Jornal do Brasil

Domingo, 15 de Julho de 2018 Fundado em 1891
Hildegard Angel

Colunistas - Hildegard Angel

Nova ordem mundial: chegada a hora da negritude

Jornal do Brasil

A África vive o frisson, no momento, de várias semanas de moda. São fashion weeks de Lagos a Johannesburgo, com variedade incrível de designers africanos se lançando, clientes da elite africana e mídia africana. A diversidade na moda do continente alcança proporções fantástica, e a pergunta que é unanimidade entre os poderosos e estilosos, estejam eles na primeira fi la dos desfi les, no backstage ou na periferia da moda é: “Onde está a Vogue África?”. O comentário é da BoF profession, site de analistas da moda, que sempre acerta na mosca, antecipa e cobre o que vai pelo mundo da moda. Com o advento da Vogue Tchecoslováquia, depois de já haver Vogue no Oriente Médio, aumentou a cobrança junto à editora Condé Nast International por uma Vogue África. O mercado quer e não é de hoje.  Em 2010, o camaronês Mario Epanya, distribuiu uma série de capas fi ccionais de Vogue África (baixo três delas), propondo a questão. A modelo Naomi Campbell, recentemente, em fashion week na Nigeria, disse “Deveria haver a Vogue Africa. Acabamos de ter a Vogue Arábia, é o que se espera”. 

África é um continente com 54 países. É insaciável o apetite africano por marcas de luxo, como Gucci, Prada, Louis Vuitton, que abriram lojas no continente africano. Miséria à parte, foram US$ 5.9 bilhões gerados pelo setor luxo na África em 2016. E durma-se com isso. Projeta-se crescimento de 90% milionários em Adis Abeba, Dar es Salaam e Kampala, de 2016 a 2026. E se vê uma proliferação de lojas conceito de luxo em Lagos, Johannesburg e Nairóbi. O sucesso de fi lmes como Pantera Negra, de artistas africanos, como Lupita Nyong’o e Trevor Noah, a abertura, ano passado, na Cidade do Cabo, do Zeitz MOCAA - Cape Town of Zeitz Museum of Contemporary Art Africa, e os maridos de ébano do família-fenômeno-pop Kardashian, os rappers extraordinários, os atletas no pódio da mídia internacional, tudo aponta para o protagonismo mundial, não só da África, como da própria negritude, Black is Beautiful na moda, que signifi ca muito mais do que roupa. É um segmento enorme de consumo, que começa em roupa e vai até automóveis, mercado imobiliário etc... Daí que os loucos por moda, os LPM, propõem a hashtag #VogueAfricaYourTimeIsNow.

BORBULHANTES

INTERAGIR COM O espaço, através de uma imersão em universo novo, inovador, constituído por tecnologias possíveis e, as vezes, inacreditáveis... TER SENSAÇÕES imprevisíveis e devastadoras, como a de deitar em um banco em uma das salas do primeiro andar do CCBB e, no segundo seguinte, feito mágica, vivenciar a experiência de estar em uma praia, e com o corpo de outra pessoa. Assim é a realidade virtual... ASSIM É O FILE o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica inaugurado no CCBB, e nós tivemos a oportunidade de ser dos primeiros, em tour guiado pela curadora Paula Perissinotto... SÃO OBRAS QUE retratam, não apenas o que há de novo em tecnologia, mas, sobretudo, o que veio para ficar e destruir o que já conhecemos... Sim, o FILE é revolucionário. Ele impressiona, apresentando um mundo alternativo, onde é possível, sim, estar em vários lugares ao mesmo tempo. É a realidade virtual... O FILE  é uma daquelas mostras imperdíveis, e está aberta ao público até quatro de junho... JOSÉ DIRCEU já se organizou para sua eventual prisão na quinta-feira, caso o TRF-4, que se reúne neste dia para julgar os embargos, assim decida... DIRCEU MARCOU um jantar na terça, com seus advogados, e na quarta, com sua família... SE FOR mantida a pena de 20 anos e 10 meses de prisão, ele deverá ficar em regime fechado por pelo menos três anos, antes de progredir para o semiaberto, em que poderá deixar a prisão durante o dia para trabalhar... INÁBIL, O PT MARCOU, sem o conhecimento de Dirceu, uma plenária com a militância no auditório do Sindsep - DF, na segunda-feira próxima, anunciando com estardalhaço sua presença. Um banner virtual foi espalhado nas mídias sociais. José Dirceu em foto grande de punho fechado estendido... JOÃO PEDRO Stédile, ao lado, em foto menor... AOS JUÍZES, pode ter parecido provocação... PARTIDO MUI amigo é isso aí. A avaliação é minha... HISTORICAMENTE DESIGUAL, vivendo a pior crise de seus 518 anos, o Brasil precisa mais do que nunca de um Projeto de Nação...  PORÉM, ISSO só será possível realizar na defesa da democracia e dos direitos humanos... FOI O RECADO deixado pelos palestrantes do painel Construção de um Estado Democrático de Direito, realizado no Clube de Engenharia, na quinta-feira... PEDRO CELESTINO, presidente do Clube, um pensador do Brasil, cujos problemas conhece em profundidade, abriu o debate  lembrando que, diante do agravamento de nossa crise,  a resposta da sociedade deve vir, uníssona, na defesa da democracia e da Constituição de 1988... MEMBRO DO Comitê Fluminense do Projeto Brasil Nação, Antônio Carlos Biscaia endossou: “O momento exige a unificação das forças democráticas e progressistas, porque o quadro institucional que se avizinha é extremamente preocupante”... “SOMOS O PAÍS campeão em desigualdade. Democracia, justiça, soberania, desenvolvimento, não se completam em meio a desigualdades. E ainda mais: não se completam em meio a discriminações, contra negros e negras, mulheres, deficientes, LGBTs”. Que disse foi o representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), seu , advogado e Secretário-executivo na Comissão Brasileira de Justiça de Paz, Carlos Moura... QUE CITOU DADOS do IBGE. O Brasil é um dos 15 países mais desiguais do mundo, onde a concentração de renda permaneceu inalterada em 2017 e os mais pobres foram os mais afetados... FALOU COM gravidade, e questionou: “Temos um Estado Democrático de Direito quando temos um governo alinhado com o neoliberalismo, que congela verbas pela famigerada Ementa 95, que surrupia verbas destinadas à saúde, educação? Um governo que destrói a CLT, e que atinge a grande massa de trabalhadores brasileiros?”... INCANSÁVEL EM seu bom combate, o ex-ministro da Ciência e Tecnologia Roberto Amaral falou enfático, como é de seu costume: “Eu me pergunto se é possível falar sobre Estado Democrático, democracia e direitos, nesta sociedade que o Moura acabou de reduzir em números”... LEMBROU QUE, sempre que se fala em Projeto Nacional, falam de Vargas e Geisel, mas para ele não é. Porque o de Vargas nasceu um projeto de ditadura, do Estado Novo. E o projeto de Geisel, de infraestrutura, também envolveu censura e tortura... QUER SABER do povo: “Como vamos nos identificar como brasileiros? Qual nosso papel na América Latina, diante da conjuntura internacional, como construtores da paz ou da guerra? Qual nosso papel diante da concentração do latifúndio, da destruição da indústria nacional? Permitiremos que esse país seja hoje como era em 1930, um exportador de grãos e de matéria-prima?”... CONCLAMOU AS instituições presentes a fazerem uma cruzada pelo país auscultando e discutindo o Brasil: “Tentar identificar o que nos unifica. Um valor nacional independente de nossas diferenças de religião, raça, renda”... SATURNINO BRAGA, presidente do Centro Celso Furtado, último a falar, fez sua avaliação: “Há três fatores que dificultam enormemente a prática democrática no Brasil: a falta de prática e de cultura política democrática; a desigualdade que o Carlos Moura ressaltou; e o interesse do grande capital estrangeiro”... AÍ FOI UM passeio histórico. Saturnino deu uma aula de Brasil, fascinante para quem assistiu. Fez um retrospecto histórico dos movimentos que levaram nosso país, de “quintal” da Inglaterra e dos EUA, até o momento em que, como parte do BRICS, o país galgou autonomia e soberania... E FEZ O lamento próprio do convicto democrata: “Não há nada que substitua a democracia, esse regime de igualdade na escolha do governo, na questão eleitoral, partidária, do debate, na formação da esfera pública”... FÔLEGO, copo d’água, e prosseguiu: ”Claro que temos sempre a ameaça do poder do grande capital, que não quer deixar o Brasil ser uma presença independente no mundo. E também da elite, associada ao grande capital e à mídia”... A MÍDIA predatória brasileira, sempre de braços dados com o retrocesso. Palavras minhas, não do Saturnino... FALANDO DA providência como urgente, emergencial, ele concluiu: “Não podemos cruzar os braços e aceitar isso. Temos de pensar como aperfeiçoar a democracia. A primeira coisa é o que o Clube e outras instituições estão fazendo: discutir o Brasil, discutir o Projeto de Nação. Em segundo, reduzir a influência do poder econômico na política, com medidas importantes, como a proibição do financiamento empresarial”... NO DIA SEGUINTE, Trump tratou de bombardear a Síria, guerra declarada pelo Twitter. E jogou bombas sobre Damasco, junto com Reino Unido e França, com as volutas de fumaça dos prédios em chamas subindo pelos céus... PRA QUÊ ONU, se bastam eles três? Estão convictos de que na Síria há armas químicas, mas não mostram as provas... NÃO É só no Brasil que não precisa de prova, basta ter convicção...



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