Jornal do Brasil

Quinta-feira, 26 de Abril de 2018 Fundado em 1891

Borbulhantes

Uma Constituição para suas convicções

Hildegard Angel hilde@jb.com.br

Primeiro, levaram a presidenta eleita. Depois, ceifaram os direitos dos trabalhadores. Em seguida, picotaram a Petrobras, e foram vendendo os pedaços aos estrangeiros, a preço de black friday. E assim continuaram, esvaziando a grade curricular das crianças brasileiras. Ambiciosos, cortaram por 20 anos os investimentos em saúde, educação, infraestrutura. Obtiveram o ‘milagre do crescimento’... do desemprego. Reconduziram o Brasil ao Mapa Mundial da Fome. Investiram contra as universidades públicas, obedecendo a um projeto de extingui-las. Nessa gana privatista, se preparam para enviar ao campo de extermínio a rede pública hospitalar, cujos recursos só minguam. O Banco do Brasil e a Caixa seguem rumo à privatização. A Eletrobras e nossos aquíferos, embalados para presente, leve dois, pague um. A privatização virou a solução de todos os problemas, e o tesouro pátrio queima nas mãos de quem quer dele se livrar, sem consulta popular, plebiscito, e sem voto delegado para isso. Depois de nos escalpelarem de todas as nossas certezas, nossa infraestrutura e nossos bens, nos levam o último sopro, a réstia de luz, o fiapo de perspectiva, nos roubam a esperança da liberdade de escolher e votar em nossa preferência. Roubaram a nossa esperança... Entortaram a Constituição Brasileira, a tornaram coxa, para forçosamente lhes satisfazer os desejos. Querem uma Constituição à imagem e semelhança deles, suas crenças e preferências. Uma Constituição para suas convicções. Não uma Constituição que contemple a todos indiscriminadamente. Mas apenas aos leitosos de olhos claros, narizes arrebitados e com todos os dedos das mãos.

AS PIPAS DE PATRICIA VOAM DIVERTIDAS E LIVRES PELO CÉU DAS CORES. DANÇAM, FAZEM PIRUETAS E JOGAM BANDEIRINHAS FESTIVAS SOBRE NOSSOS SENTIDOS (Leo Jaime)

Fotos de Cristina Granato sobre foto de parede com pipas, de José Peres, e foto de Yara Figueiredo e Flávia Curvelo, de Marcelo Borgongino

Ao som do Sax de Leo Gandelman, a artista plástica Patricia Secco empinou suas 50 pipas, no ar e nas paredes, no Centro Cultural dos Correios, com a Instalação “Revoada”. Os animais em extinção e o ciclo da vida das borboletas, na instalação “Metamorfose”, são temas dos demais trabalhos, que ocupam as outras salas, numa produção que absorveu três anos de trabalho, atraindo ao vernissage, aí no quadro acima, da esquerda para a direita, no sentido relógio: Com a artista, Stella Lutterbach Portinari... Joana Motta e Ricardo Hachiya (que também expõe nos Correios)... Yara Figueiredo e Flavia Curvelo... Sergio Margules com sua mulher, a artista Patrícia Secco... Teresa Freire e Antônia Secco, filha de Patricia... Napoleão Lacerda... Marisa Graça e Mercedez Masque... Ticiana Azevedo, Jorge Barata, Myra Assefi e Barbara Athayde... 

BORBULHANTES

CÂMARA Municipal do Rio de Janeiro viveu uma tarde inusitada, numa sessão com o espírito totalmente carioca... ERA O DIA DA votação do projeto que reserva 5% das vagas de trabalho nos canteiros das obras públicas aos moradores de rua, e um grupo deles foi barrado na entrada porque vestia bermudas... MAS OS despossuídos de calças compridas insistiam com veemência em acompanhar a votação do projeto (aquele de que o presidente da Firjan discorda, lembram?)... CRIATIVA, A VEREADORA Luciana Novaes correu numa loja e comprou uns panos, que eles enrolaram na cintura e usaram como saias, conseguindo entrar na Câmara, onde obtiveram grande vitória, na segunda discussão da lei... E OS MENDIGOS, todos lá na galeria, na maior euforia e torcida, num verdadeiro agito de saias. Foi o Sem Teto Fashion Show... FALECEU A QUERIDA Marly Índio da Costa, uma das mais lindas mulheres de sua geração. Era muito vaidosa e os anos não passavam para ela. Já há alguns anos Marly padecia de um desses males degenerativos, que cada vez se tornam mais comuns e frequentes. Estava bem, fisicamente, apesar de não reconhecer mais ninguém. Ao lado de Luís Felipe, formou um dos casais mais felizes e bem entrosados da sociedade carioca... A MONIES é uma marca de bijuterias dinamarquesa que fascina pelo inusitado da mistura do couro legítimo à madrepérola, ao acrílico colorido folheado a ouro  24k, vindo da Groenlândia, ou prata... ELA TEM LOJAS em Paris, Roma, Zurique, Istambul e, naturalmente, em Copenhagen. Sua proprietária é a designer Gerda Monies, há 40 anos à frente da marca, sempre criando e se renovando... A ÚLTIMA COLEÇÃO mistura o couro a pedras e pérolas em colares curtos e longos, pulseiras e anéis... MONIES TAMBÉM está no Brasil, no Rio de Janeiro, mais precisamente em Ipanema, no studio Rajasthan, de Sergio Carvalhal, que foi até Paris conhecer de perto o trabalho da designer, na abertura da loja francesa, e se entusiasmou com a ideia de representá- la aqui... NEM TUDO ESTÁ perdido. Quando ainda há quem sonhe, ouse, se arrisque, ainda restam esperanças...

Desfile de saias na câmara do Rio

*Com João Francisco Werneck



Tags: borbulhantes, convicçoes, cultura, hildegard, pipas

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