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Moradias populares são a solução

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Artur José Macedo de Oliveira, Jornal do Brasil

RIO - Vejo, como principal fator para o crescimento do número de pessoas que vivem nas ruas, a falta de investimento do estado na construção de residências para a população de baixa renda. Também contribui para o agravamento deste quadro, a inoperância dos órgãos destinados ao atendimento deste contingente como a Fundação Leão XIII e os grupos de assistência social das prefeituras que cresce cada vez mais em grandes centros urbanos, como Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e outros.

Percebo no Rio uma falta de interesse pelo assunto. Não agora, que foi confirmada a realização da Copa e da Olimpíada na cidade. Existem profissionais de arquitetura, principalmente no meio acadêmico, interessados neste assunto e preocupados com ele. Não podemos esquecer que, embora tenham um cunho social, os grupos que distribuem alimentos e agasalhos pela cidade durante a noite eu faço parte de um deles às vezes também provocam o assentamento desta população em alguns desses espaços, à espera dos donativos. Mas acredito ser um mal necessário, pois a fome é madrasta e leva o homem a cometer atrocidades.

Somente uma política de criação de novos postos de trabalho, de construção de residências de baixa renda, pode resolver o problema vale lembrar que o último grande investimento visto nesta cidade foi a construção de Sepetiba 1 e 2 , na Zona Oeste, para abrigar os moradores da favela Nelson Mandela que perderam tudo em um incêndio. O crescimento exagerado das favelas ou comunidades carentes é um exemplo dessa condição.

Como urbanista, vejo a necessidade de pensar o espaço das cidades em função do homem que nelas habita. Como indivíduo, como cidadão, acredito na necessidade de preparar este homem para sua inserção na sociedade urbana.

Usando como exemplo gestões anteriores, governadores, prefeitos etc, que executaram obras nesta proporção a Vila Kennedy é uma dessas obras que exemplificam o assunto acho que vale a pena citar as obras do arquiteto Reidy e lembrar de como era tratado esse assunto na época do Estado da Guanabara, antigo Distrito Federal.

Na UFF-EAU existem pesquisas nessa área. Gostaria de lembrar também que as obras Reidy, o arquiteto do pedregulho e de outras obras sociais, serão futuramente comemoradas com exposições.

Não devemos esquecer que o governo federal, com o PAC, tem tentado solucionar o problema. Mas acredito que estão apenas dando o peixe a quem tem fome e esquecendo da vara e da isca para seguirem depois. Moradia decente, não é luxo, é direito de todos.

Artur José Macedo de Oliveira é arquiteto e urbanista.