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Emergentes em caminhos opostos na economia

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Editorial, Jornal do Brasil

RIO - Nesta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, em Londres, o título de Estadista do Ano, concedido pelo influente jornal Financial Times. Ante uma plateia de empresários brasileiros e britânicos, Lula voltou, como adora fazer, a enaltecer a pujança da economia brasileira, desfilando uma série de índices que comprovam que saímos da crise econômica global mais fortes, em certo sentido, do que nela entramos. E o que mais deixa os políticos da oposição estressados é que são números de difícil contestação.

Apenas para que se tenha uma ideia superficial do momento positivo que vive o país algo visível, por exemplo, nas vitórias para sediar a Copa do Mundo e a Olimpíada, o que só se consegue quando há extrema confiança da comunidade internacional na capacidade da nação postulante cabe uma comparação com um país que antes da crise era tido, havido e sentido como uma força emergente na Comunidade Europeia: a Espanha.

Enquanto diferentes institutos econômicos divulgam semanalmente índices alentadores quanto a emprego, produção industrial, comércio interno e externo no Brasil, a Espanha patina na crise, que para ela e para outros figurões do primeiro mundo parece não ter mais fim.

Por lá, mais de 1 milhão de espanhóis perderam seus postos de trabalho este ano, e muitos deles foram obrigados a voltar à agricultura o que criou um segundo problema, já que os desempregados tiraram o lugar aos imigrantes ilegais, que acabaram em acampamentos improvisados, em bosques e matas próximas às plantações.

Organizações de apoio social, como a Cáritas, afirmam que, se aplicado o critério europeu para definir a pobreza viver com menos de metade do rendimento médio nacional disponível existem atualmente na Espanha, nessa condição, quase 2,2 milhões de famílias, ou 8 milhões de pessoas. Lá, o desemprego já ultrapassou os 18% e pode continuar a crescer até o fim de 2010.

Em meados deste 2009, quase 6,5% dos lares espanhóis tinham todos os seus integrantes desempregados, e 470 mil famílias não possuíam fonte de renda de qualquer espécie.

As contas do governo Zapatero indicam que entre 560 mil e 675 mil famílias vivem em pobreza extrema, com graves carências de emprego, habitação, educação e saúde. A própria Comissão Europeia advertiu a Espanha, há seis meses, sobre a necessidade de combater a pobreza no país, que atinge 20% da população o segundo índice mais alto dentro do bloco europeu.

Um outro link entre os emergentes Brasil e Espanha é que na lista das poucas empresas ibéricas que não foram atingidas pela crise estão a operadora de telefonia Telefónica e o Banco Santander. Não por coincidência, uma parcela significativa de seus lucros vem das subsidiárias brasileiras.

Assim, antecipações de campanha e cabotinismos à parte, Lula tem todos os motivos para se orgulhar da situação do Brasil, especialmente quando olha em volta e focaliza em outros emergentes e até em gente mais ilustre. Os saltos de qualidade na economia e na política internacional certamente serão pesados escudos da candidatura petista à Presidência, em 2010, e darão enorme trabalho aos demais concorrentes ao cargo.