Jornal do Brasil

Domingo, 24 de Junho de 2018 Fundado em 1891
Hildegard Angel

Colunistas - Hildegard Angel

A grande fraude da temporada: museu europeu expõe caco de vidro por diamante

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 E se amanhã a direção do Museu do Nacional da Quinta da Boa Vista descobrir que suas múmias não são reais, são cenográficas. Foram encontradas num barracão de Escola de Samba e são expostas lá como autênticas? E se a coroa de ouro do imperador, no Museu Imperial de Petrópolis, não passar de lata polida? E se o Renoir, Meninas de Rosa e Azul, e o Escolar, de Van Gogh, do MASP, não passarem de cópias grosseiras? Bem, não vou colocar em dúvida a autenticidade das joias de todas as nossas mulheres elegantes, porque por elas eu ponho minha mão no fogo... aaaai! 

Pois bem, o Museu Nacional Tcheco, em Praga, acaba de descobrir, com horror, escândalo e pânico, que seus preciosos diamantes são pedaços de vidro lapidados com corte de diamante, e a metade de seus rubis é sintética.  

    

A falsificação foi descoberta durante uma inspeção de rotina dos minérios e cinco mil pedras preciosas do museu, e por enquanto só 400 foram conferidos. A investigação só estará completa em 2020.  

Um diamante de cinco quilates adquirido pelo museu em 1968, que se julgava valer milhões, revelou-se um pedaço de vidro sem valor, durante a auditoria realizada por curadores altamente especializados. E não foi o único caso. O mesmo ocorre com as inúmeras safiras. Uma delas, de 19 quilates, que custou sete mil libras, não passa de imitação barata. Metade da coleção de rubis do museu é falsa também. 

A questão que se põe é: esse tesouro não teve sua autenticidade devidamente investigada quando cada pedra foi adquirida pelo acervo do museu? Ou será que as gemas originais foram trocadas por falsas por criminosos agindo dentro do museu? O inquérito aberto busca esse esclarecimento.   

O que intriga é que esta coleção de cinco mil preciosidades é mantida fechada e trancada na capital da República Tcheca desde sua aquisição. Desolado, o diretor do departamento de pedras preciosas do museu, Ivo Macek, disse à Radio Praha.cz: “O que nós ainda temos aqui ainda é uma safira. Mas ela não é natural, conforme o documento que a acompanhava quando o museu a obteve, em 1970. Esta foi criada artificialmente, sem valor algum. A original foi adquirida por 200 mil coroas, e estaria valendo dezenas de milhões”. 

O que está sendo levado em consideração é se o staff  do museu, à época em que foram feitas tais aquisições, nos anos 60 e 70, teria de fato expertise para detectar as falsificações e elas eram falsas mesmo, ou se foram substituídas por ladrões. A pessoa à época encarregada já morreu. 

O vice-diretor do museu, Michal Stehlík, tentou minimizar o problema ao falar com a estação de rádio: “Quando você tem uma coleção de 20 milhões de itens, uma certa fração disso pode se revelar problemática. Essas coisas acontecem. Vamos avançar com a auditoria e acho que podemos organizar uma exposição de falsificações, neste e em outros museus do mundo, quando concluída a investigação em 2020”. 

Está aí uma proposta: “Museu de Praga expõe suas falsificações”. Isso sim é que é fazer de um limão uma limonada.

Lamentável, mais uma vez 

Com seu natural jeito meigo de ser, o deputado Jair Bolsonaro, na cerimônia de sua filiação ao PSL, quando pegou o microfone para falar, despejou suas pérolas. Disse que prefere ver um filho de braço fraturado do que brincando de boneca; destilou indignação contra o uso de banheiro público pelos trans (Como faz? Usa fralda?); chamou os líderes de movimentos populares Pedro Stédile, do MST, e Guilherme Boulos, do MTST, de canalhas e terroristas; disse que se fizesse o Enem com Lula e Dilma tirava nota mais alta que eles (essa eu queria ver). Seu auditório de Montanhas e Massarandubas babava de satisfação, vibrava, se inflamava a cada frase, com gritos de guerra, grunhidos. Sobre segurança pública, propôs uma equação elementar: violência se resolve com mais violência!

Última chamada 

Está chegando ao fim o tempo para inscrições por espaço na programação deste ano do Teatro Maria Clara Machado, na Gávea. Até o dia 17 a prefeitura receberá roteiros e projetos através de seu site. Os interessados devem apresentar trabalhos de teatro, infantil ou adulto, temporadas de quatro semanas, sem repasse financeiro e com recolhimento de 15% da bilheteria de cada apresentação. O edital está no site oficial da prefeitura. O teatro oferece “serviço de bilheteria, portaria, vigilância noturna e limpeza”. Fora isso, dois técnicos (de luz e de som) apoiam na montagem do espetáculo. Puxa, gente, de pai pra filho, corrrrram! 

Prefeitura entra na briga com ONG 

A Secretaria de Patrimônio da União venceu na justiça na quarta-feira o duelo com a ONG Ação da Cidadania Contra a Fome, que ocupa o galpão Docas Pedro II, na zona portuária do Rio de Janeiro. O local, uma construção colossal de tijolinhos, em frente ao Cais do Valongo, a maior porta de entrada de escravos no período colonial, foi tombado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Só que a disputa pelo espaço está apenas começando, e promete novos capítulos. 

A ONG está lá desde 2000, e já investiu cerca de 15 milhões na revitalização, além de promover ações sociais em defesa dos movimentos negro e feminista. A Ação Cidadania Contra a Fome acusa a Secretaria Municipal de Cultura de remover sua ONG do galpão para criar o Museu da Escravidão e da Liberdade, sendo que a gestão será entregue a outra OSS, em licitação que ainda vai acontecer. A Ação Cidadania afirma que está lutando pela convergência, pelo diálogo e, especialmente, pela valorização do território que a Ação ajudou a construir e manter. 

O IPHAN, por sua vez, não quer mais conversa. O órgão afirma que cedeu um outro lugar (segundo a ONG, 10 vezes menor), e que pretende utilizar o galpão Docas Pedro II. 

A ver as cenas dos próximos capítulos. 

Santo forte 

Foi ontem a posse do novo Conselho de Cultura da Associação Comercial do Rio de Janeiro e de sua nova diretoria, sob o comando de Vera Tostes e Reinaldo Paes Barreto. Todos os membros  ganharam um diploma e uma pauta de trabalhos, bem como um calendário já projetando as realizações e os propósitos a cumprir este ano. 

Vera, com sua longa experiência administrativa à frente de importantes instituições culturais, como o Museu Histórico Nacional, começou com grande disposição. Um dos assuntos à mesa foi a questão da lei do ICMS do Estado do Rio de Janeiro, que, desde a secretária Adriana Rattes, desejosa de aumentar a arrecadação da Secretaria de Cultura, teve seus valores mudados, passando a contrapartida das empresas,  de 20% para 40%, e consequentemente, para 60%, o crédito do ICMS a elas. 

Com isso, as empresas se descapitalizavam e ficou desinteressante para elas apoiar a Cultura no Estado. Assim, houve fenômenos como, no ano passado, dos 75 milhões de reais destinados pelo Fundo Estadual de Cultura a incentivos culturais via ICMS, só a metade foi usada. Uma comissão da ACRJ irá ao atual secretário, encabeçada pelo membro Fernando Bicudo, levando esse pleito, em nome de todos os realizadores de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, antes que a Cultura acabe.

 Está dificílimo obter patrocínio cultural, comentavam. “Que se saiba, só quem consegue patrocinador é o Calainho”, disse um produtor. Um membro do grupo, também produtor cultural, já na calçada da rua da Candelária, comentou: “Preciso saber qual terreiro que o Calainho frequenta, o santo dele funciona”.

Borbulhantes

O Espírito Santo entra, este mês, na era da produção de azeites finos. Isso, graças ao plantio de oliveiras iniciado em 2012, na região montanhosa de Santa Teresa - a terra dos colibris de Augusto Ruschi. A meta é chegar a 2020 com 300 hectares plantados, alcançando, adiante, 100 mil campos de futebol. Portugal que nos aguarde, ora, pois... Já que estamos capixabas, outra boa: depois de uma década de obras, Vitória ganha um novo aeroporto no dia 29, com Temer e staff  presentes... Moderníssimo,  a capacidade do estado salta da modesta dois milhões de passageiros anuais para dez milhões. O turismo vai bombar... Escadas rolantes, elevadores, restaurantes e cafés, cinco plataformas de embarque e desembarque, setenta lojas e pista superior a dois quilômetros de extensão... O antigo terminal seguirá em Operação tal e qual, recebendo aviões de portes menores e helicópteros, que no Estado cada vez tem mais, em função da exploração de plataformas de petróleo no litoral... As biografias estão arrebentando no mercado editorial brasileiro. No ano passado deram um salto de 23,4%, em relação a 2016... As de maior sucesso foram as de Rita Lee, da Globo Livros, seguida de “Na minha pele”, de Lázaro Ramos, pela Companhia das Letras. A pesquisa é da Nielsen Bookscan... Sem regente titular (apenas residente - o americano Lee Mills), a Orquestra Sinfônica Brasileira, que no sábado iniciou sua temporada 2018, até 31 de dezembro fará 30 exibições para os cariocas. Ela tem em sua diretoria executiva Ana Flávia Leite, e, na artística, Pablo Castellar... Mas o barato mesmo vai ser o concerto do dia 31, no sábado de Aleluia, que vai unir a OSB e a Orquestra do Teatro Municipal, além das primeiras bailarinas Ana Botafogo e Cecilia Kerche... Vão apresentar a Sinfonia Nº 2 da Ressurreição, de Gustav Mahler... Segundo o diretor do Teatro, Fernando Bicudo, o concerto vem cheio de simbologia, pois significará, não só o ressurgir do Municipal, como do Rio de Janeiro, e da própria Aleluia, como também, por que não arriscar? De nosso Jornal do Brasil, que naturalmente estará lá na plateia... Feijoada do Hippopotamus agora vai feijoar todos os domingos. Ah, coisa boa! Aquele feijão, aquele amaral, aquele Hippo, aquela convivência divertida, aquele Rio que eu gosto, aquele vistão pra pracinha... No domingo agora vai ter a primeira. E a Beth Winstom prometeu que vai... Socialite nova pobre, quando soube que os pets de La Winstom se chamam Gucci, Hermès e Louis Vuitton, saiu-se com essa: “Hilde, a Beth me inspirou. Batizei os meus vira-latas de Lojas Mariza, Casas Renner e Citycol”... Pano Rápido e até amanhã...



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