Inspirado na Lapa, 'Fashion Rio 2009' investe no setor de negócios
Jornal do Brasil
RIO - A Marina da Glória vai se transformar na Lapa. Os visitantes e convidados da edição de inverno 2009 do Fashion Rio, que começa no domingo, vão encontrar um ambiente diferente do tradicional trio de tendas onde se realizam os desfiles.
De acordo com o tema Rio, caleidoscópio de culturas, concebido e dirigido por Eloysa Simão e organizado pela Firjan, com Eduardo Eugênio Gouvea Vieira à frente, o espaço externo da Marina será decorado por painéis formados por banners representando os arcos da Lapa e os bondinhos de Santa Teresa.
A cenografia é de Ricardo Nauemberg, diretor de cinema, que preparou os originais em preto e branco, desenhados com lápis 6B.
É um visual que lembra o filme Metrópolis e as gravuras de Escher e Basquiat, já que a Lapa atrai grafiteiros explica Nauemberg, que pretendia montar os banners com 12 metros de altura, mas decidiu reduzir para 8 metros, para evitar problemas de estrutura.
Fiz questão de armar um dos painéis, para testar o que aconteceria com chuva e vento. Em uma semana, o painel já enfrentou temporais e até uma boa ventania.
Até ontem, Nauemberg estava às voltas com a iluminação, quase toda em preto-e-branco.
Com um toque de âmbar no máximo arremata.
Mais de 100 expositores
A cenografia é apenas uma das novidades do Fashion Rio. O setor denominado Fashion Business, onde se concretizam as vendas e contatos com lojistas, ganhou mais importância. São mais de 100 expositores, entre artesãs e confecções de pólos produtivos (selecionados pelo Sebrae), estilistas e marcas já estabelecidas, como Glorinha Paranaguá e Mara Mac, ou estreantes, como a mineira Vivaz.
Além do mix de produções nacionais, há estilistas internacionais, trazidos pela FedEx, uma das empresas patrocinadoras do evento, que tem custo aproximado de R$ 7 milhões. E mais um grupo de marcas francesas, que participam do intercâmbio entre expositores do Fashion Business e do Salão do Prêt-à-Porter de Paris.
As passarelas das salas de 400, 600 ou 1.200 lugares serão ocupadas por 33 estilistas ou marcas, mais os 12 integrantes do Rio Moda Hype, que revela e premia novos talentos vindos de várias cidades do país. Para o inverno, as coleções prometem uma boa dose de exotismo, já que as tendências indicam as inspirações nos nômades e nas etnias africanas, orientais ou indianas.
Desta vez, a calça sarouel pega afirma Mara MacDowell, dona da Mara Mac, uma das âncoras do evento.
Seu estilo de inverno se baseia no Caminho do Chá, uma rota que vai incluir a tal calça indiana, roupas em malhas ou em mistos de algodão e seda, cores neutras e botas molengas, que deixam dedos e calcanhar de fora.
Será uma mistura de Oriente, Índia, China, Japão, sem exagero nas fantasias ou quimonos estilizados.
São formas desestruturadas, artesanais, de aspectos inacabados. Para dar uma definição bem conceitual, diria que é a beleza do imperfeito. Em matéria de Oriente, no máximo, temos faixas marcando a cintura, que lembram os obis. Mas não são obis avisa Mara.
Além de contar com a modelo Isabelli Fontana no elenco, a Mara Mac deve distribuir um dos brindes mais cobiçados: uma caixa de chás, incluindo o sofisticado chá branco, ofertada aos convidados vips pela Mate Leão.
Que, aliás, mudou o nome da empresa para Grupo Leão porque, além do tradicional mate, servido geladinho nas praias cariocas, vai investir em todos os tipos de chás. Mais uma novidade do Fashion Rio, que abre no domingo com o desfile das menininhas da Lilica Ripilica.
