Jornal do Brasil

Domingo, 24 de Junho de 2018 Fundado em 1891
Hildegard Angel

Colunistas - Hildegard Angel

Fabio Porchat - Uma ave rara

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Fábio Porchat é um boa praça. E isso tá logo na cara, isto é, tá no ar. A televisão é uma malvada, ela revela a alma. A do Porchat está ali, limpinha, translúcida. Todo ator tem um respeitável ego, mas há os que não se afogam nele. Como o Fábio. Este é o terceiro ano em que, por sua iniciativa, conta, risco e único patrocínio, acontece o Prêmio de Humor, contemplando os que se destacaram nessa área da dramaturgia. A Cerimônia de Premiação será amanhã, 20h30, na Tribuna C do Jockey Club Brasileiro.

Fábio Porchat é um cara de sucesso. Lidera audiência em seus horários na TV. Estoura bilheterias com seus fi lmes. Enche o cofre com o retorno de seu trabalho. Mas, vejam que coisa bela: ele pensa no conjunto, na classe a que pertence, em ver reconhecidos os seus companheiros. Porchat é ave rara. Leiam aqui.

Fabio Porchat recebe amanhã artistas, amigos e artistas no Jockey Clube

HA - Prêmio para o humor por que?  

FP - O Prêmio do Humor foi desenvolvido para premiar comédia, porque comédia nunca ganha prêmio. Quando comédia concorre já é uma loucura! E ganhar é raríssimo. Você não vê comédias ganhando Oscar de Melhor Filme, Globo de Ouro... A Melhor Comédia do Globo de Ouro foi o 'Perdido em Marte', que nem comédia é. Então o Prêmio do Humor foi para pensar em premiar o humor. É um prêmio que só comédia pode participar, ou seja, só pode ganhar comédia. O Prêmio nasce dessa vontade de celebrar a comédia, falar para o mundo sobre comédia, mostrar que todos somos comediantes ali nesse meio e que temos orgulho de fazer comédia. Vamos celebrar a velha guarda e celebrar a jovem guarda. E fazer um grande encontro de todos os comediantes no mesmo lugar, onde todos vão dizer que a comédia está em primeiro lugar!

HA - A risada do público não é o maior prêmio?

 FP - A risada do público é o melhor prêmio do mundo, mas isso é muito colocar a comédia no segundo plano! Dizer que comédia não ganha prêmio. Pergunta: ué, o prêmio do drama não é o aplauso? Por que o prêmio da comédia tem que ser a risada? 

HA - Existe algum tipo de classificação, não expressa, dos atores, tipo, os dramáticos são primeira classe, os de humor são menos importantes? 

FP - Não existe uma classificação de melhor ou pior, mas a gente sabe que a comédia fi ca em segundo plano sempre! As pessoas tendem a dizer, por mais que a gente saiba que fazer rir é mais difícil que fazer chorar, a gente vê nos críticos e na imprensa um lugar de destaque para o drama e não para a comédia.

HA -  Existe diferença de valorização profi ssional (salários, cachês) entre artistas que fazem drama e que fazem humor? Os artistas de humor têm menos espaços na mídia do que os de novela, por quê? Romper a barreira do rótulo "humorista' e ser aceito como um ator completo é difícil? Humoristas têm boa cotação na bolsa dos comerciais de TV e impressos?

FP - Comédia é o que dá mais público, é o que dá mais dinheiro, é o que dá mais comentário de um modo geral. Mas credibilidade o que dá é o drama. Uma pena isso, porque se você botar um ator de drama para fazer uma hora e meia o público fi car rindo sem parar, acho que talvez possa ser difícil, não é?

HA -  Existe humor sem liberdade? 

FP - Não existe humor sem liberdade, como não existe nada sem liberdade. Não existe poesia sem liberdade, não existe drama sem liberdade, não existe literatura sem liberdade, não existe jornalismo sem liberdade. A liberdade de expressão abraça todas as categorias, por isso não existe o limite do humor. Não existe essa defi nição. Existe o limite do drama? Então é isso: a liberdade é pra todas as expressões, não só para as artes. Mas pra você em casa conversar com a sua família, você precisa ter liberdade.

HA - Há quantos anos você faz humor? 

FP - Eu faço humor desde 2005 quando eu me formei na Cal como ator, eu me formei com o Paulo Gustavo e a gente entrou em cartaz com uma peça, 'Infraturas', uma comédia que eu escrevi e que a gente fez durante um ano, até que o Maurício Sherman me assistiu e me chamou para escrever o 'Zorra Total'. 

HA -  Que humoristas você citaria como referências na história da cena brasileira, teatro, cinema, TV? 

FP -  Os humoristas referência da história, a gente pode sempre falar do Chico Anysio. Acho que ele é o grande mestre, é o maior de todos. Chico Anysio, Lúcio Mauro... A gente homenageia o Agildo Ribeiro nesse Prêmio do Humor esse ano. Temos muitos grandes atores: Francisco Milani, Rogério Cardoso, todos que faziam a 'Escolinha do Professor Raimundo', era uma grande referência. E hoje em dia a gente tem, claro, uma nova geração como Paulo Gustavo, Marcius Melhem, Marcelo Médici, Leandro Hassum, Gregório Duvivier, Dani Calabresa, Tatá Werneck, uma gente muito boa!

   

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NA QUARTA-FEIRA, todos os caminhos levam à Travessa de Ipanema, onde Elza Maria da Costa vai lançar, pela Topbooks,do Zé Mário, seu guia “Vá a Lisboa e me leve com você”. Casada com o embaixador do Brasil na Nigéria, João André Lima, sabatinado semana passada no Senado. Elza é fi lha de um ex-embaixador em Lisboa, Alberto Costa e Silva, o diplomata imortal da ABL. Ela sabe tudo da Terrinha.



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