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Patrimônio cultural do Rio pede socorro

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Editorial, Jornal do Brasil

RIO - Capital do Brasil Colônia, do Império e de quase oito décadas da República, o Rio de Janeiro é hoje a cidade que mais tem monumentos públicos no país. Mas esta herança dos tempos áureos, formadora de verdadeiro museu a céu aberto, vem sendo degradada dia a dia, sobretudo devido a atos de vandalismo. Apesar dos esforços da prefeitura só no ano passado foram gastos R$ 900 mil para recuperar, de maneira precária, parte dos 694 monumentos espalhados pelo espaço urbano a depredação ainda impera.

Conforme destacou o Jornal do Brasil em reportagem publicada ontem, a falta de placas explicativas junto aos bustos e estátuas da cidade tornou-se uma regra. No Largo de São Francisco, no Centro, a obra doada pela Argentina ao Brasil pelo centenário da Independência perde o sentido por não ter um letreiro explicativo. O monumento, recuperado em julho do ano passado, já perdeu também outras partes. Da musa da Sciencia, uma das quatro que circundam a figura de José Bonifácio, foi retirado um objeto de sua mão. Nem mesmo a grade protetora foi poupada: pelo menos uma dúzia de lanças já foi levada. Na verdade, o gradil acaba por aumentar a oferta de metal a ser roubado.

Igualmente deteriorada se encontra a estátua equestre do General Osório, na Praça 15, evidenciando mais uma grande perda para a história do Brasil. A escultura, de Rodolfo Bernadelli, foi feita em bronze fundido a partir dos canhões paraguaios trazidos como troféus da guerra vencida pelo Brasil (1864-1870). Uma coroa de louros feita em metal foi roubada, bem como a espada do herói nacional. Outra vítima constante do ataque de vândalos é a estátua de Carlos Drummond de Andrade, no calçadão de Copacabana. A obra já perdeu os óculos cinco vezes desde que foi inaugurada, em 2002, para comemorar o centenário do nascimento do poeta. A triste repetição do crime levou uma empresa privada a adotar o monumento. Dentro de um mês, uma câmera será instalada e passará a vigiar o local 24 horas por dia.

Medidas mais incisivas também podem dar resultado. A repressão policial, com a devida civilidade, deve ser adotada como solução a curto prazo. Sabe-se que muitos dos vândalos, na verdade, são moradores de rua, que, para manterem o vício do álcool e drogas, retiram pedaços de metal das imagens e grades e revendem a preços irrisórios para lojas de material de construção. Contudo, a conscientização sobre o patrimônio cultural contido nos monumentos, principalmente voltada para as novas gerações, seria a solução mais duradoura. Não só as escolas como cada família têm parte da responsabilidade por esse despertar da cidadania.

A Prefeitura do Rio diz que as cifras geradas pelo ataque a monumentos são incalculáveis. De acordo com a Fundação Parques e Jardins, órgão municipal ligado à Secretaria de Meio Ambiente, uma placa de bronze nas dimensões de 45 centímetros por 50 centímetros custa R$ 2 mil. As chapas com letras desenhadas chegam a custar R$ 6 mil. Pelos cálculos da Fundação, o prejuízo que a prefeitura tem com a reposição dessas placas é entre 10 e 15 vezes maior que o lucro do autor do vandalismo. Uma conta lastimável e demasiado cara para os verdadeiros cidadãos cariocas.