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O teste da orelhinha

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Cláudio Coelho, Jornal do Brasil

RIO - Nasceu! Menino ou menina não importa! O que os pais mais desejam é que o bebê seja saudável e se desenvolva bem. Para isso nada melhor que realizar exames simples nos recém-nascidos que podem evitar problemas mais sérios no futuro. Em relação à audição, existe o teste da orelhinha, simples e essencial.

Um dos sentidos mais importantes para o desenvolvimento completo da criança é a audição. O bebê já escuta desde bem pequeno, antes mesmo de ser erguido pelo doutor em sua apresentação ao mundo. Isso acontece a partir do quinto mês de gestação, onde o bebê ouve os sons do corpo da mamãe e sua voz.

Quase 6 milhões de brasileiros têm algum problema auditivo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

É imprescindível para todos os bebês que o exame seja feito logo ao nascer, principalmente àqueles que nascem com algum tipo de problema auditivo. Estudos indicam que um bebê que tenha um diagnóstico e intervenção fonoaudiológica até os seis meses de idade pode desenvolver linguagem muito próxima a de uma criança ouvinte.

Esse exame consiste na colocação de um fone acoplado a um computador na orelha do bebê que emite sons de fraca intensidade e recolhe as respostas que a orelha interna do bebê produz.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde OMS cerca de 1,5% da população brasileira apresenta algum tipo de deficiência auditiva com grau variável entre leve a profundo. Estima-se no Brasil que em cada mil nascimentos, três a cinco crianças possuem algum tipo de deficiência auditiva, seja ela de origem pré-natal (durante a gestação), perinatal (durante o parto), ou pós-natal (após o nascimento).

O bom dessa história é que em 50% a 75% dos casos, a deficiência auditiva pode ser detectada ainda na maternidade através da utilização do teste da orelhinha. Por outro lado, a maioria dos diagnósticos de perda auditiva em crianças acontece muito tardiamente, com 3 ou 4 anos, quando o prejuízo no desenvolvimento emocional, cognitivo, social e de linguagem da criança está seriamente comprometido.

Há os bebês que apresentam maiores fatores de risco para a surdez. São os casos em que já existe um histórico de surdez na família; ou em situações de infecção congênita (rubéola, sífilis, toxoplasmose, citomegalovirus e herpes) passada pela mãe; anormalidades craniofaciais (má formação de pavilhão auricular, fissura lábio palatina); ou ainda em decorrência de uso de medicamentos, como antibióticos ou antiiflamatórios, entre outros.

Fácil, rápido e sem dor, o teste da orelhinha é realizado com o bebê dormindo, em sono natural, é indolor e não machuca, não precisa de picadas ou sangue do bebê, não tem contra-indicações e dura em torno de dez minutos.

A deficiência auditiva durante a infância tem um efeito devastador, pois sempre resulta em déficits na recepção e expressão da linguagem, que compromete o desempenho das funções cognitivas, emocionais, sociais e comunicativas da criança, prejudicando muito o desenvolvimento global da criança.

Portanto, o teste da orelhinha é algo fundamental ao bebê, já que os problemas auditivos afetam a qualidade de vida da criança, interferindo no processo da fala, entre muitas outras coisas.

Cláudio Coelho é otorrinolaringologista.