canções da escola. Lembro das letras até hoje - brinca.
Além de sua essência sambista, Lucia revelou que recorre a rituais especiais antes de entrar na avenida. Segundo ela, o desfile começa a ganhar energia horas antes.
- Gosto de chegar mais cedo, para me maquiar antes de entrar, com o pé direito. Faço pilates, alongamento, uma hora e meia de aquecimento, com um fone de ouvido, que toca mantras tibetanos que, influenciados pelo meu pai, me fazem relaxar, naquele momento de tensão - revela.
A porta-bandeira não deixou de citar um momento marcante de sua vida na avenida. Para ela, o desfile da Mocidade, de 1997, com o samba-enredo De corpo e alma na Avenida foi muito importante para a sua formação quanto sambista.
- Desfilei como bailarina, mas trabalhava como secretária da escola. Ajudei na produção e na escolha das pessoas que iriam compor as alas. Foi inesquecível. É uma pena termos ficado em segundo lugar, naquele ano -diz Lucia que tem como planos, após o carnaval, iniciar seu curso de jornalismo.
- Sempre estive ligada à informação. Tenho blog, acesso twitter. Assim como o samba enredo da escola, posso dizer que faço parte da modernidade, finaliza.
