Profissionais com iniciativa assumem o leme
Paulo Kretly , JB Online
RIO DE JANEIRO -
Presidente da FranklinCovey Brasil
Se usarmos com sabedoria os níveis de iniciativa, o círculo de influência ganha amplitude
É comum aos brasileiros falar de suas insatisfações com relação aos políticos, reclamar da violência ou da sujeira das grandes metrópoles. No mundo corporativo o clima não é diferente. Muitos profissionais acreditam que suas carreiras estão truncadas porque não são reconhecidos, não têm sorte e porque não surgem oportunidades para eles. A célebre frase de Gandhi, Devemos nos tornar a mudança que queremos para o mundo , parece utópica e impossível de se tornar real, mas se formos como trim tabs qualquer transformação será possível de acontecer.
No barco ou em um avião, o trim tab é um pequeno dispositivo que movimenta o timão e altera o rumo a ser seguido. Trazendo a experiência para nossa realidade pergunto: em que situações somos capazes de mudar a condução do que não concordamos? Só se estivermos em posição de liderança, seja política ou corporativa? A resposta é não, e a linha de raciocínio é simples. Se não gosto do caráter dos políticos que estão no poder, é necessário fazer as seguintes perguntas: eu entendo o poder do meu voto? Eu sei em quem votei nas últimas eleições? O que eles têm feito pelo povo? Como posso refletir minha insatisfação com os candidatos que escolhi, nas próximas eleições?
Se o voto consciente pode transformar o Brasil, no mundo dos negócios, pequenas mudanças também alteram o todo. Acredito que há numerosos trim tabs potenciais em qualquer organização - empresas, governos, escolas, famílias, organizações sem fins lucrativos e comunidade - que podem mudar e espalhar sua influência, qualquer que seja a posição que ocupem. Eles se movimentam e levam suas equipes ou departamentos a agirem, de modo a afetar positivamente toda a organização , esta afirmação de Stephen Covey, um dos maiores pensadores da era do conhecimento, em seu livro O Oitavo Hábito - da Eficácia à grandeza, é totalmente procedente. Tomar a iniciativa é uma forma de conferir poder a nós mesmos. É envolver-se autenticamente no processo de descobrir caminhos. Exige visão e o envolvimento do coração no que fazemos com base em princípios. Assim, podemos subir a escada da confiabilidade, melhorando continuamente o nosso caráter e as nossas competências.
É preciso julgamento e sabedoria para reconhecer que nível de iniciativa exercer. O por quê? em geral tem a ver com a inteligência espiritual, já que estamos pensando de modo analítico, estratégico e conceitual. O quando e o como estão mais ligados à inteligência emocional, visto que estamos lendo o ambiente, atentando às normas culturais e políticas que operam e apreciando nossas próprias forças e fraquezas. Se usarmos com sabedoria os níveis de iniciativa, verificaremos que nosso círculo de influência se amplia cada vez mais, até abranger todas as nossas funções dentro do cargo.
O segredo é ter a busca da excelência como meta e sempre fazer a pergunta-chave: qual a melhor coisa que posso fazer nestas circunstâncias? Certamente reclamar, criticar ou transferir a culpa para terceiros, não são as respostas ideais para quem busca mudanças.
Independente do nível que decidimos agir, o importante é lembrar que o futuro não pode se tornar refém de um passado, fazendo a pessoa cair na armadilha da codependência que dissemina o que chamamos de cânceres emocionais metastáticos: crítica, reclamação, comparação, concorrência e briga. Esses cânceres vão espalhando suas células malignas nos relacionamentos e às vezes em toda a cultura. Então a organização fica polarizada, dividida, e com baixos resultados.
Se tivermos um espírito de trim tab, qualquer que seja a questão, problema ou preocupação com que nos depararmos sempre nos fortaleceremos tomando algum tipo de iniciativa. Ao usarmos a filosofia grega da influência chamada Etos (natureza ética), Patos (estado de espírito) e Logos (inteligência), veremos o aumento gradativo de nossa influência. A sequência é da maior importância. Passar ao logos antes que as pessoas sintam que são entendidas é inútil; tentar criar entendimento quando nosso caráter não tem credibilidade também é inútil. A liderança é uma questão de escolha.
