Jornal do Brasil

Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018 Fundado em 1891
Hildegard Angel

Colunistas - Hildegard Angel

Só faltou o Maestro Severino atacar marchinha de carnaval para animar de vez o sacrilégio

Jornal do Brasil

Quem não tem cão caça com gato. Quem não tem Baile do Copa caça com Baile do Met. Ou vice-versa. Pois, esta semana, assistir à entrada do Baile do Metropolitan Museum teve um certo déja vu. Foi praticamente como assistir à entrada do Baile do Copa na turma do sereno, com os grandes costureiros do carnaval assinando as roupas mais espetaculares. Tipo o Henrique Filho, que veste como deusas as Rainhas do Baile e de Bateria, desde as Galisteus e Lumas até as atuais Sabrinas e Julianas, sempre leves, etéreas, majestosas. O Baile do Met também é temático. Este ano, o tema foi “Corpos Celestes: Moda e Imaginação Católica”, celebrando a exposição sobre moda eclesiástica inaugurada no Fashion Museum. 

As maiores celebridades do mundo vestindo looks excêntricos e luxuosos

(Da esquerda para a direita) Blake Lively: vermelho Vaticano; Rihana iconoclasta; Lana Del Rey:  Espírito Santo azul; Ariana Grande: teto da Sistina por Da Vinci; Jeremy Scott e Cardi B de Moschino; Cara Delevigne: na clausura; Evans Rachel; Katy Perry, anjo de procissão; Jared Leto: Jesus Cristo; Amal Clooney, rosas vermelhas de Santa Terezinha; Chadwick Boseman, o Pantera Negra, eleito o Mais Bem Vestido do Met Tayor HillLily CollinsSanta MadonnaSarah Jessica Parker: Presépio na cabeça

Lá estavam as maiores celebridades do mundo, vestindo looks excêntricos e luxuosos, assinados pelos grandes estilistas da atualidade, lembrando, alguns deles, fantasias de carnaval de luxo. O que foi uma grande oportunidade para os costureiros italianos, impregnados com a ambiência católica do Vaticano, brilharem. Gucci, Valentino, Gianbatista Valli, Moschino, Versace, Dolce&Gabbana estiveram imbatíveis com suas criações, excedendo-se, sem cerimônia, nos símbolos sacros. O Espírito Santo virou cocar, o Sagrado Coração serviu de liga de meia e as cruzes abundavam, que o digam Madonna e as voluptuosas Kardashian. Na moda não há há heresias. Sem esquecer um oratório, com a Sagrada Família dentro, que Sarah Jessica Parker equilibrava na cabeça, e arrancou aplausos desde a saída de casa, em West Side, quando ela desceu a escadinha de sua Townhouse e entrou na Van de teto alto, que precisou ser providenciada, para caber a catedral. Enquanto Ariana Grande cobriu-se de pintura do teto da Capela Sistina, Rihana foi de branco com a Mitra e a capa do Papa, mas as pernocas de fora. Cardeais, bispos, padres, os homens foram o plus da noite, a moda masculina realmente superou-se, com capas, estolas, smokings e ternos bordados e rebordados com crucifuxos, hóstias, cálices, missais, pombas e muito vermelho. No meio de tanta santidade, havia um com smoking de cetim todo vermelhinho, inclusive nos sapatos. Até ELE foi, socorro!

                                                                ***

O GALA DO MET é planejado meses antes pela diretora de moda da Vogue, Anna Wintour. É o evento do ano da moda no mundo. Cada roupa que cada celebridade usará é planejada para satisfazer os holofotes da mídia. O Baile traduz a liberdade de criar, para que a moda se mantenha sempre no patamar de expressão artística, pois assim é considerada e preservada em museus de todo o mundo.

Com João Francisco Werneck



Tags: angel, borbulhantes, coluna, hildegard, jb

Compartilhe: