Jornal do Brasil

Segunda-feira, 25 de Junho de 2018 Fundado em 1891
Hildegard Angel

Colunistas - Hildegard Angel

A nova família brasileira 

Jornal do Brasil

A Nova Família Brasileira é mais feliz. Ela se assume e, por se assumir, não patrulha o próximo. E quando olha ao redor esparrama compreensão. Seus valores se refi nam, na busca da própria essência. A coragem de desafi ar preconceitos e antigos padrões faz dela, mesmo que assim não deseje, referência. Assim ela é ainda nesta segunda década do Terceiro Milênio, mas, nas próximas, será motivo de incredulidade contar que em nossos dias era grande audácia haver duas mulheres determinadas como Th aís Araújo e Maria Soares Sampaio Geyer, aqui vistas com seu bebê de três meses, Rafael Soares Sampaio Araújo. 

Acompanhei essa amizade, o amor, o casamento e a decisão de ter um fruto da união bem sucedida. Modernas, recorreram aos serviços do médico obstetra dr. Carlos Dale, especialista em fertilização. Lá tiveram acesso aos catálogos de doadores de um laboratório americano. Levaram os catálogos para casa e tiveram todo o tempo do mundo para escolher, folheando páginas e páginas de fotos de doadores, desde seu nascimento até a idade atual. 

A Nova Família Brasileira aqui representada pelo bebê Rafael Soares Sampaio Araújo, Thaís Araujo e Maria Soares Sampaio Geyer

O pai biológico de Rafael tem 18 anos e olhos azuis. Talvez tenha feito Maria se lembrar dos olhos azuis de seu pai, Paulo Geyer, fundador do Grupo Unipar. Mas a cor dos olhos não importa, quando se sabe que, na formação de uma criança, prevalecem a dedicação, o carinho e os valores transmitidos a ela. 

Thaís é nutróloga, sabe tudo sobre alimentação de seu bebê. Maria descende do que poderia ser uma aristocracia brasileira, desde os Proença, que bateram com os costados no Rio de Janeiro por volta dos 1500. Tem também os Machado Coelho, os Halfeld... Retratos de família pra pendurar na sala e contar histórias bonitas ao menino Rafael não faltarão. O que mais me toca, porém, é o lado piedoso dos Soares Sampaio, da mãe de Maria, Maria Cecília. Por muitas gerações eles mantêm vínculos com a Venerável Ordem Terceira de São Francisco de Paula dos Mínimos, e por isso estão todos sepultados no modesto Cemitério do Catumbi. Este São Francisco, o Papa homenageia com seu nome, de tal forma exemplar foi Francisco de Paula dos Mínimos

Plano B, de Bagner 

Esta é a hora dos nomes fakes de candidatos em todas as direções. Bastou Lula ter um encontro com Guilherme Boulos, que já há quem diga que ele é seu plano B para candidato a presidente. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad nem esconde suas certezas de será ele, até articulando alianças. Haddad encontra rejeição entre os PT puro-sangue, que, à boca miúda, identifi cam nele sintomas latentes de SDE - Síndrome de Coxinhismo Enrustido. O único nome que cintila no horizonte da estrela petista é o de Jacques Wagner, ou melhor, Bagner,  com B, de plano B.

Enfim um Rio de Paz 

Músicos permanentemente no local, transmissão online, columbário, chuva de pétalas de rosa e transformação das cinzas do(a) fi nado(a) em diamante, são alguns dos atrativos do novo crematório high tech, que será inaugurado, em março, no Caju, investimento de R$ 100 milhões. Quem quiser morrer em grande estilo, melhor esperar até lá (humor negro). Trata-se do Crematório e (também) Cemitério da Penitência, no Caju, que, além de jazigos tradicionais em terra fi rme, terá 22 mil outros (até especiais pra obesos) em prédio de oito andares, com capelas ecumênicas para 150 pessoas. A ideia é tirar do carioca a impressão de que a última morada é um lugar cheio de moscas, calor infernal, tropeços em ossadas e mau cheiro.  

Herança genética 

Diante da crise fi scal, econômica, política, moral e cívica do município, o PMDB pensa em lançar o vereador Jairinho para líder do partido na Câmara Municipal. Seu pai, o ex-deputado estadual coronel Jairo, foi apontado como miliciano na CPI das Milícias, e teve o nome envolvido em investigações sobre tortura de equipe de jornal na favela do Batan. Espera-se que Jairinho tenha herdado os dotes da mãe.

Borbulhantes

Apesar de Brasília ser o epicentro, há crise por toda a parte. Na Barra da Tijuca, por exemplo, a generosa Beth Winstom está sendo processada na Vara de Família pela cidadã Kelly Corrêa, que, a título de indenização por suposta união estável, exige a casa de Búzios, o carro Audi, o Lulu da Pomerania (são três pets), e uma pensão de 10 mil reais... Só que a cara metade (aliás, caríssima), não é a Beth, é o fi lho dela, Kid, ainda estudante, que mora com a mãe, e em cujo quarto Kelly se instalou há seis anos e meio. Louco amor... Beth, obediente à decisão provisória da Justiça, vinha regularmente pagando 5 mil por mês à ex-norinha, que amava como fi lha. Tanto que, tendo chegado ao lar dos Winstom com pequena maleta plástica, ao partir levava 16 valises grifadas e de grande porte, contendo um guarda-roupa espetacular, que fez a festa das vendedoras do Village Mall: Gucci, Dolce&Gabbana, Valentino, Fendi, algumas das notáveis marcas que as recheavam... Sem esquecer os 32 pares de sapato que trouxe da última viagem a Los Angeles... 

Kelly é linda, doce, e sua paixão por Kid foi instantânea... Tendo conhecido Beth numa festa e a reencontrado em outro evento, elas trocaram telefones... Ato contínuo Kelly ligou para Beth querendo passar um fi m de semana em sua casa (hollywoodiana)... Foi. Lá, perguntou: “Seu fi lho está? Queria conhecer”. Beth: “Está, mas não sai do quarto para confraternizar com visitas”. Ela: “Vou lá”. Toc, toc, toc. Bateu na porta. Kid abriu. Kelly entrou... Love at fi rst sight... E assim se passaram seis anos e meio até chegar à 10ª Vara de Família da Barra da Tijuca, onde semana passada Beth Winstom teve sua vitória em Primeira Instância. A juíza Eunice Bittencourt Haddad negou a pretensão de Kelly Nataly Corrêa de obter pensão mensal da “sogra”... O que mais afl ige Beth não são as coisas materiais. É perder o Lulu da Pomerânia, Gucci (os outros dois cãezinhos são Hermès e Louis Vuitton), pet que dorme com ela, cabe na mãe, e faz de sua cabeça ninho... É uma questão de afeto, não de dinheiro. Apesar de ter pago por Gucci quase 20 mil reais... 

Que tiro foi esse Nélida Piñon? 

Nélida Piñon, mulher dada a encantamentos, tem hoje um especial. Ele tem nome e sobrenome: Suzy Piñon. A grande dama das letras brasileira, imortal das palavras, acadêmica de muitos tomos, agora se derrete feito manteiguinha aquecida diante de Suzy, que chegou assim assim, meio de coadjuvante da casa, apenas para namorar o rei do lar de Nélida, o Gravetinho. Uma amiga, a Marina Pires, trouxe Suzy da mesma raça, lá do Morro do Tiro, em Teresópolis. Que tiro foi esse, meu Deus! Foi um tiro poderoso. Um fuzil AK47 de puro amor. Aos 7 anos de idade, os jogos de sedução de Miss Piñon, como alguns amigos de Nélida chamam, são de deixar sua dona totalmente dominada. É, está tudo dominado lá naquele apartamento da Lagoa. Que tiro foi esse? - eu repito. Nélida reconhece: “Tão logo a a vi, senti um “Assombro” amoroso”. E vai discorrendo sobre as peculiaridades de sua menina: “Suzy é uma sobrevivente. Suas atitudes iniciais lutando por afeto e por direitos iguais aos de Gravetinho, senhor da casa, não só demonstram que é uma feminista nata, mas revelam seu difícil passado. Tem singularidades: um paladar exigente (adora foie gras e queijo Manchego), uma sensibilidade aguçada, um olhar perscrutador. É destemida, impetuosa e delicada ao mesmo tempo. Não suporta fi car sozinha. Na rua, desafi a todo mundo, late para me proteger e impedir qualquer aproximação, comporta-se como uma gigante”.  Mas o encantamento mesmo se deu por “sua capacidade de se comunicar vivamente sem ter que dizer uma única palavra. Sua amorosidade. Suas lindas orelhas, enormes, mas que esteticamente se equiparam à perfeição do homem de Vitruvius”, diz a intelectual, que jamais imaginou, com toda aquela paixão que tinha por Gravetinho Piñon, com quem conviveu por 11 anos, e por quem até hoje chora a morte, reencontrar outra alma gêmea canina. 

Quando lhe peço para lembrar mais alguma coisa sobre a “donzelinha”, ela diminui o volume da voz e me corrige: “Uma confi ssão familiar: Suzy não é uma donzela, foi namorada sim de Gravetinho. E segundo consta teve outros amores no Morro do Tiro. Pergunto-lhe como foram, ela só mexe as orelhas como se a memória lhe provocasse frêmitos.”

O embaixador José Viegas Filho, ex-ministro da Defesa de Lula, é exemplo vivo de que dentro do peito da ministra Carmen Lúcia também bate um coração

Para quem é rico e está de saco desta vida, morrer no Rio será grande pedida a partir de março com o novo Crematório da Penitência no Caju. Leia aqui.



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